Airo
Nome científico: Uria aalge
Família alcidae
- Fenologia Continente
- Reprodutor estival e invernante
- Fenologia Madeira
- Acidental
- Fenologia Açores
- Acidental
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Mapas
Ocorrência | Primavera
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Período de dados / número de indivíduos:
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Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
O airo tem uma distribuição circumpolar, ocorrendo no Atlântico Norte e no Pacífico Norte (Billerman et al. 2026).
Em Portugal continental, a espécie nidificou no passado, tendo sido comum no arquipélago das Berlengas, mas atualmente ocorre apenas como invernante, maioritariamente proveniente de colónias britânicas e irlandesas (Teixeira 1983; Silva & Canto e Castro 1992). A presença é mais regular entre novembro e o início da primavera, apesar da região marcar o limite sul da sua área de distribuição de invernada. Apresenta uma distribuição sobretudo costeira, podendo ser ocasionalmente observada junto a praias, promontórios e zonas abrigadas. Em Portugal continental, é mais frequente nos setores centro e norte, embora possa ocorrer ao longo de toda a costa (Meirinho et al. 2014). A espécie não foi registada nos censos marinhos realizados no passado nos Açores e na Madeira. Os dados disponíveis de seguimento individual da espécie são muito limitados. As cinco aves equipadas com GLS em 2013 e 2014, provenientes de colónias da Islândia, indicam uma utilização da ZEE portuguesa entre abril e outubro, com algumas localizações na subárea dos Açores e registos pontuais na costa da Madeira e continental.
Abundância e evolução populacional
A população global apresenta uma tendência crescente e foi estimada em mais de 18.000.000 aves, com a população europeia entre 2.350.000 e 3.060.000 indivíduos maduros (BirdLife International 2025).
As colónias portuguesas desta espécie correspondiam ao limite meridional da sua área de nidificação, tendo no passado apresentado uma distribuição mais alargada como nidificante. Contudo, a população foi sofrendo um declínio acentuado, ficando progressivamente restrita a um único núcleo no arquipélago das Berlengas, que em 1939 contaria com cerca de 6.000 casais (Lockley 1952). Este efetivo reduziu-se drasticamente para 320 adultos, em 1977 e 70 casais, em 1981 (Teixeira 1983), tendo o último registo de nidificação ocorrido em 2002 (Lecoq 2003). Não existe informação atualizada acerca da abundância ou da evolução da população invernante para a ZEE portuguesa, não tendo sido possível avaliar o estado ambiental da mesma.
Ecologia e habitat
A distribuição da espécie está restrita a zonas pouco profundas da plataforma continental, sendo raramente observado a partir de terra, em Portugal. Durante tempestades, no entanto, podem ser avistados indivíduos a refugiar-se em portos ou no interior de barras costeiras. Alimenta-se sobretudo em águas pouco profundas (entre 50 a 100 m). Procura zonas produtivas como fundos rochosos ou arenosos, frentes térmicas, cardumes de presas e áreas com correntes fortes (BirdLife International 2025). Na Península Ibérica, a sua dieta poderá incluir a sardinha, o biqueirão e a galeota (Martínez-Abraín et al. 2023).
Ameaças e conservação
O declínio acentuado do airo na Península Ibérica registou-se na segunda metade do século XX, como resultado da introdução de redes de emalhar sintéticas e da alta mortalidade derivada à captura acidental (Munilla et al. 2007), não se podendo descartar a redução dos stocks das principais presas (Martínez-Abraín et al. 2023). A sobrepesca pode ter impactos diretos nas populações europeias da espécie, ao comprometer a disponibilidade alimentar (BirdLife International 2025). O airo é ainda particularmente vulnerável a derrames de hidrocarbonetos, que provocam taxas de mortalidade muito elevadas (Munilla et al. 2011), bem como às alterações climáticas, devido à sua sensibilidade às variações da temperatura da superfície do mar (BirdLife International 2025). A medida de conservação prioritária inclui a minimização das capturas acidentais.
Autor
Tânia Nascimento
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Teixeira AM (1983). Seabirds breeding at the Berlengas, forty-two years after Lockley’s visit. Ibis 125: 417-420. Bibliografia:
Silva MA & Canto e Castro MF (1992). Recuperação de anilhas entre 1989 e 1991. Airo 3 (3): 90-120. Bibliografia:
Munilla I, Díez C & Velando A (2007). Are edge bird populations doomed to extinction? A retrospective analysis of the common guillemot collapse in Iberia. Biological Conservation 137: 359-371. Bibliografia:
Munilla I, Arcos JM, Oro D, Álvarez D, Leyenda PM & Velando A (2011). Mass mortality of seabirds in the aftermath of the Prestige oil spill. Ecosphere 2(7): 1-14. Bibliografia:
Meirinho A, Barros N, Oliveira N, Catry P, Lecoq M, Paiva V, Geraldes P, Granadeiro JP, Ramírez I & Andrade J (2014). Atlas das Aves Marinhas de Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Bibliografia:
Martínez-Abraín A, Tomillo PS, Mouriño J, Rodríguez-Silvar J & Bermejo A (2023). Predator-prey collapses at the edge of predator distribution: the case of clupeids and common guillemots (Uria aalge) in NW Iberia. Scientia Marina 87(1): e053-e053. Bibliografia:
Lockley RM (1952). Notes on the birds of the islands of the Berlengas (Portugal), the Desertas and Baixo (Madeira) and the Salvages. Ibis 94(1): 144-157. Bibliografia:
Lecoq M (2003). Censo das Populações de Aves Marinhas Nidificantes no Arquipélago da Berlenga em 2002: Calonectris diomedea, Phalacrocorax aristotelis e Uria aalge. Relatório II (Final): Censo da População em 2002. SPEA, Lisboa. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Dados:
Thorarinsson TL & Kolbeinsson Y (2014c). Dataset 1071: Common Murre, Uria aalge, Geolocator (GLS), Latrabjarg, Iceland, Iceland, 2013–2014. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1071/ e acedido a 30.11.2025. Glossário:
Zona geográfica de elevação rochosa, íngreme e saliente que avança sobre o mar, formando frequentemente um cabo. Glossário:
Extremo sul da área de ocorrência de uma espécie. Glossário:
Indivíduos capazes de se reproduzir, utilizados como referência em estimativas populacionais. Glossário:
Mudanças persistentes nos padrões climáticos globais ou regionais, influenciadas por fatores naturais e antropogénicos. Glossário:
Contagens padronizadas de aves realizadas no mar para estimar abundância e distribuição. Glossário:
Monitorização dos movimentos de indivíduos através de dispositivos. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
Refere-se à captura involuntária de espécies marinhas durante a pesca. Os animais podem ficar presos nos anzóis ou nas redes de pesca. Normalmente é associada à pesca comercial, mas também pode ocorrer na pesca lúdica. A captura acidental é uma das principais ameaças às aves marinhas no mar. Glossário:
Um stock de peixe é um termo utilizado em ciências pesqueiras, referindo-se a uma unidade populacional de peixe (ou marisco), explorado comercialmente, que pertence a uma mesma espécie, numa mesma área geográfica e capturado por uma pescaria específica. Glossário:
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma ZEE de espaço marítimo para além das suas águas territoriais. A ZEE nacional é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas náuticas da costa e separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Dentro da sua ZEE, cada estado goza de direitos como: o direito à exploração dos recursos marinhos, o direito à investigação científica e o direito a controlar a pesca por parte de embarcações estrangeiras. Glossário:
Forma de pesca na qual os stocks (ou unidades populacionais) de peixe são explorados até níveis inaceitáveis do ponto de vista biológico e ecológico. A sobrepesca de certas espécies-chave, como é o caso dos tubarões, pode levar ao colapso dos ecossistemas marinhos. Glossário:
Rede estática frequentemente invisível e com malhagem de dimensão variável, utilizada na captura de uma grande variedade de peixes. É deixada no mar a profundidade variável sendo posteriormente recolhida. É uma arte de pesca não seletiva que captura com muita frequência aves, mamíferos e répteis marinhos. Glossário:
Porção do fundo marinho que começa na linha de costa e desce, com um declive suave, até ao talude continental (onde o declive é muito mais pronunciado). Em média, a plataforma continental desce até uma profundidade de 200 metros. Glossário:
Período geralmente correspondente aos meses de inverno, podendo incluir parte do outono. Glossário:
Pequeno aparelho que se coloca nas aves para estudar os seus movimentos de larga escala (geralmente a migração), e que funciona através do registo da intensidade de luz (a partir da qual se estima a duração da noite e a hora do meio-dia local e, consequentemente, a latitude e a longitude em cada dia). Glossário:
Nome comum genérico atribuído a várias espécies de peixes ósseos do género Ammodytes. Glossário:
Pequeno peixe ósseo da família Engraulidae, cujo nome científico é Engraulis encrasicolus, também conhecido por anchova.