Gaivota-tridáctila
Nome científico: Rissa tridactyla
Família laridae
- Fenologia Continente
- Invernante
- Fenologia Madeira
- Invernante
- Fenologia Açores
- Invernante
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Mapas
Ocorrência | Primavera
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Período de dados / número de indivíduos:
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Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
A gaivota-tridáctila nidifica de abril a agosto, no hemisfério norte, nas zonas costeiras temperadas e árticas do Atlântico e do Pacífico. As populações do Atlântico invernam por todo o Atlântico norte até a sul do mar dos Sargaços e a costa oeste africana, incluindo toda a ZEE portuguesa (Billerman et al. 2026). As aves invernantes nas nossas águas são sobretudo provenientes de colónias norueguesas, do Reino Unido e da Islândia (Catry et al. 2010a), com algumas aves provenientes do Canadá, Ilhas Faroé, Gronelândia e Rússia. Apresenta ocorrência regular nos Açores e na Madeira, embora seja menos abundante neste último arquipélago (Meirinho et al. 2014).
Os dados de seguimento individual de 368 aves provenientes das colónias referidas acima, confirmam a utilização extensiva da ZEE portuguesa, nas suas três subáreas, com maior concentração na região continental, seguida dos Açores e da Madeira. O grosso das aves usou estas áreas durante a sua invernada, entre outubro e março.
Abundância e evolução populacional
A população global foi estimada em 14,6 a 15,7 milhões de indivíduos, dos quais, 3.460.000 a 4.410.000 indivíduos maduros ocorrem na Europa (BirdLife International 2025). Esta população tem diminuído acentuadamente desde a década de 1980 a uma taxa de >40% ao longo de três gerações.
A espécie nidificou em Portugal, no arquipélago das Berlengas, entre o final dos anos 1970 e o início dos anos 1980, fruto de uma expansão natural que levou à colonização de outras áreas na costa ibérica (Catry et al. 2010a). O tamanho da população invernante nas águas nacionais encontra-se muito pouco descrito, mas parece estar relacionada com as condições meteorológicas nos territórios mais a norte e em alto mar. Com base nos dados usados para a avaliação do estado ambiental, obteve-se uma estimativa a rondar os 3.100 e os 10.700 indivíduos para a plataforma continental, em 2024. Apesar da ausência de estimativas mais concretas, esta população aparenta estar em Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância. Não existe informação acerca da abundância ou da evolução populacional para os Açores e para a Madeira.
Ecologia e habitat
A gaivota-tridáctila é uma ave migratória que deixa as colónias após a reprodução, dispersando para o mar aberto a partir de julho e agosto (Olsen & Larsson 2004). É observada maioritariamente no mar de forma solitária ou em pequenos grupos (Snow & Perrins 1998), podendo concentrar-se em áreas produtivas como plataformas continentais, zonas de afloramento e bancos de peixe. A dieta é composta maioritariamente por peixes e invertebrados marinhos (incluindo plâncton), mas também aproveita rejeições de embarcações de pesca (Billerman et al. 2026).
Ameaças e conservação
As populações de gaivota-tridáctila têm sido afetadas pela redução da disponibilidade de presas no Atlântico, principalmente devido a alterações climáticas e, em parte, à pesca industrial dirigida (Frederiksen et al. 2012). O esforço de prospeção acrescido e o stress nutricional resultam em maior mortalidade e abandono da reprodução (Paredes et al. 2014). A espécie sofre capturas acidentais em pescarias de palangre, sobretudo no Gran Sol, embora o impacto seja baixo noutras áreas do Atlântico Norte (BirdLife International 2025). A poluição por hidrocarbonetos contribui para a diminuição da condição física dos adultos e menor sucesso reprodutor (Nikolaeva et al. 2006). A espécie também pode ser vulnerável a surtos de gripe aviária.
Autores
Tânia Nascimento, Nadine Pires
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Daunt 2008, Daunt 2010, SEATRACK, Thorarinsson 2011
Snow DW & Perrins CM (1998). The Birds of the Western Palearctic vol. 1: Non-Passerines. Oxford University Press. Oxford. Bibliografia:
Paredes R, Orben RA, Suryan RM, Irons DB, Roby DD, Harding AM, Young RC, Benoit-Bird K, Ladd C, Renner H & Heppell S (2014). Foraging responses of Black-legged Kittiwakes to prolonged food-shortages around colonies on the Bering Sea Shelf. PloS one 9(3): e92520. Bibliografia:
Olsen KM & Larsson H (2004). Gulls of Europe, Asia and North America. Christopher Helm, London. Bibliografia:
Nikolaeva NG, Spiridonov VA & Krasnov YV (2006). Existing and proposed marine protected areas and their relevance for seabird conservation: a case study in the Barents Sea region. Em Boere G, Galbraith C & Stroud D (eds.). Waterbirds around the world. The Stationery Office, Edinburgh, UK: 743-749. Bibliografia:
Meirinho A, Barros N, Oliveira N, Catry P, Lecoq M, Paiva V, Geraldes P, Granadeiro JP, Ramírez I & Andrade J (2014). Atlas das Aves Marinhas de Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Bibliografia:
Frederiksen M, Moe B, Daunt F Phillips RA, Barrett RT , Bogdanova MI, Boulinier T, Chardine JW, Chastel O, Chivers LS , Christensen-Dalsgaard S, Clément-Chastel C, Colhoun K, Freeman R, Gaston AJ, González-Solís J, Goutte A, Grémillet D, Guilford T, Jensen, GH , Krasnov Y, Lorentsen SH , Mallory ML, Newell M, Olsen B, Shaw D, Steen H, Strøm H, Systad GH , Thórarinsson TL & Anker-Nilssen T (2012). Multicolony tracking reveals the winter distribution of a pelagic seabird on an ocean basin scale. Diversity and Distributions 18: 530–542. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Dados:
Thorarinsson TL (2011). Dataset 1036: Black-legged Kittiwake, Rissa tridactyla, Geolocator (GLS), Hafnarholmi, Iceland Shelf, Iceland, 2009–2011. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1036/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Daunt F (2010). Dataset 1037: Black-legged Kittiwake, Rissa tridactyla, Geolocator (GLS), Isle of May, North Sea, United Kingdom, 2009–2010. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1037/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Daunt F (2008). Dataset 1102: Black-legged Kittiwake, Rissa tridactyla, Geolocator (GLS), Isle of May, North Sea, United Kingdom, 2007–2008. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1102/ e acedido a 30.11.2025. Glossário:
Zona geográfica de elevação rochosa, íngreme e saliente que avança sobre o mar, formando frequentemente um cabo. Glossário:
Indivíduos capazes de se reproduzir, utilizados como referência em estimativas populacionais. Glossário:
Aumento súbito da incidência de uma doença numa população ou região. Glossário:
Mudanças persistentes nos padrões climáticos globais ou regionais, influenciadas por fatores naturais e antropogénicos. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Monitorização dos movimentos de indivíduos através de dispositivos. Glossário:
O Gran Sol é uma área de pesca situada no Atlântico Norte a oeste e sudoeste das ilhas Britânicas. Devido à sua grande riqueza pesqueira, é uma área intensamente explorada pelas frotas de pesca europeias, principalmente pelas embarcações oriundas da Galiza, em Espanha. Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
Refere-se à captura involuntária de espécies marinhas durante a pesca. Os animais podem ficar presos nos anzóis ou nas redes de pesca. Normalmente é associada à pesca comercial, mas também pode ocorrer na pesca lúdica. A captura acidental é uma das principais ameaças às aves marinhas no mar. Glossário:
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma ZEE de espaço marítimo para além das suas águas territoriais. A ZEE nacional é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas náuticas da costa e separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Dentro da sua ZEE, cada estado goza de direitos como: o direito à exploração dos recursos marinhos, o direito à investigação científica e o direito a controlar a pesca por parte de embarcações estrangeiras. Glossário:
Porção do pescado capturado em embarcações de pesca comercial que é devolvido ao mar, muitas vezes morto ou moribundo. Os peixes rejeitados pertencem muitas vezes a espécies sem valor comercial, indivíduos abaixo do tamanho mínimo de captura permitido por lei, ou a indivíduos cujo desembarque não é permitido, por exemplo devido a restrições de quota. Pode também ser composto por partes do pescado, designadamente vísceras e cabeças, que após o processamento a bordo, são rejeitadas e deitadas ao mar. As rejeições têm um forte impacto no ecossistema marinho, e definem muitos aspetos da distribuição, procura de alimento e dinâmica populacional das aves marinhas, nomeadamente de indivíduos e espécies que têm como hábito seguir embarcações. Glossário:
Porção do fundo marinho que começa na linha de costa e desce, com um declive suave, até ao talude continental (onde o declive é muito mais pronunciado). Em média, a plataforma continental desce até uma profundidade de 200 metros. Glossário:
Organismos aquáticos, geralmente pequenos, que se encontram em suspensão na água e derivam com as correntes. O plâncton pode ser formado por plantas (fitoplâncton), animais (zooplâncton) ou por outros organismos como bactérias. Glossário:
Arte de pesca constituída por uma linha principal (madre) de onde derivam linhas secundárias às quais são fixados anzóis. É deixado no mar, podendo ser colocado no fundo para capturar espécies de profundidade (e.g. peixe-espada) ou à superfície para capturar os grandes peixes pelágicos (e.g. espadarte). Glossário:
Período geralmente correspondente aos meses de inverno, podendo incluir parte do outono. Glossário:
Fenómeno de interação entre o oceano e a atmosfera (do inglês upwelling), em que as águas superficiais quentes se afastam da costa e são substituídas por águas de fundo mais frias e ricas em nutrientes.