Garajau-rosado
Nome científico: Sterna dougallii
Família laridae
- Fenologia Continente
- Migrador de passagem
- Fenologia Madeira
- Reprodutor estival e migrador de passagem
- Fenologia Açores
- Reprodutor estival e migrador de passagem
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Mapas
Ocorrência | Primavera
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Período de dados / número de indivíduos:
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Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
O garajau-rosado reproduz-se de forma dispersa por regiões tropicais e subtropicais dos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico (Billerman et al. 2026). Em Portugal, nidifica entre abril e julho nos Açores e, de forma residual, na ilha da Madeira. Após a reprodução, as aves que nidificam nos Açores aparentam invernar na costa ocidental africana ou na costa da América do Sul (Hays et al. 2002). No continente, os registos ocorrem sobretudo a partir de agosto, durante a migração pós-nupcial de aves que nidificam no norte da Europa. Este padrão é corroborado pelos dados de seguimento individual de 26 aves do Reino Unido e da Irlanda equipadas com dispositivos GLS, que utilizaram a ZEE portuguesa maioritariamente durante o período não reprodutor, mais concretamente durante a migração pós-nupcial. Estas aves ocorreram principalmente na subárea continental e a leste da Madeira.
Abundância e evolução populacional
A população global foi estimada entre 200.000 e 220.000 indivíduos, dos quais 2.300 a 2.900 casais nidificam na Europa. As maiores colónias concentram-se na Irlanda e nos Açores (BirdLife International 2025).
Na Madeira, a nidificação é irregular, ocorrendo de forma dispersa na ilha da Madeira e não superando os 50 casais (Catry et al. 2010b; Equipa Atlas 2022). Nos Açores, nidifica em todas as ilhas, sendo mais abundante nas Flores, na Graciosa, na Terceira e em Santa Maria. Os censos anuais revelam oscilações consideráveis, com uma estimativa atual que ronda os 535 a 1.068 casais, evidenciando um ligeiro decréscimo (Equipa Atlas 2022). Este padrão foi igualmente corroborado pela avaliação apresentada neste trabalho, que indica que a espécie não atingiu o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância. Em relação à situação no continente e na Madeira, não existe informação acerca da abundância que permita avaliar o seu estado ambiental. Salienta-se apenas a contagem de 1.003 aves durante a migração pós-nupcial em 2015, a partir do cabo Carvoeiro (Elmberg et al. 2020).
Ecologia e habitat
A espécie nidifica em diversos habitats costeiros, selecionando locais próximos de zonas de alimentação pouco profundas e abrigadas. Fora da época reprodutora utiliza estuários e águas costeiras, migrando posteriormente para costas tropicais (BirdLife International 2025).
Durante a reprodução, alimenta-se perto das colónias, capturando pequenos peixes pelágicos e mesopelágicos, em ambientes costeiros e oceânicos, podendo estar associados ao garajau-comum (Ramos et al. 1998; Monticelli et al. 2006).
Ameaças e conservação
Nos Açores, a principal ameaça é a predação de adultos, ovos e crias por mamíferos introduzidos, como ratos e gatos (Lamelas-López et al. 2021). O sucesso reprodutor também é afetado pela destruição e degradação de habitat, incluindo a presença de plantas invasoras e a erosão do solo por coelhos, perturbação devido ao acesso humano às colónias e predação por espécies nativas (Monteiro et al. 1996a; Cabral et al. 2005; Amaral et al. 2010; Neves et al. 2011b). Em 2021 foi adotado um novo plano internacional para a conservação da espécie (Piec & Dunn 2021). Várias ações de conservação estão a ser implementadas em algumas colónias, incluindo o controlo das populações de gaivotas, roedores e gatos (Lamelas-López et al. 2021) e o restauro do habitat (Bried et al. 2009a).
Autor
Tânia Nascimento
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Ramos JA, Solá E, Monteiro LR & Ratcliffe N (1998). Prey delivered to roseate tern chicks in the Azores. Journal of Field Ornithology 69: 419-429. Bibliografia:
Piec D & Dunn EK (2021). International (East Atlantic) Species Action Plan for the Conservation of the roseate tern Sterna dougallii (2021-2030). Developed under the framework of the Roseate Tern LIFE Project (LIFE14 NAT/UK/000394). European Commission 2021. Bibliografia:
Neves VC, Panagiotakopoulos S & Ratcliffe N (2011b). Predation on roseate tern eggs by European starlings in the Azores. Arquipelago - Life and Marine Sciences 28: 15-23. Bibliografia:
Monticelli D, Ramos JA & Pereira J (2006). Habitat use and foraging success of roseate and common terns in flocks in the Azores. Ardeola 53(2): 293-306. Bibliografia:
Monteiro LR, Ramos JA, Furness RW (1996a). Past and present status and conservation of the seabirds breeding in the Azores Archipelago. Biological Conservation 78: 319–328. Bibliografia:
Lamelas-López L, Pietrzak M, Ferreira M & Neves VC (2021). Threats and conservation status of common and roseate terns Sterna hirundo/S. dougallii in the Azores: a case study for Terceira Island. Marine Ornithology 49: 301-309. Bibliografia:
Hays H, Neves V & Lima P (2002). Banded Roseate Terns from different continents trapped in the Azores. Journal of Field Ornithology 73: 180–184. Bibliografia:
Equipa Atlas (2022). III Atlas das Aves Nidificantes de Portugal (2016-2021). SPEA, ICNF, LabOr/UÉ, IFCN. Portugal. Bibliografia:
Elmberg J, Hirschfeld E, Cardoso H & Hessel R (2020). Seabird migration at Cabo Carvoeiro (Peniche, Portugal) in autumn 2015. Marine Ornithology 48: 231-244. Bibliografia:
Bried J, Magalhães MC, Bolton M, Neves VC, Bell E, Pereira JC, Aguiar L, Monteiro LR & Santos RS (2009a). Seabird habitat restoration on Praia Islet, Azores Archipelago. Ecological Restoration 27(1): 27–36. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Amaral JJS, Almeida S, Sequeira M & Neves VC (2010). Black rat Rattus rattus eradication by trapping allows recovery of breeding roseate tern Sterna dougallii and common tern S. hirundo populations on Feno Islet, the Azores, Portugal. Conservation Evidence 7: 16-20. Bibliografia:
Cabral MJ (coord.), Almeida J, Almeida PR, Dellinger T, Ferrand de Almeida N, Oliveira ME, Palmeirim JM, Queiroz AI, L Rogado L & Santos-Reis M (eds.) (2005). Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Instituto da Conservação da Natureza, Lisboa Bibliografia:
Catry P, Geraldes P, Pio JP & Almeida A (2010b). Aves marinhas da Selvagem Pequena e do Ilhéu de Fora: censos e notas, com destaque para a dieta da gaivota-de-patas-amarelas. Airo 20: 29-35 Dados:
Redfern C (2019). Dataset 1626: Roseate Tern, Sterna dougallii, Geolocator (GLS), Coquet, England, United Kingdom, 2018–2019. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1626/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Redfern C (2018a). Dataset 1627: Roseate Tern, Sterna dougallii, Geolocator (GLS), Rockabill, Rockabill, Ireland, 2017–2018. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1627/ e acedido a 30.11.2025. Glossário:
Processo de recuperação de ecossistemas degradados visando restabelecer a estrutura e função originais. Glossário:
Gestão populacional de espécies invasoras sem eliminação total. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Monitorização dos movimentos de indivíduos através de dispositivos. Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma ZEE de espaço marítimo para além das suas águas territoriais. A ZEE nacional é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas náuticas da costa e separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Dentro da sua ZEE, cada estado goza de direitos como: o direito à exploração dos recursos marinhos, o direito à investigação científica e o direito a controlar a pesca por parte de embarcações estrangeiras. Glossário:
Referente ao período que sucede reprodução. Glossário:
Zona ou ambiente onde vivem normalmente os seres vivos que não dependem dos fundos marinhos. É o ambiente ecológico típico das águas oceânicas abertas. O ecossistema pelágico não abrange apenas o alto-mar, dele fazendo parte também as águas que cobrem a plataforma continental. A zona pelágica começa abaixo da zona de influência das marés, prolongando-se até ao alto-mar, em profundidades que variam desde algumas dezenas de metros até aproximadamente 6.000 metros, dividindo-se em diferentes camadas. Glossário:
Organismo marinho que vive na faixa da coluna de água geralmente compreendida entre os 200 metros e os 1.000 metros de profundidade. Glossário:
Pequeno aparelho que se coloca nas aves para estudar os seus movimentos de larga escala (geralmente a migração), e que funciona através do registo da intensidade de luz (a partir da qual se estima a duração da noite e a hora do meio-dia local e, consequentemente, a latitude e a longitude em cada dia). Glossário:
Designação geralmente atribuída a uma espécie introduzida de forma deliberada ou acidental num determinado local ou região fora da sua área de distribuição original. Consoante a sua adaptação aos novos locais, uma espécie introduzida pode ou não naturalizar-se e proliferar.