Gaivina-dos-pauis
Nome científico: Chlidonias hybrida
Família laridae
- Fenologia Continente
- Reprodutor estival
- Fenologia Madeira
- Acidental
- Fenologia Açores
- Acidental
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
A subespécie nominal nidifica, de maio a junho, espaçadamente ao longo das regiões mais temperadas da Eurásia, invernando maioritariamente em África e sul da Ásia (Billerman et al. 2026). Em Portugal continental é um nidificante localizado e irregular, ocupando zonas húmidas como pauis, açudes e arrozais em pousio. Ocorre essencialmente na zona centro, desde a Ria de Aveiro até ao Alto Alentejo, nidificando esporadicamente nas zonas limítrofes (Equipa Atlas 2022). Raramente é observada em mar aberto (Meirinho et al. 2014). Ocorre sobretudo entre abril e maio, deixando a região entre julho e setembro (Catry et al. 2010a), embora existam registos excepcionais durante o inverno. Nos Açores, tem sido registada pontualmente principalmente nas ilhas do grupo oriental e na ilha Terceira (Birding Azores 2022), sendo igualmente rara no arquipélago da Madeira (Correia-Fagundes et al. 2021). Não foi possível obter dados de seguimento individual que demonstrem a utilização da ZEE portuguesa.
Abundância e evolução populacional
A população global foi estimada em 300.000 a 1.400.000 aves, apresentando uma tendência populacional desconhecida (BirdLife International 2025). Não existe informação disponível ao nível da abundância global ao nível da subespécie nominal. Em Portugal continental, a população nidificante foi estimada em 5 a 50 casais reprodutores (Equipa Atlas 2022). Esta espécie é mais frequente, ainda que igualmente escassa, aquando das passagens migratórias (Catry et al. 2010a). Não existe informação acerca da evolução populacional quer ao nível do continente, quer dos arquipélagos. Nestes últimos, a espécie ocorre em números muito reduzidos e de forma excepcional. Também não existe informação disponível e suficientemente robusta que permita a avaliação do seu estado ambiental em qualquer uma das regiões.
Ecologia e habitat
A gaivina-dos-pauis utiliza vários tipos de zonas húmidas, mostrando uma preferência por habitats de água doce. Também pode ser encontrada em arrozais. A sua dieta é muito variada, podendo incluir invertebrados terrestres e aquáticos, anfíbios e pequenos peixes (Billerman et al. 2026).
Ameaças e conservação
A drenagem de zonas húmidas, a destruição da vegetação emergente e a perturbação direta por atividades humanas parecem ser as principais ameaças a esta espécie no nosso país (Catry et al. 1997). As atividades agrícolas, responsáveis pela redução dos níveis de água, poderão ser responsáveis pela reduzida estabilidade da população reprodutora em algumas áreas. Outras fontes de ameaça incluem a colisão com linhas aéreas de transporte de energia, a instalação de parques eólicos, condições meteorológicas adversas e a predação por espécies nativas e invasoras.
Autor
Nuno Oliveira
Meirinho A, Barros N, Oliveira N, Catry P, Lecoq M, Paiva V, Geraldes P, Granadeiro JP, Ramírez I & Andrade J (2014). Atlas das Aves Marinhas de Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Bibliografia:
Equipa Atlas (2022). III Atlas das Aves Nidificantes de Portugal (2016-2021). SPEA, ICNF, LabOr/UÉ, IFCN. Portugal. Bibliografia:
Correia-Fagundes C, Romano H, Zino FJA & Biscoito M (2021). Birds of the archipelagos of Madeira and the Selvagens III. New records and checklist update (2010-2020). Boletim do Museu de História Natural do Funchal LXXI: 5-20. Bibliografia:
Catry P, Tomé R & Cardoso AC (1997). Biologia da reprodução e estatuto da Gaivina-dos-pauis Chlidonias hybridus no Paul do Boquilobo. Airo 8: 7-15. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Birding Azores (2022). Birding Azores database. Disponível em https://www.azoreswildlife.com/ e acedido a 23.12.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Glossário:
Zonas húmidas de água doce, frequentemente temporárias ou de baixa profundidade, utilizadas por aves aquáticas. Glossário:
Monitorização dos movimentos de indivíduos através de dispositivos. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma ZEE de espaço marítimo para além das suas águas territoriais. A ZEE nacional é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas náuticas da costa e separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Dentro da sua ZEE, cada estado goza de direitos como: o direito à exploração dos recursos marinhos, o direito à investigação científica e o direito a controlar a pesca por parte de embarcações estrangeiras. Glossário:
Designação geralmente atribuída a uma espécie introduzida de forma deliberada ou acidental num determinado local ou região fora da sua área de distribuição original. Consoante a sua adaptação aos novos locais, uma espécie introduzida pode ou não naturalizar-se e proliferar.