Gaivota-de-audouinii
Nome científico: Larus audouinii
Família laridae
- Fenologia Continente
- Reprodutor estival, invernante e migrador de passagem
- Fenologia Madeira
- Ausente
- Fenologia Açores
- Acidental
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Mapas
Ocorrência | Primavera
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Período de dados / número de indivíduos:
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Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
A gaivota-de-audouin nidifica, entre abril e agosto, desde a costa atlântica de Marrocos até Portugal continental e em vários países do Mediterrâneo. É uma espécie parcialmente migradora, invernando no Mediterrâneo e na costa noroeste africana até ao Senegal (Billerman et al. 2026).
Apesar de existirem registos históricos (Leal & Lecoq 2006; Catry et al. 2010a), a espécie apenas se restabeleceu de forma permanente, em Portugal a partir de 2008, na ilha Deserta, em Faro (Moniz 2015). No Algarve, a espécie é mais frequente de março a outubro, havendo algumas centenas de indivíduos que permanecem durante o inverno. Os adultos reprodutores do Algarve prospectam as águas profundas e produtivas até ~100 km da colónia durante a incubação (Pereira et al. 2025b). Após a eclosão, a maioria dos adultos permanece perto da colónia, embora alguns se desloquem para o norte de Marrocos e o Mediterrâneo. Os dados de seguimento individual de 76 aves, provenientes de colónias, em Portugal e Espanha e equipadas com GPS, indicam a utilização da subárea continental da ZEE ao longo de todo o ano. A distribuição das aves concentrou-se sobretudo a sul do Algarve, embora também tenham sido registadas utilizações na costa sudoeste, entre Setúbal e Sagres. Não se registou a ocorrência nos Açores e Madeira, o que justifica as parcas ou inexistentes observações da espécie nestas regiões (Correia-Fagundes et al. 2021; Birding Azores 2022).
Abundância e evolução populacional
A população global foi estimada em cerca de 20.000 casais (Oliveira et al. 2025b), com uma tendência de declínio (BirdLife International 2025). Em Portugal, a espécie voltou a nidificar no início dos anos 2000’, nas salinas de Castro Marim, embora de forma irregular e com produtividades muito baixas ou nulas, devido à forte pressão de predação (Leal & Lecoq 2006). A partir de 2008, estabeleceu-se de forma regular na ilha Deserta, onde a população cresceu progressivamente e se dispersou para a ilha da Culatra. Em 2024, registaram-se 5.591 casais nidificantes na Barreta e 1.701 na Culatra. Nos últimos anos, tem-se notado também uma expansão da população reprodutora para a costa oeste do continente (Equipa Atlas 2022). Consequentemente, esta população atingiu o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância.
Ecologia e habitat
A gaivota-de-audouin ocorre geralmente próximo da costa, podendo também frequentar o talude continental. A dieta é constituída principalmente por peixes epipelágicos, mas também por espécies demersais e bentónicas (Matos et al. 2018). Também se alimenta intensamente de rejeições da pesca comercial, principalmente arrastões e cerco (Bécares et al. 2015; Matos et al. 2018). Nidifica colonialmente em ilhas rochosas ou arenosas, em penínsulas arenosas e em salinas. Com o colapso de algumas colónias históricas, a gaivota-de-audouin demonstrou uma capacidade para colonizar novos locais, incluindo ambientes menos tradicionais, como portos e áreas urbanas (Oliveira et al. 2025b).
Ameaças e conservação
A gaivota-de-audouin é particularmente sensível à redução das rejeições da pesca e à entrada de mamíferos predadores nas colónias, fatores que têm levado a quebras populacionais e à dispersão para outras áreas (Oro et al. 2004). A presença humana, tanto nas zonas de nidificação como nas áreas de alimentação, constitui outra ameaça relevante, podendo perturbar significativamente as aves, forçando-as a abandonar os locais e comprometendo o sucesso reprodutor. A espécie é ainda susceptível à perda e degradação de habitat, captura acidental, competição com outras espécies, poluição marinha, estruturas de energia oceânica, surtos de doenças e aos efeitos crescentes das alterações climáticas (Oliveira et al. 2025b).
Autor
Tânia Nascimento
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Gonzalez-Solis 2016j, Ramos 2021a, Vitor H. Paiva (MARE-UCoimbra)
Pereira JM, Ramos JA, Domingues A, Almeida A, Marçalo A, Cascão C, Silva C, Rey D, Ceia FR, Carvalho F, Santos ID, Gonçalves JMS, Cerveira LR, Frade M, Laranjeiro MI, Oliveira N, Nascimento T, Paiva VH & Norte AC (2025b). Experimental anthropogenic food restrictions drive short-term foraging and immuno-haematological changes in sympatric breeding gulls. Science of the Total Environment 1003: 180672. Bibliografia:
Oro D, Cam E, Pradel R & Martínez-Abraín A (2004). Influence of food availability on demography and local population dynamics in a long-lived seabird. Proceedings of the Royal Society of London. Series B: Biological Sciences 271(1537): 387-396. Bibliografia:
Oliveira N, Nascimento T & Vulcano A (comp.) (2025b). International Single Species Action Plan for the conservation of the Audouin’s Gull Larus audouinii (2025 to 2035). Project LIFE Ilhas Barreira. SPEA - Portuguese Society for the Study of Birds, European Commission Technical Report, Lisbon. Bibliografia:
Moniz F (2015). Ecologia Alimentar da Gaivota-de-audouin (Larus audouinii) e da Gaivota-de-patas-amarelas (Larus michahellis) no Sul de Portugal. Tese de Mestrado. Universidade de Évora. Bibliografia:
Matos DM, Ramos JA, Calado JG, Ceia FR, Hey J & Paiva VH (2018). How fishing intensity affects the spatial and trophic ecology of two Gull species breeding in sympatry. ICES Journal of Marine Science 75(6): 1949-1964. Bibliografia:
Leal A & Lecoq M (2006). Plano de Acção para a Conservação da Gaivota de Audouin em Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Lisboa Bibliografia:
Equipa Atlas (2022). III Atlas das Aves Nidificantes de Portugal (2016-2021). SPEA, ICNF, LabOr/UÉ, IFCN. Portugal. Bibliografia:
Correia-Fagundes C, Romano H, Zino FJA & Biscoito M (2021). Birds of the archipelagos of Madeira and the Selvagens III. New records and checklist update (2010-2020). Boletim do Museu de História Natural do Funchal LXXI: 5-20. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Birding Azores (2022). Birding Azores database. Disponível em https://www.azoreswildlife.com/ e acedido a 23.12.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Dados:
Ramos R (2021a). Dataset 1757: Audouin's Gull, Larus audouinii, GPS, San Pedro, San Pedro, Spain, 2020–2021. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1757/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Gonzalez-Solis J (2016j). Dataset 1030: Audouin's Gull, Larus audouinii, GPS, Ebro Delta, Ebro Delta, Spain, 2015–2016. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1030/ e acedido a 30.11.2025. Glossário:
Organismo marinho, geralmente peixes, que passam a maior parte do tempo da sua vida no fundo do mar, associados ao substrato marinho, podendo ser arenoso ou rochoso. No entanto, estes organismos têm capacidade de natação ativa, diferenciando-se assim dos organismos bentónicos. Glossário:
Organismos que vivem associados ao fundo marinho ou sedimentos. Glossário:
Aumento súbito da incidência de uma doença numa população ou região. Glossário:
Mudanças persistentes nos padrões climáticos globais ou regionais, influenciadas por fatores naturais e antropogénicos. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Monitorização dos movimentos de indivíduos através de dispositivos. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Medida do sucesso reprodutor de uma população, geralmente expressa como o número médio de crias produzidas por casal. Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
Pequeno aparelho que se coloca nas aves para estudar os seus movimentos a uma escala mais fina (geralmente durante a reprodução). Estes aparelhos utilizam o sistema global de posicionamento (do inglês Global Positioning System) para obter informação acerca da posição, latitude, longitude e altitude, em qualquer ponto da Terra e a partir de uma rede de satélites em órbita. Glossário:
Refere-se à captura involuntária de espécies marinhas durante a pesca. Os animais podem ficar presos nos anzóis ou nas redes de pesca. Normalmente é associada à pesca comercial, mas também pode ocorrer na pesca lúdica. A captura acidental é uma das principais ameaças às aves marinhas no mar. Glossário:
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma ZEE de espaço marítimo para além das suas águas territoriais. A ZEE nacional é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas náuticas da costa e separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Dentro da sua ZEE, cada estado goza de direitos como: o direito à exploração dos recursos marinhos, o direito à investigação científica e o direito a controlar a pesca por parte de embarcações estrangeiras. Glossário:
Porção do fundo marinho com declive muito pronunciado que fica entre a plataforma continental e a margem continental, onde começam as planícies abissais. Glossário:
Porção do pescado capturado em embarcações de pesca comercial que é devolvido ao mar, muitas vezes morto ou moribundo. Os peixes rejeitados pertencem muitas vezes a espécies sem valor comercial, indivíduos abaixo do tamanho mínimo de captura permitido por lei, ou a indivíduos cujo desembarque não é permitido, por exemplo devido a restrições de quota. Pode também ser composto por partes do pescado, designadamente vísceras e cabeças, que após o processamento a bordo, são rejeitadas e deitadas ao mar. As rejeições têm um forte impacto no ecossistema marinho, e definem muitos aspetos da distribuição, procura de alimento e dinâmica populacional das aves marinhas, nomeadamente de indivíduos e espécies que têm como hábito seguir embarcações. Glossário:
Rede de malha geralmente pequena e bem visível utilizada pelas traineiras na captura de pequenos peixes pelágicos, como sardinhas ou cavalas. Depois de localizar o cardume, a rede é lançada a partir de uma embarcação que o cerca completamente, impedindo a fuga dos peixes, sendo posteriormente içada. Se operada adequadamente é uma arte de pesca seletiva.