Cagarra-de-cabo-verde

Nome científico: Calonectris edwardsii

Espécies marinhas

Família procellariidae

Fenologia Continente
Acidental
Fenologia Madeira
Migrador de passagem
Fenologia Açores
Migrador de passagem
Estatuto UICN Global
NT
Estatuto Continente
NA
Estatuto Madeira
NE
Estatuto Açores
NE
Ilustração da espécie

Mapas

Distribuição | Reprodutor

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

A cagarra-de-cabo-verde reproduz-se exclusivamente em Cabo Verde entre março e novembro (Billerman et al. 2026). Durante a reprodução encontra-se presente maioritariamente entre as águas de Cabo Verde e a costa oeste africana desde o Senegal até à Mauritânia. Após a reprodução, migra para a América do Sul nas águas do Brasil (González-Solís et al. 2009) e Uruguai, tendo sido recentemente registada na costa Atlântica da América do Norte (Billerman et al. 2026). Existem muito poucas observações da espécie na ZEE portuguesa. No entanto, com base nos dados de 33 aves provenientes da ilha da Boavista e do ilhéu Raso, equipadas com GLS entre 2006 e 2013, observou-se a utilização das subáreas dos Açores e da Madeira ao longo de toda a época reprodutora, sendo mais regular em outubro e novembro. Este último período coincide com a fase final da alimentação das crias. A espécie parece utilizar maioritariamente a metade oriental do mar dos Açores e a metade ocidental e sul da Madeira. Estes dados apontam para a não utilização da subárea do continente.

Abundância e evolução populacional

A população global foi estimada em cerca de 10.000 casais reprodutores para o período 1988-1993 (Nunes & Hazevoet 2001). Apesar de não haver estimativas globais mais recentes, o tamanho da população nas maiores colónias da espécie (ilhéus Raso e Branco) foi estimado em 9.812 casais em 2015 (Biosfera com. pess.), após a implementação de várias medidas de proteção (Semedo et al. 2021). Mantém-se no entanto uma tendência negativa ao nível da população global (BirdLife International 2025).

Tendo sido uma espécie reconhecida muito recentemente, a escassa informação disponível em termos de abundância e o reduzido número de registos a nível nacional, torna difícil avaliar a proporção que ocorre em águas nacionais. Assume-se contudo que é uma espécie muito rara. Apenas três registos foram submetidos ao Comité Português de Raridades, todos eles na região da Madeira (Robb et al. 2025). Consequentemente, não existe informação disponível que permita a avaliação do estado ambiental da população que usa a ZEE portuguesa.

Ecologia e habitat

A cagarra-de-cabo-verde tem uma ecologia e dieta muito semelhante à cagarra. É uma espécie marcadamente pelágica que se alimenta principalmente de peixes epipelágicos de valor comercial e de cefalópodes capturados à superfície ou em mergulho (dos Santos et al. 2023; Billerman et al. 2026). Também se alimenta frequentemente dos desperdícios da pesca comercial e do isco usado em pescarias de anzol. Nidifica em cavidades em falésias e rochedos costeiros, bem como sob as rochas (BirdLife International 2025).

Ameaças e conservação

A captura de juvenis não voadores foi apontada como uma das principais ameaças a esta espécie. Apesar da situação parecer estar controlada nas duas maiores colónias, com a proteção legal dessas áreas, há suspeitas da captura continuar a ocorrer noutros locais (Semedo et al. 2021). As restantes ameaças em terra são comuns às espécies de Procellariiformes, incluindo a predação por mamíferos introduzidos ou espécies nativas e a poluição luminosa. No mar, a maior ameaça parece estar relacionada com a captura acidental em artes de pesca (Navarro-Herrero et al. 2025).

Autor

Nuno Oliveira

Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual

Gonzalez-Solis 2010b, Gonzalez-Solis 2010c, Gonzalez-Solis 2015e