Alcaide
Nome científico: Catharacta skua
Família stercorariidae
- Fenologia Continente
- Invernante e migrador de passagem
- Fenologia Madeira
- Migrador de passagem
- Fenologia Açores
- Invernante e migrador de passagem
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Mapas
Ocorrência | Primavera
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Período de dados / número de indivíduos:
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Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
O alcaide nidifica, entre maio e setembro, no norte da Europa, nomeadamente na Escócia, Islândia, Ilhas Faroé, Noruega e Rússia (Billerman et al. 2026). Inverna ao largo da França e da Península Ibérica até à África Ocidental, com alguns indivíduos a dispersarem até à Terra Nova, Brasil e Caribe (Furness et al. 2006; Magnusdottir et al. 2012; Billerman et al. 2026). Em Portugal ocorre ao largo da costa continental durante todo o ano, com maior concentração no outono e inverno, particularmente junto a zonas estuarinas (Catry et al. 2010a; Araújo et al. 2022a). É pouco frequente nos arquipélagos, ocorrendo mais frequentemente nos Açores, entre dezembro e março, e na Madeira durante a migração pós-nupcial, entre julho e outubro, sendo também observado durante a migração primaveril e o inverno (eBird 2026). Os dados de seguimento individual de 74 aves provenientes da Noruega, Islândia e Escócia com equipamentos GLS entre 2008 e 2022, corroboram a utilização intensa de toda a ZEE portuguesa. Estes dados também sugerem que a subárea da Madeira é importante no inverno, sendo provavelmente uma área regularmente usada pelas populações que invernam na costa africana (Magnusdottir et al. 2012).
Abundância e evolução populacional
A população global está estimada entre 16.300 a 17.200 casais reprodutores, com uma tendência estável (BirdLife International 2025). Em Portugal, a observação desta espécie era rara no século XX, mas aumentou significativamente desde então, sendo posteriormente bastante conspícua ao longo da costa continental, sobretudo no inverno (Catry et al. 2010a). Esta população foi estimada em 5.370 a 9.702 indivíduos para o período entre 2010 e 2015 (Araújo et al. 2022a), refletindo o papel importante da região como corredor migratório, sendo utilizado por cerca de 7% da população mundial da espécie durante a migração pós-nupcial (Leitão et al. 2014). No entanto, e apesar destes valores apresentarem grandes variações interanuais, observa-se uma tendência de decréscimo nos últimos anos, refletida no indicador relativo à abundância populacional, com a população do continente a não atingir o Bom Estado Ambiental. Já no caso dos Açores e da Madeira, a informação disponível não permite tirar grandes ilações sobre a evolução da população que usa essas regiões.
Ecologia e habitat
Durante a reprodução é uma ave semi-colonial mas muito territorial. A nidificação ocorre em terrenos planos com alguma vegetação (BirdLife International 2025). No mar e durante o período não reprodutor, tem um comportamento essencialmente pelágico, utilizando sobretudo a plataforma continental. Apresenta uma dieta variada e oportunista, seguindo frequentemente embarcações de pesca (Valeiras 2003; Pereira et al. 2025a) e adotando comportamento cleptoparasítico, perseguindo outras aves marinhas para lhes roubar alimento.
Ameaças e conservação
O alcaide depende de rejeições da pesca, especialmente durante a reprodução, podendo a espécie ser afetada por políticas de redução de rejeições (BirdLife International 2025). Também a diminuição dos stocks das suas principais presas, podem originar quebras populacionais e menor sucesso reprodutor.
Autor
Hany Alonso
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Furness et al. 2009a, Furness et al. 2009b, Furness et al. 2010
Valeiras J (2003). Attendance of scavenging seabirds at trawler discards off Galicia, Spain. Scientia Marina 67(Suppl. 2): 77-82. Bibliografia:
Pereira JM, Ramos JA, Almeida A, Marçalo A, Carvalho F, Fagundes, I, Gonçalves JMS, Frade M, Oliveira N, Nascimento T & Paiva VH (2025a). Seasonal variation in seabird abundance and bycatch at artisanal bottom-set net fisheries in the southern Iberian Atlantic coast. Ocean & Coastal Management 267: 107660. Bibliografia:
Magnusdottir E, Leat EH K, Bourgeon S, Strøm H, Petersen A, Phillips R, Hanssen SA, Bustnes JO, Hersteinsson P & Furness RW (2012). Wintering areas of Great Skuas Stercorarius skua breeding in Scotland, Iceland and Norway. Bird Study 59 (1): 1-9. Bibliografia:
Leitão AH, Canário F, Pires N & Tomé R (2014). A importância do Cabo de S. Vicente (Sagres, Sudoeste de Portugal) como corredor migratório para aves marinhas. Em SPEA (ed.). Livro de resumos do VIII congresso de ornitologia da SPEA (1.ª edição). Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Lisboa. Bibliografia:
Furness RW, Crane JE, Bearhop S, Garthe S, Käkelä A, Käkelä R, Kelly A, Kubetzki U, Votier SC & Waldron S (2006). Techniques to link migration patterns of seabirds with diet specialization, condition and breeding performance. Ardea 94: 631–638 Bibliografia:
eBird (2026). eBird: An online database of bird distribution and abundance (web application). eBird, Cornell Lab of Ornithology, Ithaca, New York. Disponível em http://www.ebird.org e acedido a 02.02.2026. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Araújo H, Correia-Rodrigues P, Bastos-Santos J, Ferreira M, Pereira AT, Martinez-Cedeira J, Vingada J & Eira C (2022a). Seabird abundance and distribution off western Iberian waters estimated through aerial surveys. Marine Ornithology 50: 71-80. Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Dados:
Furness R, Petersen A & Magnusdottir E (2010). Dataset 1099: Great Skua, Catharacta skua, Geolocator (GLS), Bear Island, Norway, Norway, 2008–2010. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1099/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Furness R, Petersen A & Magnusdottir E (2009b). Dataset 1101: Great Skua, Catharacta skua, Geolocator (GLS), Foula, Shetland, United Kingdom, 2008–2009. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1101/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Furness R, Petersen A & Magnusdottir E (2009a). Dataset 1100: Great Skua, Catharacta skua, Geolocator (GLS), Breidamerkursandur, Iceland, Iceland, 2008–2009. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1100/ e acedido a 30.11.2025. Glossário:
Rotas e áreas geográficas preferenciais que concentram o movimento de indivíduos durante as migrações. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Monitorização dos movimentos de indivíduos através de dispositivos. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
Um stock de peixe é um termo utilizado em ciências pesqueiras, referindo-se a uma unidade populacional de peixe (ou marisco), explorado comercialmente, que pertence a uma mesma espécie, numa mesma área geográfica e capturado por uma pescaria específica. Glossário:
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma ZEE de espaço marítimo para além das suas águas territoriais. A ZEE nacional é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas náuticas da costa e separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Dentro da sua ZEE, cada estado goza de direitos como: o direito à exploração dos recursos marinhos, o direito à investigação científica e o direito a controlar a pesca por parte de embarcações estrangeiras. Glossário:
Porção do pescado capturado em embarcações de pesca comercial que é devolvido ao mar, muitas vezes morto ou moribundo. Os peixes rejeitados pertencem muitas vezes a espécies sem valor comercial, indivíduos abaixo do tamanho mínimo de captura permitido por lei, ou a indivíduos cujo desembarque não é permitido, por exemplo devido a restrições de quota. Pode também ser composto por partes do pescado, designadamente vísceras e cabeças, que após o processamento a bordo, são rejeitadas e deitadas ao mar. As rejeições têm um forte impacto no ecossistema marinho, e definem muitos aspetos da distribuição, procura de alimento e dinâmica populacional das aves marinhas, nomeadamente de indivíduos e espécies que têm como hábito seguir embarcações. Glossário:
Referente ao período que sucede reprodução. Glossário:
Porção do fundo marinho que começa na linha de costa e desce, com um declive suave, até ao talude continental (onde o declive é muito mais pronunciado). Em média, a plataforma continental desce até uma profundidade de 200 metros. Glossário:
Zona ou ambiente onde vivem normalmente os seres vivos que não dependem dos fundos marinhos. É o ambiente ecológico típico das águas oceânicas abertas. O ecossistema pelágico não abrange apenas o alto-mar, dele fazendo parte também as águas que cobrem a plataforma continental. A zona pelágica começa abaixo da zona de influência das marés, prolongando-se até ao alto-mar, em profundidades que variam desde algumas dezenas de metros até aproximadamente 6.000 metros, dividindo-se em diferentes camadas. Glossário:
Pequeno aparelho que se coloca nas aves para estudar os seus movimentos de larga escala (geralmente a migração), e que funciona através do registo da intensidade de luz (a partir da qual se estima a duração da noite e a hora do meio-dia local e, consequentemente, a latitude e a longitude em cada dia). Glossário:
Método de alimentação no qual um indivíduo rouba o alimento a outro.