Cagarra-do-mediterrâneo
Nome científico: Calonectris diomedea
Família procellariidae
- Fenologia Continente
- Migrador de passagem
- Fenologia Madeira
- Migrador de passagem
- Fenologia Açores
- Migrador de passagem
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Mapas
Distribuição | Reprodutor
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:>
Valor máximo:<
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:>
Valor máximo:>
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Colónia(s) de origem:
Aparelho:
Período de dados / número de indivíduos:
Período de dados / número de indivíduos:
Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
A cagarra-do-mediterrâneo é uma migradora trans-equatorial, amplamente distribuída e comum no Mediterrâneo durante a época reprodutora (Keller et al. 2020). As suas áreas de invernada localizam-se principalmente em águas atlânticas entre os 20°N e 20°S, ocorrendo sobretudo em águas costeiras desde a Corrente das Canárias, no Noroeste de África, até ao Golfo da Guiné e Angola, a sul, mas também em águas oceânicas (Morera-Pujol et al. 2025). As aves regressam às colónias mediterrânicas a partir do final de fevereiro após passarem quatro a cinco meses nas áreas de invernada. A época de reprodução decorre desde o final de maio até ao final de outubro.
Com base no seguimento individual de 28 aves provenientes das colónias das Chafarinas (Espanha) e de Riou (França), equipadas com dispositivos GPS entre 2007 e 2014, verifica-se a utilização alargada da ZEE portuguesa. A ocorrência foi observada durante a reprodução e os períodos migratórios, concentrando-se sobretudo na secção sul da plataforma continental e ao longo da costa do continente, bem como a sudeste da subárea dos Açores e a norte da Madeira.
Abundância e evolução populacional
A população global está estimada entre 141.000 e 223.000 casais reprodutores (Defos du Rau et al. 2015). Esta estimativa é consistente com contagens de cerca de 600.000 indivíduos registados no estreito de Gibraltar durante a migração outonal, quando as aves abandonam a bacia do Mediterrâneo (Derhé 2012; Carboneras et al. 2013).
Prevê-se que a população global esteja a sofrer um declínio de aproximadamente 2% ao longo de três gerações (desde 1980), embora esta estimativa se baseie em dados de apenas 6% da população total (Carboneras et al. 2013). Apesar deste decréscimo documentado a nível local, a espécie encontra-se classificada globalmente como Pouco Preocupante (BirdLife International 2025). No entanto, continuam a ser necessários dados atualizados da maior colónia, na Tunísia, para uma avaliação mais robusta do seu estado global (Carboneras et al. 2013). Não existe informação disponível que permita a avaliação do estado ambiental da população que usa a ZEE portuguesa.
Ecologia e habitat
A cagarra-do-mediterrâneo é uma ave pelágica migradora. Nidifica em falésias inacessíveis de ilhas e ilhéus remotos e desabitados, ocupando uma grande variedade de cavidades naturais, incluindo escarpas rochosas, sob arbustos ou em tocas escavadas pelas próprias aves (Karris et al. 2024). Alimenta-se sobretudo à superfície da água, embora também recorra ao mergulho para capturar presas. A dieta é composta principalmente por peixes pelágicos, crustáceos e cefalópodes, mas a espécie também aproveita descartes da pesca de arrasto demersal, constituídos maioritariamente por espécies bentopelágicas (Karris et al. 2018; Austad et al. 2025).
Ameaças e conservação
Nas áreas de reprodução, a presença de mamíferos invasores, como ratazanas e gatos assilvestrados, representa um risco significativo de predação (Ruffino et al. 2009; Karris et al. 2024). A poluição luminosa junto às colónias provoca o encandeamento de juvenis acabados de sair do ninho, forçando-os a pousar em terra antes de chegar ao mar (Crymble et al. 2020), o que aumenta o risco de predação, atropelamento, etc. A espécie também está exposta à captura acidental em palangres e redes de emalhar (García-Barcelona et al. 2010; Karris et al. 2013). No meio marinho, está exposta à poluição por contaminantes inorgânicos e orgânicos (Voulgaris et al. 2019; Michel et al. 2025), incluindo plásticos (van Franeker et al. 2026), enquanto a sobrepesca reduz a disponibilidade de presas (Arcos 2001). Por fim, a espécie é também afetada por eventos climáticos extremos associados às alterações climáticas (Genovart et al. 2013).
Autores
Georgios Karris, Letizia Campioni
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Arcos 2007, Arcos 2011, David Gremillet & Nicolas Courbin (OrnitEOF, MigraLion, PGL)
Voulgaris M-D, Karris G, Xirouchakis S, Pedro PZ, Asimakopoulos AG, Grivas K & Bebianno MJ (2019). Trace metal blood concentrations in Scopoli's shearwaters (Calonectris diomedea) during 2007–2014: A systematic analysis of the largest species colony in Greece, Greece. Science of the Total Environment 691: 187-194. Bibliografia:
van Franeker JA, Soldaat E, Bried J, González-Solís J, Zino F, Biscoito M, Borg JJ, Tossani F, Parolini M & Kühn S (2026) Plastic ingestion by Cory's and Scopoli's shearwaters (Calonectris spp.) from the north-eastern Atlantic Ocean and Mediterranean Sea. Marine Pollution Bulletin 223: 119008. Bibliografia:
Ruffino L, Bourgeois K, Vidal E, Duhem C, Paracuellos M, Escribano F, Sposimo P, Baccetti, N, Pascal M & Oro D (2009). Invasive rats and seabirds: a review after 2,000 years of an unwanted coexistence on Mediterranean islands. Biological Invasions 11: 1631-1651. Bibliografia:
Morera-Pujol V, Catry P, Magalhães M, Péron C, Reyes-González JM, Granadeiro JP, Militão T, Dias MP, Oro D, Igual JM, Dell'Omo G, Müller M, Paiva VH, Metzger B, Neves V, Navarro J, Karris G, Xirouchakis S, Cecere JG, Zamora-Marín JM, Forero MG, Afán I, Ouni R, Romdhane MS, De Felipe F, Zajková Z, Cruz-Flores M, Grémillet D, González-Solís J & Ramos R (2025) Migratory connectivity and non‑breeding habitat segregation across biogeographical scales in closely related seabird taxa. Diversity and Distributions 31(3): e70013. Bibliografia:
Michel L, Zhang J, Asimakopoulos A, Austad M, Bustamante P, Cecere JG, Cianchetti-Benedetti M, Colominas-Ciuró R, Dell'Omo G, De Pascalis F, Jaspers VLB & Quillfeldt P (2025) .Assessing perfluoroalkyl substance pollution in Central Mediterranean breeding shearwaters. Environmental Toxicology and Chemistry 44:420-431. Bibliografia:
Keller V, Herrando S, Voříšek P, Franch M, Kipson M, Milanesi P, Martí D, Anton M, Klvaňová A, Kalyakin MV et al. (2020). European Breeding Bird Atlas 2: Distribution, Abundance and Change. European Bird Census Council & Lynx Edicions: Barcelona, Spain. Bibliografia:
Karris G, Xirouchakis S, Poirazidis K, Voulgaris M-D, Tsouroupi A, Sfenthourakis S & Giokas S (2024). Aspects of breeding performance of Scopoli’s Shearwater (Calonectris diomedea): The case of the largest colony in Greece. Diversity 16: 150. Bibliografia:
Karris G, Ketsilis‑Rinis V, Kalogeropoulou A, Xirouchakis S, Machias A, Maina I & Kavadas S (2018). The use of demersal trawling discards as a food source for two scavenging seabird species: a case study of an eastern Mediterranean oligotrophic marine ecosystem. Avian Research 9: 26. Bibliografia:
Karris G, Fric J, Kitsou Z, Kalfopoulou J, Giokas S, Sfenthourakis S & Poirazidis K (2013). Does by-catch pose a threat for the conservation of seabird populations in the southern Ionian Sea (eastern Mediterranean)? A questionnaire-based survey of local fisheries. Mediterranean Marine Science 14: 19-25. Bibliografia:
Genovart M, Sanz-Aguilar A, Fernández-Chacón A, Igual JM, Pradel R, Forero MG & Oro D (2013). Contrasting effects of climatic variability on the demography of a trans-equatorial migratory seabird. Journal of Animal Ecology 82: 121-130. Bibliografia:
García-Barcelona S, Ortiz de Urbina JM, de la Serna JM, Alot E & Macías D (2010). Seabird by-catch in Spanish Mediterranean large pelagic logline fisheries, 1998–2008. Aquatic Living Resources 23: 363–371. Bibliografia:
Derhé M (2012). Developing a population assessment for Scopoli’s and Cory’s Shearwaters Calonectris diomedea/Calonectris borealis. Em Yésou P, Bacetti N & Sultana J (eds.). Ecology and Conservation of Mediterranean Seabirds and other bird species under the Barcelona Convention. Proceedings of the 13th Medmaravis Pan-Meditearranean Symposium. Alghero (Sardinia): 29-38. Bibliografia:
Defos du Rau, Bourgeois K, Thévenet M, Ruffino L, Dromzée S, Ouni O, Abiadh A, Estève R, Durand J-P, Anselme L, Faggio G, Yahya JM, Rguibi H, Renda M, Miladi B, Hamrouni H, Alilech S, Nefla A, Jaouadi W, Agrebi S & Renou S (2015). Reassessment of the size of the Scopoli’s Shearwater population at its main breeding site resulted in a tenfold increase: implications for the species conservation. Journal of Ornithology 156: 877-892. Bibliografia:
Crymble J, Mula-Laguna, J., Austad M, Borg JJ, Sultana J, Barbara N, Tribe A, Lago P & Metzger B (2020). Identifying light-induced grounding hotspots for Maltese seabirds. Il-Merill 34: 23-43. Bibliografia:
Carboneras C, Derhé M & Ramirez I (2013). Update on the population status and distribution of Mediterranean shearwaters. Report to Seventh Meeting of the ACAP Advisory Committee. La Rochelle, France, 6-10 May 2013. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Austad M, Michel L, Masello, JF, Cecere JG, de Pascalis F, Bustamante P, Dell’Omo G, Griep S & Quillfeldt P (2025). Diet of two mediterranean shearwaters revealed by DNA metabarcoding. Marine Biology 172: 104. Bibliografia:
Arcos JM (2001) Foraging ecology of seabirds at sea: Significance of commercial fisheries in the NW Mediterranean. PhD thesis. University of Barcelona. Dados:
Arcos JM (2011). Dataset 860: Scopoli's Shearwater, Calonectris diomedea, GPS, Chafarinas, Chafarinas, Spain, 2011. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/860/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Arcos JM (2007). Dataset 674: Scopoli's Shearwater, Calonectris diomedea, PTT, Chafarinas, Chafarinas, Spain, 2007. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/674/ e acedido a 30.11.2025. Glossário:
Organismo marinho, geralmente peixes, que passam a maior parte do tempo da sua vida no fundo do mar, associados ao substrato marinho, podendo ser arenoso ou rochoso. No entanto, estes organismos têm capacidade de natação ativa, diferenciando-se assim dos organismos bentónicos. Glossário:
Grupo de artrópodes marinhos importantes na cadeia alimentar marinha. Glossário:
Grupo de moluscos marinhos que inclui lulas, chocos e polvos. Glossário:
Fenómenos meteorológicos intensos como tempestades, ondas de calor ou secas. Glossário:
Alteração dos níveis naturais de luz noturna devido a iluminação artificial. Glossário:
Mudanças persistentes nos padrões climáticos globais ou regionais, influenciadas por fatores naturais e antropogénicos. Glossário:
Áreas onde as aves permanecem fora da época reprodutora, geralmente associadas a condições favoráveis de alimentação e sobrevivência. Glossário:
Monitorização dos movimentos de indivíduos através de dispositivos. Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
Pequeno aparelho que se coloca nas aves para estudar os seus movimentos a uma escala mais fina (geralmente durante a reprodução). Estes aparelhos utilizam o sistema global de posicionamento (do inglês Global Positioning System) para obter informação acerca da posição, latitude, longitude e altitude, em qualquer ponto da Terra e a partir de uma rede de satélites em órbita. Glossário:
Refere-se à captura involuntária de espécies marinhas durante a pesca. Os animais podem ficar presos nos anzóis ou nas redes de pesca. Normalmente é associada à pesca comercial, mas também pode ocorrer na pesca lúdica. A captura acidental é uma das principais ameaças às aves marinhas no mar. Glossário:
É um termo que vem do inglês offshore, referindo-se às águas afastadas de costa, fora da plataforma continental. Usado em assuntos relacionados com as atividades marítimas, como por exemplo, a pesca, a indústria petrolífera e a exploração de energias renováveis. Estas águas caracterizam-se por serem localizadas em mar aberto, com elevadas profundidades e afastada das influências costeiras, como rios e estuários. Distinguem-se assim das águas costeiras. Glossário:
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma ZEE de espaço marítimo para além das suas águas territoriais. A ZEE nacional é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas náuticas da costa e separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Dentro da sua ZEE, cada estado goza de direitos como: o direito à exploração dos recursos marinhos, o direito à investigação científica e o direito a controlar a pesca por parte de embarcações estrangeiras. Glossário:
Forma de pesca na qual os stocks (ou unidades populacionais) de peixe são explorados até níveis inaceitáveis do ponto de vista biológico e ecológico. A sobrepesca de certas espécies-chave, como é o caso dos tubarões, pode levar ao colapso dos ecossistemas marinhos. Glossário:
Rede estática frequentemente invisível e com malhagem de dimensão variável, utilizada na captura de uma grande variedade de peixes. É deixada no mar a profundidade variável sendo posteriormente recolhida. É uma arte de pesca não seletiva que captura com muita frequência aves, mamíferos e répteis marinhos. Glossário:
Porção do fundo marinho que começa na linha de costa e desce, com um declive suave, até ao talude continental (onde o declive é muito mais pronunciado). Em média, a plataforma continental desce até uma profundidade de 200 metros. Glossário:
Zona ou ambiente onde vivem normalmente os seres vivos que não dependem dos fundos marinhos. É o ambiente ecológico típico das águas oceânicas abertas. O ecossistema pelágico não abrange apenas o alto-mar, dele fazendo parte também as águas que cobrem a plataforma continental. A zona pelágica começa abaixo da zona de influência das marés, prolongando-se até ao alto-mar, em profundidades que variam desde algumas dezenas de metros até aproximadamente 6.000 metros, dividindo-se em diferentes camadas. Glossário:
Arte de pesca constituída por uma linha principal (madre) de onde derivam linhas secundárias às quais são fixados anzóis. É deixado no mar, podendo ser colocado no fundo para capturar espécies de profundidade (e.g. peixe-espada) ou à superfície para capturar os grandes peixes pelágicos (e.g. espadarte).