Borrelho-grande-de-coleira

Nome científico: Charadrius hiaticula

Espécies limícolas

Família charadriidae

Fenologia Continente
Invernante e migrador de passagem
Fenologia Madeira
Invernante e migrador de passagem
Fenologia Açores
Invernante e migrador de passagem
Estatuto UICN Global
LC
Estatuto Continente
LC
Estatuto Madeira
NE
Estatuto Açores
NE
Ilustração da espécie

Dados

Continente

Avaliação do indicador de Abundância

Madeira

Avaliação do indicador de Abundância

Açores

Avaliação do indicador de Abundância

Mapas

Arenaria | Inverno

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

O borrelho-grande-de-coleira nidifica predominantemente desde o ártico (do nordeste do Canadá para leste, até à Sibéria Oriental) até a zonas temperadas da Europa Ocidental, entre finais de março e agosto (Delany et al. 2009). Em Portugal, ocorrem aves originárias da maior parte das zonas de reprodução, nomeadamente do Canadá (Léandri-Breton et al. 2019), Islândia (Thorisson et al. 2012), Noruega (Lislevand et al. 2017) e Europa Ocidental (Taylor 1980). Durante as passagens migratórias predominam as aves que invernam sobretudo em África, embora uma proporção de indivíduos permaneça aqui ao longo do inverno, nomeadamente os que nidificam na Europa Ocidental (Catry et al. 2010a) e Islândia (Fletcher 2022). As passagens são pronunciadas durante o verão e início do outono, sendo menos evidentes na primavera (Catry et al. 2010a). Em Portugal continental, o borrelho-grande-de-coleira é mais frequente em zonas estuarinas e lagunas costeiras, mas também surge ao longo de todo o litoral marinho. Nos Açores e na Madeira, ocorre principalmente na orla costeira de todas ilhas, associado a praias, piscinas naturais e a estruturas artificiais, como portos e marinas, podendo também ser observado em zonas de prados interiores.

Abundância e evolução populacional

A população global foi estimada entre 480.000 a 600.000 indivíduos, com uma tendência estável (Wetlands International 2025). Em janeiro, a população presente em Portugal continental ronda os 3.500 indivíduos, dos quais cerca de 300 se encontram nas praias arenosas e rochosas do litoral (Lecoq et al. 2013). A evolução populacional nesta região não é muito clara e poderá estar relacionada com efeitos locais. Enquanto, por exemplo, o estuário do Sado apresenta uma diminuição no número de indivíduos que ali ocorrem (Belo et al. 2023), o oposto tem acontecido no estuário do Tejo (Lourenço et al. 2018) e ao longo da costa não estuarina (Lecoq et al. 2013). Apesar destas discrepâncias, de uma forma geral a população do continente atingiu o Bom Estado Ambiental. Nos Açores, apesar da informação acerca da abundância e evolução populacional ser escassa, esta população aparenta também ter atingido o Bom Estado Ambiental, ao contrário do observado para a Madeira.

Ecologia e habitat

Os borrelhos-grandes-de-coleira ocorrem sobretudo nas grandes zonas húmidas costeiras de Portugal continental. Preferem os setores com sedimentos arenosos, embora também usem zonas de vasa (Moreira 1993; Granadeiro et al. 2004). Na costa não estuarina do continente (Lourenço et al. 2013) e nas ilhas, aparecem sobretudo associados ao substrato rochoso. A dieta consiste em pequenos invertebrados (Billerman et al. 2026), onde os poliquetas e os insetos associados a habitats marinhos ou costeiros têm especial importância nas aves que ocorrem em Portugal (Pedro & Ramos 2009; Rocha et al. 2017).

Ameaças e conservação

A nível global, a poluição e alteração do uso do solo são as principais ameaças nos locais de alimentação e descanso durante a migração e a invernada (BirdLife International 2025). Em Portugal, não são conhecidas ameaças concretas, embora a perturbação em locais de alimentação e de repouso possa eventualmente ter algum impacto negativo na população invernante.

Autor

Nuno Oliveira