Borrelho-de-coleira-interrompida
Nome científico: Charadrius alexandrinus
Família charadriidae
- Fenologia Continente
- Residente, estival, invernante e migrador de passagem
- Fenologia Madeira
- Residente, invernante e migrador de passagem
- Fenologia Açores
- Residente, invernante e migrador de passagem
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Mapas
Arenaria | Inverno
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:>
Valor máximo:<
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:>
Valor máximo:>
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Colónia(s) de origem:
Aparelho:
Período de dados / número de indivíduos:
Período de dados / número de indivíduos:
Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
O borrelho-de-coleira-interrompida apresenta uma distribuição cosmopolita, nidificando em todos os continentes exceto na Oceânia. No Paleártico ocupa latitudes médias e baixas (Delany et al. 2009), incluindo o território continental português e algumas ilhas dos arquipélagos dos Açores e da Madeira (Equipa Atlas 2022). Ocorre em quase toda a orla costeira, sendo mais comum em praias amplas, ilhas arenosas, estuários, salinas, lagoas e arrozais, sendo menos frequente no interior. Na ilha de Santa Maria (Açores), ocupa habitats distintos, incluindo pastagens esparsas e as pistas do aeroporto (Rocha 2022). Apesar do carácter maioritariamente sedentário da população nidificante, uma pequena fração é migradora, realizando movimentos à escala ibérica (Cimiotti et al. 2024) ou mais longos, invernando desde a Mauritânia ao Senegal. No período não reprodutor, o território nacional serve de local de paragem (finais de verão e início do outono) a migradores de latitudes superiores, acolhendo também populações invernantes provenientes da faixa costeira europeia, desde o norte da Alemanha à Galiza.
Abundância e evolução populacional
A população global foi estimada entre 324.000 a 468.000 indivíduos (Wetlands International 2025), com uma tendência decrescente (BirdLife International 2025).
A população nidificante em Portugal, estimada em 1.028 a 1.135 casais em 2021, sofreu um declínio acentuado de 46% em 19 anos. A espécie é mais abundante no litoral centro e no Algarve (Ria de Aveiro, Ria Formosa e Castro Marim), mantendo núcleos reprodutores relevantes em Esposende, no estuário do Tejo e na ilha de Santa Maria (Rocha 2022). A população invernante, outrora situada entre 3.000 a 4.000 indivíduos (Catry et al. 2010a), está atualmente estimada em menos de 2.500 indivíduos (Lopes et al. 2022), concentrando-se sobretudo no estuário do Tejo, na Ria Formosa e em Castro Marim. No litoral marinho não estuarino, que acolhe 17% do total (Lecoq et al. 2013), regista-se um declínio moderado no continente e ilhas (Fagundes & Catry 2022), tendência igualmente verificada nas zonas estuarinas (Lopes et al. 2022). Estas tendências negativas alinham-se com o resultado da avaliação ambiental, mostrando que nenhuma das três regiões atingiu o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância.
Ecologia e habitat
A espécie ocorre em salinas, estuários e praias com sistemas dunares, evitando áreas com maior perturbação humana (Lourenço et al. 2013; Rocha 2022). Os estuários são importantes zonas de alimentação, suportando inclusive aves que nidificam nas praias. A dieta varia com o habitat: nas salinas, dominam as larvas de dípteros (Chironomidae e Ephydridae) (Pedro & Ramos 2009); nas praias, crustáceos e insetos que capturam na linha de maré ou junto a detritos; nos estuários, o gastrópode Hydrobia ulvae, anelídeos e pequenos peixes (Trigo 2007).
Ameaças e conservação
As populações europeias têm beneficiado de projetos de conservação (libertação de aves criadas em cativeiro, gestão de habitat e proteção de ninhos) que impulsionam a recuperação da espécie. Contudo, em Portugal, a espécie mantém-se vulnerável à pressão humana. O censo de 2021 identificou a perturbação por banhistas e pescadores como a principal ameaça nas praias continentais, seguida da degradação do habitat (limpeza mecânica, erosão costeira e abandono de salinas). A baixa produtividade resulta ainda da inundação e predação das posturas por cães e raposas nas praias, por corvídeos e raposas nas salinas e pelo pisoteio por gado na ilha de Santa Maria (Norte & Ramos 2004; Rocha et al. 2016; Rocha 2022).
Autor
Afonso Rocha
Wetlands International (2025). Waterbird Population Estimates. Disponível em http://wpe.wetlands.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Trigo S (2007). Ecologia alimentar e de reprodução de Borrelho-de-coleira-interrompida, Charadrius alexandrinus, na faixa costeira da Ria de Aveiro. Tese de Mestrado em Ecologia.Universidade de Coimbra. Bibliografia:
Rocha AD, Fonseca D, Masero JA & Ramos JA (2016). Coastal saltpans are a good alternative breeding habitat for Kentish plover Charadrius alexandrinus when umbrella species are present. Journal of Avian Biology 47: 824-833. Bibliografia:
Rocha AD (2022). Censo Nacional do Borrelho-de-coleira-interrompida, 2021. Em Alonso H, Andrade J, Teodósio J & Lopes A (coord.). O estado das aves em Portugal, 2022. 2ª edição. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Lisboa. Bibliografia:
Pedro P & Ramos J (2009). Diet and prey selection of shorebirds on salt pans in the Mondego estuary, western Portugal. Ardeola 56(1): 1-11. Bibliografia:
Norte AC & Ramos JA (2004). Nest-site selection and breeding biology of Kentish plover Charadrius alexandrinus on sandy beaches of the Portuguese west coast. Ardeola 51: 255-268. Bibliografia:
Lourenço PM, Catry P, Lecoq M, Ramírez I & Granadeiro JP (2013). Role of disturbance, geology and other environmental factors in determining abundance and diversity in coastal avian communities during winter. Marine Ecology Progress Series 479: 223-234. Bibliografia:
Lopes CS, Laranjeiro MI, Lavers JL, Finger A & Provencher J (2022). Seabirds as indicators of metal and plastic pollution. Em Ramos JA & Pereira L (eds.). Seabird Biodiversity and Human Activities. CRC Press: 168-187. Bibliografia:
Lecoq M, Lourenço PM, Catry P, Andrade J & Granadeiro JP (2013). Wintering waders on the Portuguese mainland non-estuarine coast: results of the 2009-2011 survey. Wader Study Group Bulletin 120: 66-70. Bibliografia:
Fagundes AI & Catry P (2022). Projeto Arenaria, 2009–2022. Em Alonso H, Andrade J, Teodósio J & Lopes A (coords.). O estado das aves em Portugal, 2022 (2nd ed.). Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Bibliografia:
Equipa Atlas (2022). III Atlas das Aves Nidificantes de Portugal (2016-2021). SPEA, ICNF, LabOr/UÉ, IFCN. Portugal. Bibliografia:
Delany S, Dodman T, Stroud D & Scott D (2009). An atlas of wader population in Africa and western Eurasia. Wetlands International, Wageningen. Bibliografia:
Cimiotti DV, Eberhart-Hertel L, Audevard A, Garcias Salas PJ, Gelinaud, G, Günther K, Rocha AD, Schulz R, van der Winden J, Schmaljohann H, & Küpper C (2024). Dispersal in Kentish Plovers (Charadrius alexandrinus): adult females perform furthest movements. Journal of Ornithology 165: 301–314. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Glossário:
Grupo de artrópodes marinhos importantes na cadeia alimentar marinha. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Medida do sucesso reprodutor de uma população, geralmente expressa como o número médio de crias produzidas por casal. Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental.