Garajau-do-árctico

Nome científico: Sterna paradisaea

Espécies marinhas

Família laridae

Fenologia Continente
Migrador de passagem
Fenologia Madeira
Migrador de passagem
Fenologia Açores
Migrador de passagem
Estatuto UICN Global
LC
Estatuto Continente
NE
Estatuto Madeira
NE
Estatuto Açores
NE
Ilustração da espécie

Mapas

Ocorrência | Primavera

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

Durante a época de reprodução, entre maio e agosto, o garajau-do-árctico tem uma distribuição circum-ártica, migrando para águas subantárticas e antárticas, para passar a invernada (Billerman et al. 2026). Efetua uma das mais longas migrações conhecidas, percorrendo mais de 80.000 km por ano (Egevang et al. 2010). É durante estas longas viagens que a espécie ocorre em Portugal, preferindo águas marcadamente pelágicas (Fijn et al. 2013; Meirinho et al. 2014). A migração pré-nupcial dá-se entre março e maio e a migração pós-nupcial entre agosto e outubro, sendo em setembro, o período que a espécie ocorre com maior expressão junto à costa continental (Catry et al. 2010a; Elmberg et al. 2020).

O seguimento individual de 25 aves provenientes de colónias da Gronelândia, Países Baixos e Reino Unido, equipadas com dispositivos GLS, confirma a utilização extensa da ZEE portuguesa nos dois períodos migratórios, mostrando uma maior ocorrência nas subáreas dos Açores e da Madeira durante a migração pré-nupcial, coincidindo com o final do período não reprodutor. Ao passo que a região continental foi usada unicamente durante a fase final do período reprodutor, em agosto, provavelmente por aves que anteciparam o início da migração.

Abundância e evolução populacional

A população global foi estimada em mais de 2.000.000 de aves, das quais 564.000 a 906.000 casais nidificam na Europa, apresentando uma tendência decrescente (BirdLife International 2025).

Não existe muita informação acerca do número de garajaus-do-árctico que ocorrem na ZEE portuguesa, sendo geralmente observados isoladamente ou em bandos com poucos indivíduos. No continente, as observações da espécie a partir de terra, ocorrem no seguimento de tempestades e passagens de frentes frias com ventos fortes do quadrante oeste (Moore 2000). Durante a migração pós-nupcial em 2015, foram contadas 1.003 aves em passagem para sul, a partir do cabo Carvoeiro (Elmberg et al. 2020). Nos Açores e na Madeira existem alguns registos (Meirinho et al. 2014). No entanto, a inexistência de informação sistematizada acerca da sua abundância e evolução populacional, impediu a avaliação do estado ambiental da espécie para a ZEE portuguesa.

Ecologia e habitat

O garajau-do-árctico nidifica no solo em ilhas, mas também afastado da costa, em lagos e outras zonas húmidas. Nidifica nas regiões árticas e no norte das regiões temperadas (Billerman et al. 2026). As colónias podem variar desde poucos casais até centenas ou milhares de aves. Em Portugal, ocorre durante a migração ao longo da ZEE, em áreas pelágicas, maioritariamente longe de terra. Alimenta-se à superfície e a sua dieta consiste em pequenos peixes, crustáceos, moluscos e insetos.

Ameaças e conservação

As ameaças potenciais à espécie estão provavelmente relacionadas com o efeito das alterações climáticas nas zonas de nidificação e nos ecossistemas árticos, que poderão levar à diminuição da disponibilidade alimentar (Møller et al. 2006) ou à redução do habitat disponível para nidificação. Existe uma forte relação entre o sucesso reprodutor e a disponibilidade de presas. Algumas populações têm sido afetadas pelo colapso das suas presas principais (e.g. galeotas), diminuindo ou inviabilizando de todo a reprodução (Billerman et al. 2026). Em algumas colónias, os ovos e as crias estão sujeitos à predação por predadores invasores, como o visão-americano Neovison vison. Para Portugal não estão identificadas ameaças.

Autores

Joanne Morten, Ruben Fijn, Tânia Nascimento

Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual

Egevang 2008, Fijn et al. 2013, Morten et al. 2018, Redfern 2018b, Redfern 2018c