Galheta
Nome científico: Gulosus aristotelis
Família phalacrocoracidae
- Fenologia Continente
- Residente e invernante
- Fenologia Madeira
- Acidental
- Fenologia Açores
- Ausente
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Mapas
Ocorrência | Primavera
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:>
Valor máximo:<
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:>
Valor máximo:>
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Colónia(s) de origem:
Aparelho:
Período de dados / número de indivíduos:
Período de dados / número de indivíduos:
Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
A galheta nidifica entre fevereiro e agosto, distribuindo-se ao longo da costa europeia atlântica, do noroeste de África, do Mediterrâneo e do Mar Negro (Billerman et al. 2026). É uma espécie maioritariamente sedentária, concentrando a sua distribuição em torno das colónias ao longo de todo o ano (Velando et al. 2005; Nascimento et al. 2023b). No entanto, algumas aves realizam migrações de curta distância durante o inverno e os imaturos apresentam alguns movimentos dispersivos.
Em Portugal, reproduz-se exclusivamente no continente, no arquipélago das Berlengas e na costa rochosa entre o cabo Carvoeiro e Albufeira (del Moral & Oliveira 2019). O seguimento individual confirmou a distribuição localizada em torno das colónias de reprodução. Os juvenis realizaram movimentos dispersivos mais amplos, com um deles a atingir a zona costeira entre Matosinhos e Caminha no seu primeiro inverno. Os registos anteriores nesta zona do país foram atribuídos a indivíduos oriundos das colónias galegas (Catry et al. 2010a). Não são conhecidos registos de galheta nos Açores (Meirinho et al. 2014; Birding Azores 2022) e apesar da espécie ser reconhecida como ocasional no arquipélago da Madeira (Correia-Fagundes et al. 2021), apenas se confirmou o registo de um indivíduo nos anos 1990 (Zino et al. 1995a).
Abundância e evolução populacional
A população global foi estimada em 230.000 a 240.000 indivíduos (Wetlands International 2025), com uma tendência decrescente (BirdLife International 2025). Em Portugal é uma espécie pouco abundante. Em 2017, foram contados 101 casais nidificantes ao longo da costa continental portuguesa (del Moral & Oliveira 2019). A maior colónia, com 62 casais, localizava-se no arquipélago das Berlengas, seguida pelo núcleo da Arrábida/cabo Espichel, onde foram contados 20 casais. Não se registou uma alteração substancial na distribuição da espécie desde o último censo, realizado em 2002 (Equipa Atlas 2022). No entanto, é de salientar um decréscimo considerável no tamanho da população do arquipélago das Berlengas e da costa sudoeste. A avaliação do estado ambiental alinha-se com esta tendência, salientado-se que a população não atingiu o Bom Estado Ambiental para nenhum dos indicadores, abundância e produtividade.
Ecologia e habitat
É uma espécie costeira que frequenta habitats rochosos não se afastando para mar aberto. Alimenta-se de uma grande variedade de peixes pelágicos, demersais e bentónicos, sendo a galeota a principal espécie consumida durante a reprodução no nosso país (Nascimento et al. 2021). Fora desse período, a galheta apresenta uma dieta ainda mais diversa, sendo especialmente rica em gadídeos e sparídeos. Nidifica isoladamente ou em pequenas colónias em falésias costeiras, ilhas e ilhéus. O ninho é construído em plataformas, fendas e grutas, geralmente abrigadas.
Ameaças e conservação
Apesar da sua dieta ser relativamente flexível, a espécie depende de determinadas presas e a escassez destes recursos pode comprometer a sua sobrevivência (BirdLife International 2025). As alterações climáticas contribuem para a redução de presas e para o aumento da frequência de eventos climáticos extremos. A poluição por hidrocarbonetos provoca mortalidade direta e impactos ecológicos indiretos no habitat (Velando et al. 2005). A espécie é ainda vulnerável à competição com a pesca comercial por explorarem presas em comum (Nascimento et al. 2021; Nascimento et al. 2023b). Esta sobreposição trófica é especialmente relevante durante o inverno, quando a disponibilidade de presas poderá ser mais baixa. A espécie é também vulnerável à captura acidental em redes de emalhar e palangre (Oliveira et al. 2021).
Autor
Tânia Nascimento
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
SPEA BirdLife
Zino F, Biscoito MJ & Zino PA (1995a). Birds of the archipelago of Madeira and the Selvagens. New records and checklist. Boletim do Museu Municipal do Funchal 47(262): 61-100. Bibliografia:
Wetlands International (2025). Waterbird Population Estimates. Disponível em http://wpe.wetlands.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Velando A, Munilla I & Leyenda PM (2005). Short-term indirect effects of the 'Prestige' oil spill on European Shags: changes in availability of prey. Marine Ecology Progress Series 302: 263-274. Bibliografia:
Oliveira N, Almeida A, Alonso H, Constantino E, Ferreira A, Gutierrez I, Santos AL, Silva E & Andrade J (2021). A contribution to reducing bycatch in a high priority area for seabird conservation in Portugal. Bird Conservation International 31(4): 553-572. Bibliografia:
Nascimento T, Oliveira N & Luís A (2023b). Spatial overlap between the European Shag and commercial fisheries in a special protected area: implications for conservation. Fisheries Research 263: 106689. Bibliografia:
Nascimento T, Oliveira N & Luís A (2021). Hey, that's my fish – Overlap in prey composition between European Shag and local fisheries in Portugal. Ardea 109(1): 77-90. Bibliografia:
Meirinho A, Barros N, Oliveira N, Catry P, Lecoq M, Paiva V, Geraldes P, Granadeiro JP, Ramírez I & Andrade J (2014). Atlas das Aves Marinhas de Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Bibliografia:
Equipa Atlas (2022). III Atlas das Aves Nidificantes de Portugal (2016-2021). SPEA, ICNF, LabOr/UÉ, IFCN. Portugal. Bibliografia:
del Moral JC & Oliveira N (2019). A galheta na Península Ibérica. População reprodutora em 2017 e método de censo. SEO/BirdLife. Madrid Bibliografia:
Correia-Fagundes C, Romano H, Zino FJA & Biscoito M (2021). Birds of the archipelagos of Madeira and the Selvagens III. New records and checklist update (2010-2020). Boletim do Museu de História Natural do Funchal LXXI: 5-20. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Birding Azores (2022). Birding Azores database. Disponível em https://www.azoreswildlife.com/ e acedido a 23.12.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Glossário:
Organismo marinho, geralmente peixes, que passam a maior parte do tempo da sua vida no fundo do mar, associados ao substrato marinho, podendo ser arenoso ou rochoso. No entanto, estes organismos têm capacidade de natação ativa, diferenciando-se assim dos organismos bentónicos. Glossário:
Organismos que vivem associados ao fundo marinho ou sedimentos. Glossário:
Fenómenos meteorológicos intensos como tempestades, ondas de calor ou secas. Glossário:
Mudanças persistentes nos padrões climáticos globais ou regionais, influenciadas por fatores naturais e antropogénicos. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Monitorização dos movimentos de indivíduos através de dispositivos. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Medida do sucesso reprodutor de uma população, geralmente expressa como o número médio de crias produzidas por casal. Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
Refere-se à captura involuntária de espécies marinhas durante a pesca. Os animais podem ficar presos nos anzóis ou nas redes de pesca. Normalmente é associada à pesca comercial, mas também pode ocorrer na pesca lúdica. A captura acidental é uma das principais ameaças às aves marinhas no mar. Glossário:
Rede estática frequentemente invisível e com malhagem de dimensão variável, utilizada na captura de uma grande variedade de peixes. É deixada no mar a profundidade variável sendo posteriormente recolhida. É uma arte de pesca não seletiva que captura com muita frequência aves, mamíferos e répteis marinhos. Glossário:
Zona ou ambiente onde vivem normalmente os seres vivos que não dependem dos fundos marinhos. É o ambiente ecológico típico das águas oceânicas abertas. O ecossistema pelágico não abrange apenas o alto-mar, dele fazendo parte também as águas que cobrem a plataforma continental. A zona pelágica começa abaixo da zona de influência das marés, prolongando-se até ao alto-mar, em profundidades que variam desde algumas dezenas de metros até aproximadamente 6.000 metros, dividindo-se em diferentes camadas. Glossário:
Arte de pesca constituída por uma linha principal (madre) de onde derivam linhas secundárias às quais são fixados anzóis. É deixado no mar, podendo ser colocado no fundo para capturar espécies de profundidade (e.g. peixe-espada) ou à superfície para capturar os grandes peixes pelágicos (e.g. espadarte). Glossário:
Nome comum genérico atribuído a várias espécies de peixes ósseos do género Ammodytes.