Garajau-de-dorso-preto
Nome científico: Onychoprion fuscatus
Família laridae
- Fenologia Continente
- Acidental
- Fenologia Madeira
- Acidental
- Fenologia Açores
- Reprodutor estival
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
O garajau-de-dorso-preto nidifica em grande parte das ilhas tropicais e subtropicais de todos os oceanos (Billerman et al. 2026). No Paleártico Ocidental, a nidificação regular da espécie ocorre apenas nos Açores,entre abril e setembro, nos ilhéus da Praia (Graciosa) e da Vila (Santa Maria) (Equipa Atlas 2022). A espécie já foi observada noutras ilhas dos Açores, como Graciosa, São Miguel, São Jorge e Faial, embora sem indícios de nidificação. Na Madeira, os registos são escassos e concentram-se sobretudo nas Selvagens e na Deserta Grande, também sem evidências recentes de nidificação, apesar de ter sido confirmada na Selvagem Pequena, em 1982 (Roux 1983; Meirinho et al. 2014). No continente é uma espécie rara, existindo apenas dois registos formalmente aceites pelo Comité Português de Raridades (Robb et al. 2025). Não foi possível obter dados de seguimento individual que demonstrem a utilização da ZEE portuguesa.
Abundância e evolução populacional
A população global está estimada em cerca de 23 milhões de indivíduos maduros, com tendência populacional desconhecida (BirdLife International 2025). A presença do garajau-de-dorso-preto nos Açores é conhecida desde 1902 (Hartert & Ogilvie-Grant 1905), com as primeiras monitorizações da população reprodutora a partir da década de 1990. Nidifica de forma mais ou menos regular no Ilhéu da Praia, desde 2004, com variações interanuais entre um e dois casais, sendo o registo mais recente, em 2025, correspondente a dois casais. Um casal nidificou também no Ilhéu da Vila entre 1990 e 2006, não existindo desde então novos registos de reprodução. Apesar do tamanho populacional muito reduzido e da nidificação muito localizada, a população dos Açores atingiu o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância.
Ecologia e habitat
O garajau-de-dorso-preto nidifica no solo, em substrato de areia, rocha ou pouca vegetação, normalmente em áreas planas. Nos Açores, nidifica em colónias mistas de garajau-comum Sterna hirundo e garajau-rosado Sterna dougallii. Fora da época de reprodução é altamente pelágica. A dieta consiste principalmente em pequenos peixes e lulas, podendo alimentar-se ocasionalmente de crustáceos, insetos e rejeições da pesca (Billerman et al. 2026). Pode também associar-se a grandes peixes predadores que empurram as presas para a superfície (Higgins & Davies 1996).
Ameaças e conservação
A principal ameaça nas áreas de reprodução é a predação e a perturbação provocadas por espécies invasoras, dos quais se destacam ratos e gatos (BirdLife International 2025). No mar, as variações na temperatura da superfície do mar reduzem o sucesso na captura de presas, podendo ter impacto no sucesso reprodutor (Erwin & Congdon 2007). Em Portugal, a introdução de predadores nas áreas de reprodução representa um risco se não houver monitorização e medidas regulares de biossegurança, agravado pela perturbação humana e pela predação por outras aves nativas (Meirinho et al. 2003a; Meirinho et al. 2003b).
Autor
Tânia Nascimento
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
NA
Roux F (1983). Présence et reproduction de Laridés nouveaux aux îles Salvages. L’Oiseau et la R.F.O. 53: 291-292. Bibliografia:
Robb M, Alfrey P, Alves P, Cardoso H, Crochet PA, Fagerström V, Fernandes P, Nicolau P, Ramalho P & Valkenburg T (2025). Aves de ocorrência rara ou acidental em Portugal. Relatório do Comité Português de Raridades referente ao ano de 2023. Anuário Ornitológico 17: 3-37. Bibliografia:
Meirinho A, Pitta Groz M, Silva AG & Bolton M (2003b). Proposta de Plano de Gestão da Zona de Protecção Especial Ilhéu da Vila. Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, Horta. Bibliografia:
Meirinho A, Pitta Groz M & Silva AG (2003a). Proposta de Plano de Gestão da Zona de Protecção Especial Ilhéu da Praia. Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, Horta. Bibliografia:
Meirinho A, Barros N, Oliveira N, Catry P, Lecoq M, Paiva V, Geraldes P, Granadeiro JP, Ramírez I & Andrade J (2014). Atlas das Aves Marinhas de Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Bibliografia:
Hartert E & Ogilvie-Grant WR (1905). On the birds of the Azores. Novitates Zoologicae XII: 80-128. Bibliografia:
Erwin CA & Congdon BC (2007). Day-to-day variation in sea-surface temperature reduces sooty tern Sterna fuscata foraging success on the Great Barrier Reef, Australia. Marine Ecology Progress Series 331: 255-266. Bibliografia:
Equipa Atlas (2022). III Atlas das Aves Nidificantes de Portugal (2016-2021). SPEA, ICNF, LabOr/UÉ, IFCN. Portugal. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Glossário:
Indivíduos capazes de se reproduzir, utilizados como referência em estimativas populacionais. Glossário:
Grupo de artrópodes marinhos importantes na cadeia alimentar marinha. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Monitorização dos movimentos de indivíduos através de dispositivos. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma ZEE de espaço marítimo para além das suas águas territoriais. A ZEE nacional é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas náuticas da costa e separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Dentro da sua ZEE, cada estado goza de direitos como: o direito à exploração dos recursos marinhos, o direito à investigação científica e o direito a controlar a pesca por parte de embarcações estrangeiras. Glossário:
Porção do pescado capturado em embarcações de pesca comercial que é devolvido ao mar, muitas vezes morto ou moribundo. Os peixes rejeitados pertencem muitas vezes a espécies sem valor comercial, indivíduos abaixo do tamanho mínimo de captura permitido por lei, ou a indivíduos cujo desembarque não é permitido, por exemplo devido a restrições de quota. Pode também ser composto por partes do pescado, designadamente vísceras e cabeças, que após o processamento a bordo, são rejeitadas e deitadas ao mar. As rejeições têm um forte impacto no ecossistema marinho, e definem muitos aspetos da distribuição, procura de alimento e dinâmica populacional das aves marinhas, nomeadamente de indivíduos e espécies que têm como hábito seguir embarcações. Glossário:
Zona ou ambiente onde vivem normalmente os seres vivos que não dependem dos fundos marinhos. É o ambiente ecológico típico das águas oceânicas abertas. O ecossistema pelágico não abrange apenas o alto-mar, dele fazendo parte também as águas que cobrem a plataforma continental. A zona pelágica começa abaixo da zona de influência das marés, prolongando-se até ao alto-mar, em profundidades que variam desde algumas dezenas de metros até aproximadamente 6.000 metros, dividindo-se em diferentes camadas. Glossário:
Designação geralmente atribuída a uma espécie introduzida de forma deliberada ou acidental num determinado local ou região fora da sua área de distribuição original. Consoante a sua adaptação aos novos locais, uma espécie introduzida pode ou não naturalizar-se e proliferar.