Freira-das-bermudas
Nome científico: Pterodroma cahow
Família procellariidae
- Fenologia Continente
- Ausente
- Fenologia Madeira
- Acidental
- Fenologia Açores
- Invernante e migrador de passagem
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Mapas
Distribuição | Reprodutor
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Período de dados / número de indivíduos:
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Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
A freira-das-bermudas reproduz-se exclusivamente num pequeno número de ilhéus do arquipélago das Bermudas, entre janeiro e junho, a partir dos quais os adultos realizam extensas movimentações através do Atlântico Noroeste (Billerman et al. 2026). Durante o período reprodutivo, a espécie utiliza regularmente as águas dos EUA e do Canadá, concentrando-se ao longo do talude continental, para além da plataforma continental (Raine et al. 2021; Campioni et al. 2023). Fora da época de reprodução (meados de junho a outubro), a espécie migra para leste, atravessando o Atlântico e concentrando-se na Área Marinha Protegida NACES (Madeiros et al. 2014). Ao longo destes movimentos transoceânicos, as freiras-das-bermudas entram frequentemente na ZEE portuguesa. Os dados de 14 aves equipadas com GLS entre 2021 e 2023 nas Bermudas, mostraram que 45% dos indivíduos usaram as águas açorianas entre fevereiro e dezembro, com uma maior ocorrência em outubro, indicando que as águas oceânicas portuguesas têm um papel importante no corredor migratório da espécie. Foi ainda registada alguma ocorrência na subárea da Madeira, estando ausente das águas continentais.
Abundância e evolução populacional
A população global foi estimada em 165 casais em 2024 (Madeiros 2024). Dez anos após a redescoberta de 13 casais em 1951, depois da espécie ter sido considerada extinta durante muito tempo, foi implementado um programa de monitorização e recuperação. Este proporcionou um aumento da população, lento mas constante, com uma taxa média anual de 1,04% (Madeiros et al. 2012). A recuperação incluiu o restabelecimento bem-sucedido de uma colónia histórica, na ilha de Nonsuch através da translocação de crias, contando atualmente com 39 casais. Embora a espécie se reproduza exclusivamente nas Bermudas, destaca-se o registo de um indivíduo numa colónia açoriana, em novembro de 2002, durante o início do período reprodutor (Bried & Magalhães 2004). Este registo constitui a primeira observação documentada da espécie na região Paleártica e, embora não haja provas adicionais de reprodução, recentemente foram encontrados fósseis nos Açores que poderão pertencer a esta espécie (Rando et al. 2024).
Ecologia e habitat
A freira-das-bermudas é uma ave marinha pelágica que se alimenta em águas oceânicas profundas. A sua dieta consiste em lulas e pequenos peixes mesopelágicos. Reproduz-se principalmente em ninhos artificiais (98% da população) instalados em áreas de floresta restaurada ou em terrenos rochosos com vegetação nativa.
Ameaças e conservação
A espécie encontra-se protegida a nível nacional nas Bermudas, Canadá e EUA, garantindo uma proteção internacional parcial. O plano de recuperação, implementado pelo governo das Bermudas desde 1960, inclui ações para controlar as principais ameaças à espécie, como a erosão e inundações provocadas por furacões e subida do nível do mar, a predação por ratos invasores, e a competição por tocas com o rabijunco-de-bico-amarelo Phaethon lepturus. No mar, enfrenta riscos de contaminação alimentar por policlorobifenilos (PCB), policlorotrifenilos (PTC) e mercúrio, sendo também vulnerável a colisões, após o encadeamento por luz artificial, e às alterações climáticas, que podem afetar a disponibilidade de presas (BirdLife International 2025).
Autores
Letizia Campioni, Francesco Ventura
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Letizia Campioni, Jeremy Lee Madeiros, Carina Gjerdrum
Rando JC, Pieper H, Pereira F, Torres-Roig E & Alcover JA (2024). Petrel extinction in Macaronesia (North-East Atlantic Ocean): the case of the genus Pterodroma (Aves: Procellariiformes: Procellariidae). Zoological Journal of the Linnean Society 202(2): zlae123. Bibliografia:
Raine AF, Gjerdrum C, Pratte I, Madeiros J, Felis JJ & Adams J (2021). Marine distribution and foraging habitat highlight potential threats at sea for the endangered Bermuda petrel Pterodroma Cahow. Endangered Species Research 45: 337–356. Bibliografia:
Madeiros J, Flood B & Zufelt K (2014). Conservation and at-sea range of Bermuda Petrel (Pterodroma cahow). North American Birds 67(4): 547-557. Bibliografia:
Madeiros J, Carlile N & Priddel D (2012). Breeding biology and population increase of the endangered Bermuda petrel Pterodroma cahow. Bird Conservation International 22: 35–45. Bibliografia:
Madeiros JN (2024). Results of the 2024 Cahow breeding season. Latest updates on Bermuda’s endangered national bird. Em Audubon. Audubon Newsletter. The Bermuda Audubon Society, Bermudas. Bibliografia:
Campioni L, Ventura F, Granadeiro JP, Madeiros J, Gjerdrum C & Silva MC (2023). Combining bio-logging, stable isotopes and DNA metabarcoding to reveal the foraging ecology and diet of the endangered Bermuda petrel Pterodroma cahow. Marine Ecology Progress Series 723: 151–170. Bibliografia:
Bried J & Magalhães MC (2004). First palearctic record of the endangered Bermuda Petrel Pterodroma cahow. Bulletin of the British Ornithologists' Club 124: 202-206. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Glossário:
Área Marinha Protegida da Corrente do Atlântico e da Bacia do Monte Submarino Evlanov (NACES - do inglês North Atlantic Current and Evlanov Sea basin) designada em 2021 com o propósito específico de conservação de aves marinhas migradoras. A NACES localiza-se no centro do Atlântico Norte, entre os Açores, o Reino Unido, o Canadá e a Gronelândia. Glossário:
Estruturas artificiais instaladas para fornecer locais de nidificação alternativos e aumentar o sucesso reprodutor. Glossário:
Movimento migratório de longa distância que atravessa grandes oceanos, ligando áreas de reprodução e de invernada separadas por milhares de quilómetros. Glossário:
Rotas e áreas geográficas preferenciais que concentram o movimento de indivíduos durante as migrações. Glossário:
Mudanças persistentes nos padrões climáticos globais ou regionais, influenciadas por fatores naturais e antropogénicos. Glossário:
É um termo que vem do inglês offshore, referindo-se às águas afastadas de costa, fora da plataforma continental. Usado em assuntos relacionados com as atividades marítimas, como por exemplo, a pesca, a indústria petrolífera e a exploração de energias renováveis. Estas águas caracterizam-se por serem localizadas em mar aberto, com elevadas profundidades e afastada das influências costeiras, como rios e estuários. Distinguem-se assim das águas costeiras. Glossário:
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma ZEE de espaço marítimo para além das suas águas territoriais. A ZEE nacional é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas náuticas da costa e separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Dentro da sua ZEE, cada estado goza de direitos como: o direito à exploração dos recursos marinhos, o direito à investigação científica e o direito a controlar a pesca por parte de embarcações estrangeiras. Glossário:
Porção do fundo marinho com declive muito pronunciado que fica entre a plataforma continental e a margem continental, onde começam as planícies abissais. Glossário:
Porção do fundo marinho que começa na linha de costa e desce, com um declive suave, até ao talude continental (onde o declive é muito mais pronunciado). Em média, a plataforma continental desce até uma profundidade de 200 metros. Glossário:
Zona ou ambiente onde vivem normalmente os seres vivos que não dependem dos fundos marinhos. É o ambiente ecológico típico das águas oceânicas abertas. O ecossistema pelágico não abrange apenas o alto-mar, dele fazendo parte também as águas que cobrem a plataforma continental. A zona pelágica começa abaixo da zona de influência das marés, prolongando-se até ao alto-mar, em profundidades que variam desde algumas dezenas de metros até aproximadamente 6.000 metros, dividindo-se em diferentes camadas. Glossário:
Organismo marinho que vive na faixa da coluna de água geralmente compreendida entre os 200 metros e os 1.000 metros de profundidade. Glossário:
Pequeno aparelho que se coloca nas aves para estudar os seus movimentos de larga escala (geralmente a migração), e que funciona através do registo da intensidade de luz (a partir da qual se estima a duração da noite e a hora do meio-dia local e, consequentemente, a latitude e a longitude em cada dia).