Falaropo-de-bico-grosso

Nome científico: Phalaropus fulicarius

Espécies marinhas

Família scolopacidae

Fenologia Continente
Invernante e migrador de passagem
Fenologia Madeira
Migrador de passagem
Fenologia Açores
Invernante e migrador de passagem
Estatuto UICN Global
LC
Estatuto Continente
NE
Estatuto Madeira
NE
Estatuto Açores
NE
Ilustração da espécie

Mapas

Ocorrência | Verão

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

O falaropo-de-bico-grosso nidifica entre maio e agosto, no alto Ártico da Eurásia e da América do Norte (Billerman et al. 2026). As áreas de invernada estão pouco delineadas, usando geralmente as águas tropicais e subtropicais do Atlântico e do Pacífico. A distribuição em Portugal não está bem documentada, contudo estima-se que seja durante as migrações (primavera e julho a outubro) que as nossas águas deverão ter maior relevância para a espécie (Catry et al. 2010a; Meirinho et al. 2014). Apesar do reduzido esforço de monitorização de águas mais profundas, a espécie parece utilizar predominantemente estas áreas, chegando a densidades superiores a 200 aves/km2 na subárea continental da ZEE, durante o inverno. Apenas excepcionalmente se aproxima da costa como consequência de condições atmosféricas adversas. Nas regiões insulares, a distribuição e fenologia desta espécie parecem ter padrões muito semelhantes à observada no continente (Meirinho et al. 2014). O seguimento individual das aves que visitam as nossas águas ainda é muito limitado. Com base nos dados de apenas duas aves equipadas com GLS, na Groenlândia, em 2014 e 2015, verificou-se a distribuição espacial extensa da ZEE portuguesa, em ambos os períodos fenológicos.

Abundância e evolução populacional

A população global foi estimada em 9.000.000 a 12.000.000 indivíduos reprodutores, com uma tendência desconhecida (BirdLife International 2025), apesar de existirem alguns indícios de decréscimo (Billerman et al. 2026). Em Portugal continental, a população invernante e migradora foi estimada em 3.163 a 8.117, entre 2012 e 2015 (Araújo et al. 2022a). Apenas uma pequena parte dessa população parece passar próxima da costa, durante as migrações (Elmberg et al. 2020). A variação interanual no número de aves em migração, bem como a difícil detectabilidade dos indivíduos no mar, representa grandes desafios à estimativa da sua abundância. A inexistência de informação sistematizada acerca da sua abundância e evolução populacional, impediu a avaliação do estado ambiental da espécie para a ZEE portuguesa.

Ecologia e habitat

Durante a migração e a invernada é uma ave essencialmente pelágica, sendo muito abundante em zonas de afloramento associadas a frentes oceânicas e em águas muito profundas (Billerman et al. 2026). Alimenta-se essencialmente de zooplâncton, associando-se, por vezes, a mamíferos marinhos e outras espécies de aves. Nidifica na tundra, geralmente próximo da costa. À semelhança de outros falaropos, esta espécie demonstra papéis sexuais invertidos, com as fêmeas mais coloridas a competir pelos machos, sendo estes a incubar os ovos e a alimentar as crias.

Ameaças e conservação

No mar, este falaropo é sensível ao tráfego marítimo, captura acidental e ao desenvolvimento de energias renováveis oceânicas (Häkkinen et al. 2023). É também particularmente vulnerável ao lixo marinho, podendo confundir pequenas partículas de plástico flutuante com as suas presas naturais (Teboul et al. 2021). As alterações climáticas são um dos fatores que terão maior influência nesta espécie, principalmente nas áreas de reprodução. A sua tendência para formar grandes aglomerados, em áreas relativamente pequenas, expõe a espécie a eventos meteorológicos extremos, resultando em episódios de mortalidade massiva (BirdLife International 2025). Esta espécie é uma das menos monitorizadas, pelo que colmatar esta lacuna está no topo das prioridades de conservação para a espécie.

Autores

Olivier Gilg, Rob van Bemmelen

Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual

van Bemmelen et al. (em revisão)