Garajau-de-bico-preto

Nome científico: Thalasseus sandvicensis

Espécies marinhas

Família laridae

Fenologia Continente
Invernante e migrador de passagem
Fenologia Madeira
Migrador de passagem
Fenologia Açores
Acidental
Estatuto UICN Global
LC
Estatuto Continente
LC
Estatuto Madeira
NA
Estatuto Açores
NA
Ilustração da espécie

Dados

Continente

Avaliação do indicador de Abundância

Mapas

Ocorrência | Primavera

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

O garajau-de-bico-preto nidifica na Eurásia, África e Américas. A população europeia nidifica entre maio e agosto, no litoral de grande parte do continente, e inverna desde França até à África do Sul, maioritariamente na costa africana (Billerman et al. 2026).

Em Portugal continental, ocorre durante a migração e invernada. Distribui-se preferencialmente pelas zonas costeiras, geralmente não se afastando para além dos limites da plataforma continental (Meirinho et al. 2014), embora algumas aves se aventurem por águas mais profundas (Fijn 2024). A maioria das aves presentes aqui, é oriunda das ilhas Britânicas e do Mar do Norte (Catry et al. 2010a). A migração pré-nupcial decorre entre março e junho, enquanto a pós-nupcial entre agosto e outubro. Nos Açores e Madeira é observado ocasionalmente durante as migrações, em áreas artificializadas como portos e marinas. O seguimento de 24 aves com GPS provenientes de colónias dos Países Baixos, confirma a utilização da costa continental em ambos os períodos fenológicos, com uma concentração interessante na zona da ria de Aveiro. Nota-se que não permaneceram durante a invernada. Também não se registou a sua ocorrência nos Açores e na Madeira.

Abundância e evolução populacional

A população global encontra-se estável e foi estimada entre 490.000 e 640.000 aves, das quais 79.900 a 148.000 casais nidifica na Europa (BirdLife International 2025).

É uma espécie abundante ao longo da costa de Portugal continental. Ocasionalmente utiliza zonas húmidas costeiras como locais de paragem, podendo formar concentrações elevadas, chegando ao milhar de indivíduos (Farinha & Costa 1999). Durante a migração pós-nupcial em 2015, foram contadas 5.661 aves em passagem para sul, a partir do cabo Carvoeiro (Elmberg et al. 2020). Um número bastante mais reduzido de indivíduos inverna em Portugal, correspondendo a algumas centenas de aves (Equipa Atlas 2018). Com base nos dados usados para a avaliação do estado ambiental, obteve-se uma estimativa a rondar os 8.500 a 16.600 indivíduos para a plataforma continental em 2024. Apesar das oscilações no tamanho desta população ao longo dos últimos anos, a população do continente aparenta ter atingido o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância.

Ecologia e habitat

O garajau-de-bico-preto ocupa habitats costeiros durante as paragens migratórias, mas pode ser observado longe da costa durante a migração. Alimenta-se principalmente de pequenos peixes, podendo também capturar pequenos crustáceos marinhos e anelídeos (Billerman et al. 2026). Prefere ambientes marinhos abertos, mas é também frequentemente observado em zonas húmidas como estuários, lagoas costeiras, pisciculturas, salinas e sapais.

Ameaças e conservação

É particularmente vulnerável à perturbação humana nas colónias de reprodução (Billerman et al. 2026). A população europeia aparenta encontrar-se estável, apesar de ter sofrido declínios significativos em alguns países devido aos recentes surtos de gripe aviária (Knief et al. 2024; BirdLife International 2025). A espécie pode também ser sensível aos impactos dos parques eólicos oceânicos através da perturbação, risco de colisão, efeito de barreira e perda de habitat (Fijn 2024; van Bemmelen et al. 2024a).

Autores

Ruben Fijn, Tânia Nascimento

Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual

Ruben Fijn