Chilreta
Nome científico: Sternula albifrons
Família laridae
- Fenologia Continente
- Reprodutor estival e migrador de passagem
- Fenologia Madeira
- Acidental
- Fenologia Açores
- Acidental
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Mapas
Ocorrência | Primavera
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Período de dados / número de indivíduos:
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Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
A chilreta nidifica na Eurásia, África e Austrália (Billerman et al. 2026). Na Europa ocorre a subespécie nominal, cuja época de reprodução ocorre entre abril e julho. Em Portugal continental, as maiores colónias localizam-se nas ilhas arenosas da Ria Formosa, com uma cada vez menor ocorrência nas salinas desta área. Em menor número, nidifica noutras zonas húmidas e costeiras, como a Ria de Aveiro e os estuários do Mondego, Tejo e Sado, ou no interior, nas albufeiras do Caia e do Alqueva (Equipa Atlas 2022). Durante o período pós-nupcial, entre agosto e setembro, ocorrem também as aves nidificantes noutros países da Europa, em rota de migração para a costa ocidental africana (Equipa Atlas 2018), destino este também comum à população nacional (Catry et al 2010a). Os dados de 20 aves equipadas com GPS entre 2021 e 2025 na ilha Barreta (Ria Formosa), indicam que estas ocorrem fundamentalmente na laguna, salinas e mar adjacente às colónias de reprodução, podendo efetuar viagens mar adentro de até 20 km (Cerveira et al. 2025). De notar que um indivíduo, após perder a postura, atravessou o golfo de Cádiz até Espanha. Nos arquipélagos da Madeira e dos Açores a espécie é rara.
Abundância e evolução populacional
A população global foi estimada entre 190.000 a 410.000 indivíduos, dos quais 36.000 a 53.000 casais nidificam na Europa (BirdLife International 2025). A população reprodutora em Portugal tem apresentado flutuações acentuadas ao longo dos anos, com a estimativa mais recente a apontar para os 558 a 943 casais (Equipa Atlas 2022). A Ria Formosa acolhe a principal concentração nidificante no país, com uma população estimada de 303 a 522 casais, entre 2020 e 2025, maioritariamente em praias arenosas junto das barras. Apesar do decréscimo localizado nalgumas colónias, o incremento significativo da população da Ria Formosa parece justificar a tendência positiva a nível nacional. Este padrão foi corroborado pela avaliação apresentada neste trabalho, que indica que a espécie atingiu o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância. Em relação à população migradora ou à situação nos Açores e na Madeira, não existe informação acerca da abundância que permita avaliar o seu estado ambiental.
Ecologia e habitat
A chilreta nidifica em zonas húmidas costeiras, praias arenosas, ilhas de areia e salinas com pouca perturbação (Equipa Atlas 2008; Catry et al. 2010a) e cobertura de vegetação reduzida (Lopes et al. 2015). Usa como ninho uma pequena depressão na areia ou solo. A espécie alimenta-se ao redor das áreas de nidificação, explorando as águas interiores, salinas, aquaculturas e também águas costeiras pouco profundas (Paiva et al. 2008). As principais presas da chilreta são pequenos peixes, destacando-se nas nossas águas os peixes-rei e os cabozes (Catry et al. 2006; Ramos et al. 2013a). Em menor número também consome sargos, peixe-agulha, sardinha, crustáceos e insectos (Correia et al. 2016).
Ameaças e conservação
Em Portugal, as principais ameaças à chilreta são a perturbação humana nas áreas de nidificação e o abandono de salinas, com o consequente aumento da cobertura da vegetação em torno dos tanques (Medeiros et al. 2007; Equipa Atlas 2022). A predação por mamíferos e aves, nomeadamente por cães, gatos, alcaravões Burhinus oedicnemus ou gralhas-pretas Corvus corone, são também ameaças importantes (Catry et al. 2004). A redução da perturbação humana nas áreas de nidificação pode ser controlada e reduzida através da vedação e interdição temporal das principais colónias reprodutoras (Medeiros et al. 2007). A gestão da vegetação, o controlo de predadores e a construção de ilhas artificiais, nessas mesmas áreas, aumentam a produtividade e a estabilidade das colónias - tais medidas estão a ser implementadas na Ria Formosa.
Autor
Jaime A. Ramos
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Vitor H. Paiva (MARE-UCoimbra)
Ramos JA, Pedro P, Matos A & Paiva VH (2013a). Relation between climatic factors, diet and reproductive parameters of Little Terns over a decade. Acta Oecologica 53: 56-52. Bibliografia:
Paiva VH , Ramos JA, Martins J, Almeida A & Carvalho A (2008). Feeding habitat selection of Little Terns Sterna albifrons in an estuarine lagoon system of southern Portugal. Ibis 150: 18-31. Bibliografia:
Medeiros R, Ramos JA, Paiva VH, Almeida A, Pedro P & Antunes S (2007) Signage reduces the impact of disturbance in Little Tern nesting success in Portugal. Biological Conservation 135: 99-106. Bibliografia:
Lopes CS, Ramos JA & Paiva VH (2015). Changes in vegetation cover explain shifts of colony sites by Little Terns (Sternula albifrons) in coastal Portugal. Waterbirds 38(3): 260-268. Bibliografia:
Equipa Atlas (2022). III Atlas das Aves Nidificantes de Portugal (2016-2021). SPEA, ICNF, LabOr/UÉ, IFCN. Portugal. Bibliografia:
Equipa Atlas (2018). Atlas das Aves Invernantes e Migradoras de Portugal 2011-2013. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, LabOr- Laboratório de Ornitologia – ICAAM - Universidade de Évora, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (Madeira), Secretaria Regional da Energia, Ambiente e Turismo (Açores) e Associação Portuguesa de Anilhadores de Aves. Lisboa. Bibliografia:
Equipa Atlas (2008). Atlas das Aves Nidificantes em Portugal (1999-2005). Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Parque Natural da Madeira e Secretaria Regional do Ambiente e do Mar. Assírio & Alvim, Lisboa. Bibliografia:
Correia A, Ramos JA & Paiva VH (2016). Identifying the diet of the Little Tern (Sternula albifrons). Waterbirds 39: 318-322. Bibliografia:
Cerveira L, Pereira JM, Verissimo SN, Paiva VH & Ramos JA (2025). Spatial and trophic ecology of the estuarine Little Tern Sternula albifrons. Current Zoology 71: 603-612. Bibliografia:
Catry T, Ramos JA, Martins J, Peste F, Trigo S, Paiva VH , Almeida A, Luís A, Palma J & Andrade PJ (2006). Intercolony and annual differences in the diet and feeding ecology of little tern adults and chicks in Portugal. Condor 108: 366-376. Bibliografia:
Catry T, Ramos JA, Catry I, Allen-Revez M & Grade M (2004). Are salinas a suitable alternative breeding habitat for Little Terns? Ibis 146: 247-257. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Glossário:
Grupo de artrópodes marinhos importantes na cadeia alimentar marinha. Glossário:
Gestão populacional de espécies invasoras sem eliminação total. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Medida do sucesso reprodutor de uma população, geralmente expressa como o número médio de crias produzidas por casal. Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
Pequeno aparelho que se coloca nas aves para estudar os seus movimentos a uma escala mais fina (geralmente durante a reprodução). Estes aparelhos utilizam o sistema global de posicionamento (do inglês Global Positioning System) para obter informação acerca da posição, latitude, longitude e altitude, em qualquer ponto da Terra e a partir de uma rede de satélites em órbita. Glossário:
Referente ao período que sucede reprodução.