Garajau-grande

Nome científico: Hydroprogne caspia

Espécies marinhas

Família laridae

Fenologia Continente
Invernante e migrador de passagem
Fenologia Madeira
Acidental
Fenologia Açores
Acidental
Estatuto UICN Global
NE
Estatuto Continente
VU
Estatuto Madeira
NA
Estatuto Açores
NA
Ilustração da espécie

Mapas

Distribuição | Não reprodutor

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

O garajau-grande tem uma ampla distribuição, nidificando entre abril e junho em grandes lagos e costas marinhas da América do Norte e, localmente, na Europa, Ásia, África e Australásia (Billerman et al. 2026). As populações do hemisfério norte são migradoras, invernando em regiões tropicais, enquanto as africanas e as da Austrálasia são maioritariamente residentes ou fazem dispersões curtas. Em Portugal continental, ocorre como invernante e migrador de passagem pouco abundante, sendo mais regular entre agosto e março no Algarve, em estuários, zonas húmidas e salinas (Catry et al. 2010a). As aves que ocorrem nesta região têm origem, maioritariamente, nas colónias do mar Báltico e invernam sobretudo na África Ocidental (Rueda‐Uribe et al. 2021). Com base nos dados de quatro aves equipadas com GPS em 2018 e 2019, provenientes de colónias na Suécia e Finlândia, verificou-se a utilização da ZEE portuguesa na região sul da subárea continental durante os dois períodos migratórios, mas com uma ocorrência mais prolongada durante o período pós-nupcial. Estes dados não mostram a utilização das subáreas dos Açores e da Madeira, apesar de haver algumas, mas poucas, observações da espécie nas duas regiões (Correia-Fagundes et al. 2021; Birding Azores 2022).

Abundância e evolução populacional

A população global foi estimada entre 250.000 a 470.000 indivíduos, ocorrendo na Europa cerca de 11.800 a 14.800 casais (BirdLife International 2025). A tendência populacional global é crescente, embora algumas populações apresentem um declínio, como é o caso das populações do mar Báltico (Rueda‐Uribe et al. 2021). Outras mostram alguma estabilidade ou mesmo tendências desconhecidas (BirdLife International 2025).

Em Portugal continental, é mais abundante durante as passagens migratórias, apresentando uma população invernante reduzida. Contudo, não existem estimativas da sua abundância ou tendências populacionais, o que inviabilizou a avaliação do seu estado ambiental. A mesma situação aplica-se às regiões dos Açores e da Madeira.

Ecologia e habitat

O garajau-grande nidifica em praias arenosas ou pedregosas, dunas, superfícies rochosas planas, recifes abrigados ou ilhas com vegetação escassa e águas rasas e pouco perturbadas (Billerman et al. 2026). A espécie alimenta-se principalmente de peixes, complementando com outros recursos animais, incluindo crias de aves, carcaças e invertebrados (Shuford & Craig 2002). No inverno, concentra-se principalmente na faixa costeira, utilizando costas abrigadas e zonas húmidas costeiras, mas podendo também ocorrer em áreas húmidas interiores.

Ameaças e conservação

As principais ameaças para a espécie incluem a perda de habitat e locais de nidificação e alterações climáticas, uma vez que os ecossistemas costeiros e de água doce de que dependem têm sido degradados por atividades humanas, incluindo poluição, acidificação, aumento da temperatura da água e alterações hidrológicas (Rueda‐Uribe et al. 2021). Também são especialmente vulneráveis à perturbação humana, bem como à redução da disponibilidade de peixes pela sobrepesca (Shuford & Craig 2002). Em Portugal não foram identificadas ameaças diretas, mas é essencial manter a proteção de zonas húmidas e a monitorização de áreas de descanso e alimentação (Catry et al. 2010a).

Autor

Inês Lacerda

Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual

Byholm et al. 2022, Åkesson et al. 2022