Cagarra

Nome científico: Calonectris borealis

Espécies marinhas

Família procellariidae

Fenologia Continente
Reprodutor estival
Fenologia Madeira
Reprodutor estival
Fenologia Açores
Reprodutor estival
Estatuto UICN Global
LC
Estatuto Continente
EN
Estatuto Madeira
LC
Estatuto Açores
LC
Ilustração da espécie

Dados

Continente

Avaliação do indicador de Abundância

Avaliação do indicador de Produtividade

Madeira

Avaliação do indicador de Abundância

Avaliação do indicador de Produtividade

Açores

Avaliação do indicador de Abundância

Avaliação do indicador de Produtividade

Mapas

Ocorrência | Primavera

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

A cagarra nidifica em Portugal e Espanha, designadamente nos Açores, Madeira, Berlengas,Peniche, Ilhas Canárias e ilhéus da Galiza (Equipa Atlas 2022; Reyes-González 2022). Há mais de um século que a área de nidificação em Portugal permanece estável (Equipa Atlas 2022). Durante a época de reprodução, de março a novembro, a cagarra é comum em toda a ZEE portuguesa, apresentando variações sazonais na sua distribuição espacial. Posteriormente, migra maioritariamente para o Atlântico Sul, embora parte da população permaneça no Atlântico Norte, ou atinja o Oceano Índico (Catry et al. 2011a; Dias et al. 2011).

A cagarra é das espécies que tem os seus movimentos melhor estudados. Com base no seguimento individual de 529 aves dos Açores, Madeira, Berlengas e Canárias, equipadas com GPS e PTT, nota-se a utilização extensiva da ZEE portuguesa durante a época reprodutora. A atividade concentra-se tanto nas imediações das colónias como em áreas mais longínquas, confirmando a distribuição já conhecida (Meirinho et al. 2014), embora nos Açores possa estar enviesada pelo maior seguimento das aves da ilha do Corvo.

Abundância e evolução populacional

A população global foi estimada entre 252.000 e 253.000 casais, com uma tendência desconhecida (BirdLife International 2025). Em Portugal não existe informação atual para a maioria das colónias. Nas Berlengas, a população foi estimada em 550 a 800 casais (Equipa Atlas 2022). Nos Açores, as estimativas recentes resumem-se a alguns ilhéus com algumas centenas de casais, nomeadamente Vila, Vila Franca do Campo, Praia e Baixo (Atchoi 2021; Pipa & Silva 2021; Pipa et al. 2026). Na Selvagem Grande (Madeira) foram estimados 38.830 casais (Catry et al. 2025).

A avaliação do estado ambiental indica que a espécie não atingiu o Bom Estado Ambiental, quer no caso do sucesso reprodutor no continente, quer para ambos os indicadores nos Açores. Por outro lado, a Selvagem Grande registou um crescimento anual de 1,45% entre 2009 e 2023 (Catry et al. 2025). Esta população aparenta estar a recuperar das grandes caçadas dos anos 1970 (Zino 1985), tendo atingido o Bom Estado Ambiental para os dois indicadores.

Ecologia e habitat

A cagarra é uma ave essencialmente pelágica, que explora diversos tipos de habitat, incluindo as imediações das colónias, montes submarinos, zonas de talude e outras áreas de elevada produtividade (Paiva et al. 2010b; Ramos et al. 2013b). Alimenta-se principalmente de pequenos peixes epipelágicos e de cefalópodes, havendo diferenças entre colónias (Xavier et al. 2011; Alonso et al. 2012; Paiva et al. 2013; Alonso et al. 2018; Romero et al. 2021). Nidifica em cavidades naturais ou debaixo de vegetação, sendo muito raro encontrar ninhos expostos.

Ameaças e conservação

As suas principais ameaças são a predação por mamíferos introduzidos nas colónias e a captura acidental no mar. Outras ameaças relevantes incluem a poluição luminosa (Fontaine et al. 2011) e o potencial impacto do do lixo marinho (Rodríguez et al. 2024). As prioridades de conservação passam pela mitigação da captura acidental (Oliveira et al. 2021), a erradicação de predadores introduzidos (Hervías et al. 2013), a instalação de ninhos artificiais (Oliveira et al. 2020), a redução da poluição luminosa e a continuidade das campanhas de salvamento.