Gaivota-d'asa-escura

Nome científico: Larus fuscus

Espécies marinhas

Família laridae

Fenologia Continente
Reprodutor estival, invernante e migrador de passagem
Fenologia Madeira
Invernante e migrador de passagem
Fenologia Açores
Invernante e migrador de passagem
Estatuto UICN Global
LC
Estatuto Continente
VU LC
Estatuto Madeira
NE
Estatuto Açores
NE
Ilustração da espécie

Dados

Continente - Reprodutor

Avaliação do indicador de Abundância

Continente - Não reprodutor

Avaliação do indicador de Abundância

Mapas

Ocorrência | Primavera

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

A gaivota-d’asa-escura nidifica entre abril e julho na Europa, desde a Rússia até à Península Ibérica, incluindo a Islândia. No inverno distribui-se amplamente pelas costas do sudoeste europeu e norte de África (Billerman et al. 2026). Uma parte substancial da população da Europa Ocidental inverna em Portugal, ocorrendo sobretudo na faixa litoral do continente (Catry et al. 2010a). No mar, concentra-se maioritariamente sobre a plataforma e o talude continentais (Meirinho et al. 2014). As aves imaturas costumam permanecer em Portugal durante todo o ano. A população nidificante encontra-se restrita à área metropolitana do Porto e ilhas da Berlenga e Deserta (Ria Formosa). Nos Açores e na Madeira, a espécie é mais comum entre setembro e fevereiro, existindo tentativas de nidificação nas ilhas Terceira e São Miguel, nos Açores, e no ilhéu do Desembarcadouro, na Madeira (Equipa Atlas 2022).

Os dados de seguimento individual de 112 aves com GPS, provenientes da Alemanha, Bélgica, Países Baixos e Reino Unido, confirmam uma utilização intensa da ZEE portuguesa, sobretudo da zona costeira do continente, com muito menos expressão na Madeira. Não foram obtidos registos para os Açores.

Abundância e evolução populacional

A população global foi estimada em 940.000 a 2.070.000 indivíduos, com uma tendência populacional crescente, embora algumas populações europeias estejam a diminuir (BirdLife International 2025). Em Portugal, a população nidificante é reduzida, com menos de 100 casais e uma tendência de crescimento. Destaca-se a colonização recente da ilha da Deserta (Ria Formosa), onde não havia nidificação confirmada até 2005 (Equipa Atlas 2008; Equipa Atlas 2022), contando atualmente com mais de 50 casais. Fora do periodo reprodutor, é a gaivota mais abundante no continente, em particular na faixa litoral, embora haja um forte declínio da população que usa a área costeira não estuarina (Velde 2025). A avaliação do estado ambiental indica que a população reprodutora atingiu o Bom Estado Ambiental no continente, devido principalmente ao crescimento da colónia da Ria Formosa. Pelo contrário, a população não reprodutora da mesma região não atingiu o Bom Estado Ambiental, alinhando-se com os declínios reportados para essa mesma população nalguns dos locais de origem (BirdLife International 2021).

Ecologia e habitat

Em Portugal pode nidificar tanto em ilhas rochosas como de areia, e em zonas urbanas, normalmente em colónias mistas com gaivotas-de-patas-amarelas Larus michahellis. As aves invernantes costumam pernoitar no mar, em lagoas costeiras e em zonas húmidas, enquanto a alimentação ocorre principalmente em terra, onde a gaivota utiliza uma grande variedade de biótopos, incluindo estações de tratamento de águas residuais, aterros sanitários, áreas urbanas, lagoas costeiras, albufeiras, restolhos de arrozais inundados e grandes rios (Catry et al. 2010a). Da sua dieta diversificada fazem parte peixes, rejeições da pesca, invertebrados (crustáceos marinhos e aquáticos e bivalves), detritos obtidos em aterros sanitários e saídas de esgotos e mesmo outras aves, e.g. pombo-doméstico (Catry et al. 2010a; Lourenço 2019).

Ameaças e conservação

Os declínios em algumas colónias europeias de gaivota-d’asa escura têm sido atribuídos a poluentes ambientais (Bustnes 2006; Hario et al. 2000). Em Portugal é afetada sobretudo por captura acidental em artes de pesca (Calado et al. 2021).

Autores

Eric Stienen, Tânia Nascimento

Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual

Corman et al. 2016, Hayley Douglas, SEATRACK, Stienen et al. 2019, Stienen et al. 2021, Stienen et al. 2023