Gaivota-de-patas-amarelas
Nome científico: Larus michahellis
Família laridae
- Fenologia Continente
- Residente
- Fenologia Madeira
- Residente
- Fenologia Açores
- Residente
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Mapas
Ocorrência | Primavera
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:>
Valor máximo:<
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:>
Valor máximo:>
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Colónia(s) de origem:
Aparelho:
Período de dados / número de indivíduos:
Período de dados / número de indivíduos:
Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
A gaivota-de-patas-amarelas nidifica entre abril e agosto na Europa, Médio Oriente e Norte de África, sendo residente sobretudo nas zonas costeiras da Península Ibérica e França, Mediterrâneo, Mar Negro e Cáspio, bem como nos Açores, Madeira e Canárias. No inverno, distribui-se pela costa atlântica europeia e mediterrânica, desde a Dinamarca até ao Sahara Ocidental (Billerman et al. 2026). Em Portugal, nidifica maioritariamente ao longo de toda a costa continental e em grande parte das ilhas e ilhéus dos Açores e da Madeira (Oliveira et al. 2023b). Apesar de sedentária, alguns indivíduos realizam movimentos dispersivos mais amplos por toda a costa continental portuguesa (Fernandes et al. 2025), em Espanha e Marrocos e ocasionalmente países mais distantes do norte da Europa e do Mediterrâneo. No mar, tem uma distribuição marcadamente costeira, raramente ultrapassando a plataforma continental (Meirinho et al. 2014; Romero et al. 2019).
Com base no seguimento individual de 201 aves provenientes de colónias de Portugal continental e de Espanha, confirma-se a distribuição conhecida para a região do continente. Não foi disponibilizado este tipo de informação para as colónias dos Açores ou da Madeira.
Abundância e evolução populacional
A população europeia foi estimada entre 409.000 a 534.000 casais, com tendência populacional de crescimento (BirdLife International 2025).
Atualmente, a população portuguesa conta com 7.350 a 8.000 casais, com as maiores colónias no continente (Oliveira et al. 2023b). Esta última atingiu um máximo na década de 1990, com 45.000 indivíduos apenas na ilha da Berlenga (Catry et al. 2010a). Desde então, ações de controlo nesta colónia contribuíram para a redução da população, atingindo os 2.200 casais em 2022 (Ceia et al. 2023). Apesar da diminuição da abundância da população continental, houve um aumento da área de distribuição principalmente pela ocupação de áreas urbanas. Nas outras regiões também se registou uma redução no número de efetivos nas últimas décadas, atualmente com 1.606 a 1.712 casais nos Açores e 52 a 105 casais na Madeira (Oliveira et al. 2023b).
As populações do continente e dos Açores atingiram o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância, contrariamente à população da Madeira, refletindo a quebra abrupta na sua abundância.
Ecologia e habitat
Esta gaivota utiliza diversos habitats costeiros, como praias, portos de pesca, campos agrícolas, zonas urbanas, salinas e aterros (Matos et al. 2018; Mendes et al. 2018). A distribuição desta espécie parece estar associada à elevada disponibilidade de alimento, obtido em aterros, junto de embarcações e em portos de pesca (Pereira et al. 2025b). A sua dieta generalista inclui peixe, caranguejos pelágicos, insetos e desperdícios gerados pelas atividades humanas (Lopes et al. 2021). É também uma conhecida predadora de outras aves marinhas. Nidifica preferencialmente em ilhas, ilhéus, falésias costeiras e zonas urbanas.
Ameaças e conservação
Em Portugal, alguns indivíduos são frequentemente capturados acidentalmente em artes de pesca, como redes emalhar e palangres (Calado et al. 2021; Pereira et al. 2025a). Para além disso, a espécie enfrenta outras ameaças como a poluição marinha (Lopes et al. 2021; dos Santos et al. 2024; Veríssimo et al. 2025) e doenças (Casero et al. 2025). O excessivo efetivo populacional em algumas colónias pode criar uma pressão importante sobre outros elementos naturais, nomeadamente flora, outras aves e répteis. Alguns deles poderão ter um valor de conservação acrescido, por serem endémicas com uma distribuição limitada e/ou apresentarem um estatuto de conservação desfavorável. É urgente garantir uma boa gestão dos resíduos urbanos e da pesca de forma limitar o crescimento desregulado da gaivota-de-patas-amarelas.
Autor
Jorge Pereira
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Ramos 2020b, Ramos 2021b, Ramos 2022, SPEA, Vitor H. Paiva & Filipe Ceia (MARE-UCoimbra)
Veríssimo SN, Paiva VH, Cunha SC, Brandão ALC, Coentro J, Fernandes JO, Pereira JM, Batista de Carvalho LAE, Cerveira LR, Marques MPM, Silva V, Norte AC & Ramos JA (2025). From mudflats and saltpans to open sea: Plastic ingestion and PBDE/MeO-BDE accumulation in waterbirds from southern Portugal. Marine Pollution Bulletin 214. Bibliografia:
Romero J, Catry P, Menezes D, Coelho N, Silva JP & Granadeiro JP (2019). A gull that scarcely ventures on the ocean: Yellow-Legged Gulls Larus michahellis atlantis on the oceanic island of Madeira. Ardeola 66(1): 101-112. Bibliografia:
Pereira JM, Ramos JA, Domingues A, Almeida A, Marçalo A, Cascão C, Silva C, Rey D, Ceia FR, Carvalho F, Santos ID, Gonçalves JMS, Cerveira LR, Frade M, Laranjeiro MI, Oliveira N, Nascimento T, Paiva VH & Norte AC (2025b). Experimental anthropogenic food restrictions drive short-term foraging and immuno-haematological changes in sympatric breeding gulls. Science of the Total Environment 1003: 180672. Bibliografia:
Pereira JM, Ramos JA, Almeida A, Marçalo A, Carvalho F, Fagundes, I, Gonçalves JMS, Frade M, Oliveira N, Nascimento T & Paiva VH (2025a). Seasonal variation in seabird abundance and bycatch at artisanal bottom-set net fisheries in the southern Iberian Atlantic coast. Ocean & Coastal Management 267: 107660. Bibliografia:
Oliveira N, Alonso H, Encarnação V, Menezes D, Magalhães M, Carreira G, Heber S, Pimentel R, Medeiros V, Bairos J, Raposo P, Coelho R, Rufino R, Neves R, Nascimento T, Silva E & Andrade J (2023b). Changes in numbers and distribution of Yellow-legged Gull Larus michahellis nesting in Portugal during the last two decades. Airo 31: 20–37. Bibliografia:
Mendes RF, Ramos JA, Paiva VH, Calado JG, Matos DM & Ceia FR (2018). Foraging strategies of a generalist seabird species, the yellow-legged gull, from GPS tracking and stable isotope analyses. Marine Biology 165(10): 168. Bibliografia:
Meirinho A, Barros N, Oliveira N, Catry P, Lecoq M, Paiva V, Geraldes P, Granadeiro JP, Ramírez I & Andrade J (2014). Atlas das Aves Marinhas de Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Bibliografia:
Matos DM, Ramos JA, Calado JG, Ceia FR, Hey J & Paiva VH (2018). How fishing intensity affects the spatial and trophic ecology of two Gull species breeding in sympatry. ICES Journal of Marine Science 75(6): 1949-1964. Bibliografia:
Lopes CS, Paiva VH, Vaz PT, Pais de Faria J, Calado JG, Pereira JM & Ramos JA (2021). Ingestion of anthropogenic materials by yellow-legged gulls (Larus michahellis) in natural, urban, and landfill sites along Portugal in relation to diet composition. Environmental Science and Pollution Research 28: 19046–19063. Bibliografia:
Fernandes RR, Ramos JA, de Faria JP, Matos DM, dos Santos I, Oliveira N, Rodrigues P & Paiva VH (2025). Year‐round colony‐level differences in foraging behaviour and diel activity of yellow‐legged gulls from natural and urban colonies. Journal of Zoology 328: 256-270. Bibliografia:
dos Santos I, Paiva VH, Norte AC, Churlaud C, Ceia FR, Pais de Faria J, Pereira JM, Cerveira LR, Laranjeiro MI, Veríssimo SN, Ramos JA & Bustamante P (2024). Assessing the impacts of trace element contamination on the physiology and health of seabirds breeding along the western and southern coasts of Portugal. Environmental Pollution 358: 124528. Bibliografia:
Ceia FR, Silva NC, Paiva VH, Morais L, Serrão EA & Ramos JA (2023). Gulls as indicators of environmental changes in the North Atlantic: A long-term study on Berlenga Island, Western Portugal. Diversity 15: 1148. Bibliografia:
Casero MV, Turner AD, Ben-Gigirey B, Alexander RP, Dean KJ, Hatfield RG, Maskrey BH, Mazuet C, Karamendin K & Mateo R (2025). Identifying causative agents of a paretic syndrome in waterbirds in Southern Portugal. Toxins 17(2) 62: 1-17. Bibliografia:
Calado JG, Ramos JA, Almeida A, Oliveira N & Paiva VH (2021). Seabird-fishery interactions and bycatch at multiple gears in the Atlantic Iberian coast. Ocean & Coastal Management 200: 105306. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Dados:
Ramos R (2022). Dataset 1836: Yellow-legged Gull, Larus michahellis, GPS, San Pedro, San Pedro, Spain, 2021–2022. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1836/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Ramos R (2021b). Dataset 1835: Yellow-legged Gull, Larus michahellis, GPS, San Pedro, San Pedro, Spain, 2020–2021. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1835/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Ramos R (2020b). Dataset 1831: Yellow-legged Gull, Larus michahellis, GPS, Ebro Delta, Ebro Delta, Spain, 2019–2020. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1831/ e acedido a 30.11.2025. Glossário:
Equipamentos utilizados na captura de animais marinhos, como redes, palangre ou armadilhas. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Monitorização dos movimentos de indivíduos através de dispositivos. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
Rede estática frequentemente invisível e com malhagem de dimensão variável, utilizada na captura de uma grande variedade de peixes. É deixada no mar a profundidade variável sendo posteriormente recolhida. É uma arte de pesca não seletiva que captura com muita frequência aves, mamíferos e répteis marinhos. Glossário:
Porção do fundo marinho que começa na linha de costa e desce, com um declive suave, até ao talude continental (onde o declive é muito mais pronunciado). Em média, a plataforma continental desce até uma profundidade de 200 metros. Glossário:
Zona ou ambiente onde vivem normalmente os seres vivos que não dependem dos fundos marinhos. É o ambiente ecológico típico das águas oceânicas abertas. O ecossistema pelágico não abrange apenas o alto-mar, dele fazendo parte também as águas que cobrem a plataforma continental. A zona pelágica começa abaixo da zona de influência das marés, prolongando-se até ao alto-mar, em profundidades que variam desde algumas dezenas de metros até aproximadamente 6.000 metros, dividindo-se em diferentes camadas. Glossário:
Arte de pesca constituída por uma linha principal (madre) de onde derivam linhas secundárias às quais são fixados anzóis. É deixado no mar, podendo ser colocado no fundo para capturar espécies de profundidade (e.g. peixe-espada) ou à superfície para capturar os grandes peixes pelágicos (e.g. espadarte). Glossário:
Classificação do grau de ameaça de uma espécie consoante as suas probabilidades de extinção. Os critérios para tal classificação seguem geralmente regras internacionalmente reconhecidas, definidas pela União Internacional para a Conservação da Natureza [IUCN](http://www.redlist.org) e baseiam-se no tamanho dos efetivos populacionais, na área de ocorrência e na tendência populacional. Este estatuto pode ser nacional ou internacional. Glossário:
Designação atribuída em biologia (chamam-se endemismos, do grego endemos, ou seja, indígena) aos seres vivos cuja área de distribuição está confinada a uma região restrita (e.g. a uma montanha, a uma ilha ou a um país).