Gaivota-de-cabeça-preta

Nome científico: Larus melanocephalus

Espécies marinhas

Família laridae

Fenologia Continente
Invernante e migrador de passagem
Fenologia Madeira
Acidental
Fenologia Açores
Acidental
Estatuto UICN Global
LC
Estatuto Continente
LC
Estatuto Madeira
NA
Estatuto Açores
NA
Ilustração da espécie

Dados

Continente

Avaliação do indicador de Abundância

Mapas

Ocorrência | Primavera

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

A gaivota-de-cabeça-preta apresenta uma distribuição maioritariamente europeia, nidificando entre abril e junho, desde o leste da Europa até ao sul de França e de Espanha, com populações dispersas pela Europa central e Mediterrâneo. Durante a invernada ocorre ao longo das costas do Mar Negro, Mediterrâneo, Atlântico europeu e noroeste africano (Billerman et al. 2026).

Em Portugal continental, ocorre ao longo de todo o litoral (Equipa Atlas 2018). Aventurando-se mar adentro, até ao talude, mas com maiores concentrações junto à foz dos rios Tejo e Mira e no sotavento algarvio (Meirinho et al. 2014). A migração pós-nupcial decorre entre meados de junho e novembro e a pré-nupcial entre fevereiro e abril, envolvendo indivíduos provenientes de grande parte da área de nidificação (Moore 1992; Poot & Flamant 2006). Nos Açores e na Madeira existem alguns registos de aves isoladas ou em números reduzidos em portos e zonas costeiras abrigadas, entre novembro e março.

O seguimento individual de aves que visitam a nossa costa é ainda muito limitado. Com base nos dados de apenas duas aves equipadas com GPS em Itália e na Bélgica, mas ao longo de vários anos, confirma-se a preferência pelas áreas já conhecidas para a espécie.

Abundância e evolução populacional

A população europeia foi estimada entre 118.000 e 328.000 casais, aparentando estar em expansão da área de distribuição, embora o número populacional esteja a decrescer (Keller et al. 2020; BirdLife International 2025). Em Portugal, as últimas estimativas conhecidas apontavam para mais de 7.000 indivíduos durante o inverno (Poot & Flamant 2006). Com base nos dados usados para a avaliação do estado ambiental, obteve-se uma estimativa a rondar os 500 a 4.500 indivíduos para a plataforma continental em 2024. Esta população não atingiu o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância, alinhando-se com a tendência global. Contrariamente, a população que usa a zona costeira não estuarina parece estar a aumentar nos últimos anos (Velde 2025). No caso da Madeira e dos Açores, não existe informação acerca da sua evolução populacional, impedindo assim a avaliação do seu estado ambiental.

Ecologia e habitat

A gaivota-de-cabeça-preta é relativamente comum no litoral onde utiliza a orla costeira sobretudo para repouso, nomeadamente praias, portos de pesca, estuários e salinas. Alimenta-se maioritariamente em águas costeiras até ao limite da plataforma, podendo também associar-se localmente a emissários submarinos (Poot & Flamant 2006). Durante a invernada, a sua dieta consiste em peixe, moluscos, insectos, minhocas, bagas e sementes (Billerman et al. 2026). Associa-se também a embarcações de pesca (Poot 2003), alimentando-se de rejeições. Ocasionalmente é observada a alimentar-se de lixo.

Ameaças e conservação

As principais ameaças a esta espécie fazem-se sentir nas áreas de reprodução devido à predação e perturbação (Billerman et al. 2026; BirdLife International 2025). Em Portugal, a maior ameaça parece estar relacionada com a perturbação devido ao grande aumento da utilização humana de praias e outros habitats tipicamente usados pela espécie para repouso durante o inverno. Também a degradação de zonas húmidas poderá ter um impacto negativo na gaivota-de-cabeça-preta. Não se conhecem eventos de captura acidental em artes de pesca.

Autores

Eric Stienen, Tânia Nascimento

Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual

Lorenzo Serra, Simone Pirrello & Jacopo G. Cecere (ISPRA & Ministero dell'Ambiente e della Sicurezza Energetica), Stienen et al. 2022