Freira-da-madeira

Nome científico: Pterodroma madeira

Espécies marinhas

Família procellariidae

Fenologia Continente
Acidental
Fenologia Madeira
Reprodutor estival
Fenologia Açores
Estival e migrador de passagem
Estatuto UICN Global
EN
Estatuto Continente
NA
Estatuto Madeira
EN
Estatuto Açores
NE
Ilustração da espécie

Dados

Madeira

Avaliação do indicador de Abundância

Avaliação do indicador de Produtividade

Mapas

Ocorrência | Primavera

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

A freira-da-madeira ocorre fundamentalmente na região do Atlântico Nordeste, sendo uma ave endémica da Madeira. As primeiras aves chegam aos locais de reprodução no final de março e os últimos juvenis abandonam o ninho na primeira metade de outubro (Zino et al. 1995b). Durante a época de nidificação, a distribuição da freira-da-madeira concentra-se nas águas da Madeira e dos Açores (Zino et al. 2011). Fora da época de reprodução, a espécie dispersa amplamente pelo Atlântico, migrando para regiões tropicais e equatoriais (Zino et al. 2011; Ramos et al. 2017).

Os dados de seguimento individual de 12 aves equipadas com GPS em 2018 e 2019, revelam uma grande utilização da ZEE portuguesa, maioritariamente das subregiões da Madeira e dos Açores. Ocorre principalmente em águas mais profundas ou afastadas das massas terrestres, com exceção da colónia de reprodução. Salienta-se ainda a concentração evidente no extremo noroeste das águas açorianas. As parcas incursões que fez às águas continentais, também parecem restringir-se às águas profundas do centro norte.

Abundância e evolução populacional

A população global foi estimada em cerca de 200 indivíduos, com menos de 100 casais reprodutores (Equipa Atlas 2022). Atualmente, nidifica apenas no maciço montanhoso central da ilha da Madeira, embora evidências subfósseis indiquem que a sua distribuição passada era mais ampla, incluindo outras áreas da ilha e o Porto Santo (Zino et al. 2001). Apesar dos efeitos negativos dos incêndios florestais na principal área de nidificação, a população tem-se mantido estável. A avaliação ambiental indica que a população reprodutora atingiu o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância. Contrariamente, esta população não atingiu o Bom Estado Ambiental para o indicador da produtividade.

Ecologia e habitat

A espécie nidifica acima dos 1600 metros de altitude, preferindo zonas com presença de vegetação característica de altitude e em bom estado de conservação (Zino et al. 2001; Oliveira & Menezes 2004). Os ninhos são escavados no solo, em poucas saliências rochosas inacessíveis, podendo atingir grandes profundidades e apresentar várias câmaras no seu interior (Menezes et al. 2010a). É possível que existam ainda locais de nidificação por identificar.

Ameaças e conservação

Os incêndios florestais nas áreas de nidificação representam uma ameaça crítica, causando mortalidade direta de adultos e crias, destruição de ninhos e degradação do habitat, com efeitos prolongados na sobrevivência e no sucesso reprodutor (Projeto Freira da Madeira 2010). A predação direta por ratazanas e por gatos assilvestrados também são uma ameaça à reprodução, sendo controlados por programas de captura e biossegurança. O impacto humano direto nas colónias é limitado, apesar do elevado número de visitantes, com restrições noturnas de acesso pouco monitorizadas (BirdLife International 2025). A área de nidificação restrita torna a espécie ainda mais vulnerável a eventos ocasionais como incêndios (Menezes et al. 2010b).

Autores

Francis Zino, Manuel Biscoito, Tânia Nascimento

Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual

Catry et al. 2019b, Zino & Biscoito 2010a, Zino & Biscoito 2010b