Corvo-marinho

Nome científico: Phalacrocorax carbo

Espécies marinhas

Família phalacrocoracidae

Fenologia Continente
Residente e invernante
Fenologia Madeira
Acidental
Fenologia Açores
Acidental
Estatuto UICN Global
LC
Estatuto Continente
NE LC
Estatuto Madeira
NA
Estatuto Açores
NA
Ilustração da espécie

Dados

Continente - Reprodutor

Avaliação do indicador de Abundância

Continente - Não reprodutor

Avaliação do indicador de Abundância

Mapas

Ocorrência | Primavera

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

O corvo-marinho tem uma ampla distribuição em todos os continentes, à exceção da América do Sul e da Antártida (Billerman et al. 2026). As populações europeias nidificam entre abril e junho. Parte das populações do norte e no centro europeus migram e invernam sobretudo no sul do continente, tanto ao longo da costa atlântica como na mediterrânica (Birdlife International 2025).

Em Portugal, ocorre principalmente como invernante de setembro a abril, frequentando sobretudo zonas húmidas do litoral, mas podendo ocorrer em grande parte do território continental (Equipa Atlas 2018). Existe também uma população nidificante desde 2007 (Almeida 2008), localizada e quase limitada ao Alentejo interior (Equipa Atlas 2022), com as principais colónias situadas sobretudo na bacia hidrográfica do Guadiana e, em menor número, nas bacias do Sado e do Tejo. Nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, ocorre esporadicamente, com registos maioritariamente durante o outono e o inverno (Meirinho et al. 2014).

Abundância e evolução populacional

A população global está estimada entre 1.400.000 a 2.100.000 indivíduos, com a população europeia a representar mais de 40%, com uma tendência de crescimento (BirdLife International 2025).

A estimativa da população reprodutora em Portugal continental é de 511 casais (Equipa Atlas 2022). Já a população invernante nas zonas húmidas foi estimada em cerca de 1.000 indivíduos em 1981 (Teixeira 1984), 8.000- 10.000 na década de 1990 (Costa & Granadeiro 1997) e pouco mais de 15.000 indivíduos em 2013 (Leitão et al. 2013), estando as estimativas recentes subavaliadas. Na orla costeira os efetivos invernantes apresentam uma tendência crescente (Alonso et al. 2022), tendo sido contabilizados 1.425 indivíduos no inverno de 2021-2022 (Fagundes & Catry 2022). Quer a população reprodutora como a invernante atingiram o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância.

Ecologia e habitat

O corvo-marinho ocorre em habitats costeiros e interiores, evitando águas profundas e raramente afastando-se muito da costa (Billerman et al. 2026). A dieta em Portugal é generalista, sendo composta por peixes como tainhas, charroco, enguia, peixe-rei e diversas espécies de alcorrazes, sarguetas e linguados (Catry et al. 2010a; Dias et al. 2012; Granadeiro et al. 2013; Catry et al. 2017). Nidifica colonialmente em árvores localizadas nas margens de zonas húmidas (Equipa Atlas 2022).

Ameaças e conservação

A principal ameaça ao corvo-marinho parece estar associada à perseguição decorrente de conflitos com atividades humanas. A perceção de que exerce um impacto negativo sobre as populações de peixes tem gerado conflitos com os setores da pesca e da aquicultura, conduzindo recentemente à proposta de um plano europeu de gestão da espécie, que inclui medidas como o abate. No entanto, uma abordagem baseada em medidas locais, proporcionais e adaptadas a cada contexto ecológico e socioeconómico seria mais aconselhável (Marzano et al. 2013).

Em Portugal, a predação sobre espécies de peixes com valor comercial é reduzida (Catry et al. 2010a; Granadeiro et al. 2013; Catry et al. 2017), embora tenham sido documentados casos de interação entre corvos-marinhos e aquaculturas, pesca lúdica e pesca profissional (Vieite et al. 2022). O corvo-marinho é uma das espécies capturadas acidentalmente em redes de emalhar (Oliveira et al. 2015), sendo uma das mais frequentes no sotavento Algarvio (Pereira et al. 2025a).

Autor

Joana Andrade

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