Calca-mar
Nome científico: Pelagodroma marina
Família oceanitidae
- Fenologia Continente
- Acidental
- Fenologia Madeira
- Reprodutor estival
- Fenologia Açores
- Acidental
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Mapas
Ocorrência | Primavera
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Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
O calca-mar nidifica na costa da Austrália e da Nova Zelândia, em ilhas remotas de Tristão da Cunha no Atlântico Sul. No Atlântico Norte existem colónias nas Selvagens (Madeira, Portugal), nas Canárias (Espanha), e em Cabo Verde (Billerman et al. 2026). No arquipélago das Selvagens, a espécie nidifica na Selvagem Grande, Selvagem Pequena e no Ilhéu de Fora. Aqui, a reprodução ocorre entre fevereiro e agosto (Campos & Granadeiro 1999). Devido à presença da população reprodutora, a espécie é comum nas águas madeirenses, sendo pouco observada nos Açores e no continente (Catry et al. 2010a). O seguimento individual de 34 aves da Selvagem Grande equipadas com GPS, durante a época reprodutora de 2018 e 2019, confirmou a utilização da subárea da Madeira, ocorrendo uma maior concentração nas zonas a sul e a sudeste. Estas aves utilizam maioritariamente as águas oceânicas profundas, até cerca de 400 km da colónia, podendo explorar também a margem continental africana e a região das Canárias (Alho et al. 2022). Em relação às áreas de invernada, estas localizam-se principalmente no Atlântico Noroeste, ao longo da Dorsal Atlântica e a sul dos Açores (Medrano et al. 2023).
Abundância e evolução populacional
A população global da espécie é estimada em pelo menos 4.000.000 de indivíduos, enquanto a população europeia, constituída essencialmente pelas colónias portuguesas, estima-se em 77.800 a 111.000 casais, com uma tendência decrescente (BirdLife International 2025).
A população reprodutora da Selvagem Pequena e do Ilhéu de Fora parece ascender aos 62.550 casais, localizando-se na primeira a maior colónia de Portugal (Catry et al. 2010b). Na Selvagem Grande a única estimativa remonta a 1996, onde nidificavam cerca de 36.000 casais (Campos & Granadeiro 1999). A tendência populacional aparenta ser estável, embora haja uma margem de erro considerável na estimativa do número de casais reprodutores e uma ausência de valores atuais (Catry et al. 2010b; Equipa Atlas 2022). Por isso, não foi possível avaliar o estado ambiental desta população para o nosso país.
Ecologia e habitat
O calca-mar é uma ave pelágica, aproximando-se de terra apenas para chegar às colónias de reprodução. Tem uma dieta muito diversificada, constituída sobretudo de crustáceos planctónicos, cefalópodes e pequenos peixes epipelágicos e mesopelágicos (Alho et al. 2022; Billerman et al. 2026). Os ninhos são escavados em áreas planas e arenosas, normalmente em colónias muito densas.
Ameaças e conservação
Globalmente, os mamíferos introduzidos continuam a ser a principal ameaça, devido à predação de ovos, crias e adultos (Alho et al. 2021). O pisoteio de ninhos por pessoas ou gado também pode causar impactos relevantes (Billerman et al. 2026). Nas colónias portuguesas, a predação por ratos-caseiros Mus musculus foi, no passado, uma causa importante de insucesso reprodutor, na Selvagem Grande (Campos & Granadeiro 1999), mas esta pressão foi eliminada em 2002. Persistem, contudo, algumas ameaças potenciais, como o aumento local de gaivotas-de-patas-amarelas Larus michahellis nas áreas de nidificação, levando ao aumento de predação (Matias & Catry 2010), e a atração por luzes artificiais de embarcações, levando a colisões e mortalidade, sendo importante garantir a minimização de luzes próximo das zonas de reprodução. Adicionalmente, o calca-mar ingere plásticos flutuantes com grande frequência, pelo que esta poluição marinha poderá vir a afetar as suas populações (Furtado et al. 2016).
Autores
Paulo Catry, Maria Alho
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Medrano F, Repullés K, Militão T, Leal A & González-Solís J (2023). Migratory movements and activity patterns of White-faced Storm-petrels Pelagodroma marina Breeding in Cabo Verde. Ardeola 71(1): 101-118. Bibliografia:
Furtado R, Menezes D, Santos CJ & Catry P (2016). White-faced storm-petrels Pelagodroma marina predated by gulls as biological monitors of plastic pollution in the pelagic subtropical Northeast Atlantic. Marine Pollution Bulletin 112: 117-122. Bibliografia:
Equipa Atlas (2022). III Atlas das Aves Nidificantes de Portugal (2016-2021). SPEA, ICNF, LabOr/UÉ, IFCN. Portugal. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Alho M, Granadeiro JP, Rando JC, Geraldes P & Catry P (2021). Characterization of an extinct seabird colony on the island of Santa Luzia (Cabo Verde) and its potential for future recolonizations. Journal of Ornithology 163: 301-313. Bibliografia:
Alho M, Catry P, Silva MC, Nunes VL & Granadeiro JP (2022). Revealing the foraging movements and diet of the White-faced Storm Petrel Pelagodroma marina in the NE Atlantic. Marine Biology 169(7): 91. Bibliografia:
Matias R & Catry P (2010). The diet of Atlantic yellow-legged gulls (Larus michahellis atlantis) at an oceanic seabird colony: estimating predatory impact upon breeding petrels. European Journal of Wildlife Research 56: 861-869 Bibliografia:
Catry P, Geraldes P, Pio JP & Almeida A (2010b). Aves marinhas da Selvagem Pequena e do Ilhéu de Fora: censos e notas, com destaque para a dieta da gaivota-de-patas-amarelas. Airo 20: 29-35 Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Bibliografia:
Campos A & Granadeiro JP (1999). Breeding Biology of White–faced Storm-Petrel Pelagodroma marina in Selvagem Grande Island, Noth-east Atlantic. Waterbirds 22: 199-206 Dados:
Gonzalez-Solis J (2021a). Dataset 2157: White-faced Storm-petrel, Pelagodroma marina, Geolocator (GLS), Pássaros, Boa Vista, Cape Verde, 2019–2021. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/2157/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Catry P, Granadeiro JP & Alho MS (2019a). Dataset 1665: White-faced Storm-petrel, Pelagodroma marina, GPS, Selvagens, Madeira, Portugal, 2018–2019. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1665/ e acedido a 30.11.2025. Glossário:
Relativo à camada superficial do oceano (até cerca de 200 m de profundidade), onde ocorre elevada produtividade biológica. Glossário:
Grupo de artrópodes marinhos importantes na cadeia alimentar marinha. Glossário:
Grupo de moluscos marinhos que inclui lulas, chocos e polvos. Glossário:
Áreas onde as aves permanecem fora da época reprodutora, geralmente associadas a condições favoráveis de alimentação e sobrevivência. Glossário:
Monitorização dos movimentos de indivíduos através de dispositivos. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
Pequeno aparelho que se coloca nas aves para estudar os seus movimentos a uma escala mais fina (geralmente durante a reprodução). Estes aparelhos utilizam o sistema global de posicionamento (do inglês Global Positioning System) para obter informação acerca da posição, latitude, longitude e altitude, em qualquer ponto da Terra e a partir de uma rede de satélites em órbita. Glossário:
É um termo que vem do inglês offshore, referindo-se às águas afastadas de costa, fora da plataforma continental. Usado em assuntos relacionados com as atividades marítimas, como por exemplo, a pesca, a indústria petrolífera e a exploração de energias renováveis. Estas águas caracterizam-se por serem localizadas em mar aberto, com elevadas profundidades e afastada das influências costeiras, como rios e estuários. Distinguem-se assim das águas costeiras. Glossário:
Zona ou ambiente onde vivem normalmente os seres vivos que não dependem dos fundos marinhos. É o ambiente ecológico típico das águas oceânicas abertas. O ecossistema pelágico não abrange apenas o alto-mar, dele fazendo parte também as águas que cobrem a plataforma continental. A zona pelágica começa abaixo da zona de influência das marés, prolongando-se até ao alto-mar, em profundidades que variam desde algumas dezenas de metros até aproximadamente 6.000 metros, dividindo-se em diferentes camadas. Glossário:
Organismo marinho que vive na faixa da coluna de água geralmente compreendida entre os 200 metros e os 1.000 metros de profundidade. Glossário:
Designação geralmente atribuída a uma espécie introduzida de forma deliberada ou acidental num determinado local ou região fora da sua área de distribuição original. Consoante a sua adaptação aos novos locais, uma espécie introduzida pode ou não naturalizar-se e proliferar.