Garajau-comum

Nome científico: Sterna hirundo

Espécies marinhas

Família laridae

Fenologia Continente
Reprodutor estival e migrador de passagem
Fenologia Madeira
Reprodutor estival e migrador de passagem
Fenologia Açores
Reprodutor estival
Estatuto UICN Global
LC
Estatuto Continente
EN
Estatuto Madeira
VU
Estatuto Açores
VU
Ilustração da espécie

Dados

Açores

Avaliação do indicador de Abundância

Mapas

Ocorrência | Primavera

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

O garajau-comum tem uma distribuição circumpolar, nidificando na maior parte da Europa, Ásia e América do Norte. Inverna nas costas da América do Sul, África, península Arábica, Índia, sudeste Asiático e Austrália (Billerman et al. 2026).

Em Portugal, nidifica entre abril e agosto, nos Açores e na Madeira. Nidifica ainda que de forma residual no continente, onde é mais frequente como migrador de passagem (Equipa Atlas 2022). A migração pré-nupcial decorre em abril e a migração pós-nupcial a partir de agosto até outubro, envolvendo sobretudo aves provenientes das Ilhas Britânicas, Mar do Norte e Escandinávia (Catry et al. 2010a). As populações açorianas invernam maioritariamente na América do Sul (Neves et al. 2002; Neves et al. 2015), enquanto as populações do centro e norte da Europa preferem a costa africana (Billerman et al. 2026).

Os dados de 10 aves equipadas com GLS em 2009 e 2012 nos Açores, Alemanha e na Suécia, mostram que as aves utilizaram as águas continentais e madeirenses maioritariamente durante as migrações pré e pós-reprodutoras. Já nos Açores, a ocorrência concentrou-se no período reprodutor, na área envolvente à colónia de origem, localizado no grupo central do arquipélago.

Abundância e evolução populacional

A população global foi estimada entre 1.600.000 a 3.600.000 indivíduos, dos quais 316.000 a 605.000 casais nidificam na Europa, com uma tendência desconhecida (BirdLife International 2025).

Os Açores albergam a maior população reprodutora de Portugal. Nidifica em todas as ilhas e apresenta um efetivo de 2.419 a 3.411 casais, com oscilações anuais consideráveis. Na região da Madeira as estimativas não ultrapassam os 1.000 casais. No continente, nidifica de forma pontual e em números reduzidos (Equipa Atlas 2022). Nesta região, a população migradora é mais expressiva, tendo-se registado um total de 700 aves durante a migração pós-nupcial em 2015, a partir do cabo Carvoeiro (Elmberg et al. 2020).

A avaliação do estado ambiental mostra que a população açoriana atingiu o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância. Em relação à situação no continente e na Madeira, os dados de abundância existentes não permitem avaliar o estado destas populações.

Ecologia e habitat

O garajau-comum alimenta-se sobretudo de pequenos peixes mesopelágicos (Granadeiro et al. 2002), preferencialmente em águas calmas e em baías relativamente abrigadas (Monticelli et al. 2006). Em Portugal continental, os locais de nidificação encontram-se em zonas de estuário, salinas e pisciculturas (Elias & Leitão 1992), enquanto que nos Açores e na Madeira, as colónias são geralmente instaladas em arribas costeiras e em ilhéus (Equipa Atlas 2022).

Ameaças e conservação

As principais ameaças incluem a perturbação humana nas áreas envolventes às colónias (Monteiro et al. 1996a) e a predação, tanto por espécies nativas, como os estorninhos (Neves et al. 2011b), como por mamíferos introduzidos (Amaral et al. 2010). A erradicação de mamíferos introduzidos é uma prioridade de conservação fundamental para assegurar a viabilidade das populações nidificantes (Bried et al. 2009b; Amaral et al. 2010).

Autores

Tânia Nascimento, Sissel Sjöberg

Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual

Alerstam et al. 2025, Gonzalez-Solis & Becker 2011, Neves et al. 2015