Gaivina-preta
Nome científico: Chlidonias niger
Família laridae
- Fenologia Continente
- Migrador de passagem
- Fenologia Madeira
- Migrador de passagem
- Fenologia Açores
- Acidental
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Mapas
Ocorrência | Primavera
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Período de dados / número de indivíduos:
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Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
A gaivina-preta nidifica, entre abril e junho, na Eurásia e na América do Norte. Após a reprodução, as aves migram para sul, com as populações europeias a invernarem ao longo da grande maioria da costa ocidental africana (Billerman et al. 2026). É essencialmente durante estes movimentos migratórios que a espécie ocorre ao longo do território continental, havendo no entanto alguns registos de nidificação pontual no Algarve (Catry et al. 2010a). A migração pós-nupcial ocorre entre finais de julho até outubro, com algumas aves a usarem a faixa marinha costeira. Já a migração pré-nupcial, que decorre entre abril e maio, era anteriormente assumido ser realizada maioritariamente por terra (Snow & Perrins 1998; Meirinho et al. 2014). Contudo, dados mais recentes e obtidos através do seguimento individual, indicam que, pelo menos, parte das aves utilizam o ambiente marinho durante estas migrações (Alerstam et al. 2025). Os dados de seguimento individual de oito aves provenientes de colónias suecas, equipadas com GLS entre 2014 e 2022, ilustram estes padrões migratórios no continente, salientando ainda uma ocorrência interessante na subárea da Madeira durante esses mesmos períodos. Já nos Açores, a espécie é bastante rara (Birding Azores 2022).
Abundância e evolução populacional
A população global está estimada entre 800.000 e 1.750.000 indivíduos, apresentando uma tendência decrescente (BirdLife International 2025). A população europeia foi estimada entre 74.400 e 154.000 casais. Em Portugal continental, a espécie é pouco comum, podendo observar-se bandos de dezenas de indivíduos durante a migração pós-nupcial (Catry et al. 2010a). Com base nos dados usados para a avaliação do estado ambiental, obteve-se uma estimativa a rondar os 100 a 3200 indivíduos para a plataforma continental em 2024. A tendência negativa desta população aliada ao facto de não ter atingido o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância, parecem alinhar-se com a tendência global. No caso da Madeira e dos Açores, não existe informação acerca da sua evolução populacional, impedindo assim a avaliação do seu estado ambiental.
Ecologia e habitat
A gaivina-preta nidifica em habitats estuarinos e zonas húmidas interiores, como lagoas, pântanos, valas, canais cobertos de vegetação, prados alagados, turfeiras e arrozais (BirdLife International 2025). Também no continente e durante os períodos migratórios ocorre no mesmo tipo de habitats, a área marinha costeira e zonas mais afastadas de costa. Durante o inverno apresenta hábitos maioritariamente marinhos. Alimenta-se sobretudo de insetos aquáticos, pequenos peixes e anfíbios. Fora da época reprodutora consome principalmente peixes marinhos, além de insetos e pequenos crustáceos (Lourenço 2019; Billerman et al. 2026).
Ameaças e conservação
As principais ameaças a esta espécie estão presentes nas áreas de reprodução devido à perturbação e a deterioração dos habitats de nidificação, causado sobretudo pela exploração agrícola. A seca e a captação de água para uso humano em zonas húmidas também constitui uma ameaça significativa ao sucesso reprodutor, devido à perda de plataformas de nidificação e facilitando o acesso de predadores terrestres (BirdLife International 2025; Billerman et al. 2026). A introdução de peixes exóticos também levou ao desaparecimento de alguns peixes-presa para esta espécie. No entanto, não estão documentadas ameaças específicas para a gaivina-preta, em Portugal.
Autores
Inês Lacerda, Sissel Sjöberg
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Snow DW & Perrins CM (1998). The Birds of the Western Palearctic vol. 1: Non-Passerines. Oxford University Press. Oxford. Bibliografia:
Meirinho A, Barros N, Oliveira N, Catry P, Lecoq M, Paiva V, Geraldes P, Granadeiro JP, Ramírez I & Andrade J (2014). Atlas das Aves Marinhas de Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Bibliografia:
Lourenço PM (2019). Internet photography forums as sources of avian dietary data: bird diets in Continental Portugal. Airo 26:3-26. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Birding Azores (2022). Birding Azores database. Disponível em https://www.azoreswildlife.com/ e acedido a 23.12.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Alerstam T, Bäckman J, Grönroos J, Olofsson P, Strandberg R & Sjöberg S (2025). Migration of black terns Chlidonias niger and common terns Sterna hirundo between south Sweden and the Atlantic coast of Africa. Journal of Avian Biology 2025: e03348. Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Dados:
Alerstam T, Bäckman J, Grönroos J, Olofsson P, Strandberg R & Sjöberg S (2025). Migration of black terns Chlidonias niger and common terns Sterna hirundo between south Sweden and the Atlantic coast of Africa. Journal of Avian Biology 2025: e03348. Glossário:
Ecossistemas húmidos caracterizados por acumulação de matéria orgânica parcialmente decomposta, com elevada importância ecológica. Glossário:
Grupo de artrópodes marinhos importantes na cadeia alimentar marinha. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Monitorização dos movimentos de indivíduos através de dispositivos. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
Referente ao período que antecede a reprodução. Glossário:
Referente ao período que sucede reprodução. Glossário:
Porção do fundo marinho que começa na linha de costa e desce, com um declive suave, até ao talude continental (onde o declive é muito mais pronunciado). Em média, a plataforma continental desce até uma profundidade de 200 metros. Glossário:
Pequeno aparelho que se coloca nas aves para estudar os seus movimentos de larga escala (geralmente a migração), e que funciona através do registo da intensidade de luz (a partir da qual se estima a duração da noite e a hora do meio-dia local e, consequentemente, a latitude e a longitude em cada dia). Glossário:
Designação geralmente atribuída a uma espécie introduzida de forma deliberada ou acidental num determinado local ou região fora da sua área de distribuição original. Consoante a sua adaptação aos novos locais, uma espécie introduzida pode ou não naturalizar-se e proliferar.