Guincho

Nome científico: Larus ridibundus

Espécies marinhas

Família laridae

Fenologia Continente
Reprodutor estival, invernante e migrador de passagem
Fenologia Madeira
Invernante
Fenologia Açores
Invernante
Estatuto UICN Global
LC
Estatuto Continente
DD LC
Estatuto Madeira
NE
Estatuto Açores
NE
Ilustração da espécie

Dados

Continente

Avaliação do indicador de Abundância

Madeira

Avaliação do indicador de Abundância

Açores

Avaliação do indicador de Abundância

Mapas

Ocorrência | Inverno

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

O guincho nidifica, entre abril e julho, no nordeste da América do Norte e maioria da Eurásia, excluindo as regiões mais a norte e o sul da Ásia (Billerman et al. 2026). A maioria dos reprodutores da Eurásia migra para a costa sul da Eurásia e costa norte e centro de África, havendo algumas aves residentes. Em Portugal continental, a maioria dos indivíduos ocorre durante o outono e o inverno, rumando a norte em março e abril. Existe uma pequena população nidificante e alguns indivíduos não reprodutores permanecem por cá ao longo do ano (Leitão et al. 1997; Catry et al. 2010a). O guincho ocorre maioritariamente nas principais zonas húmidas litorais, destacando-se o estuário do Tejo (Equipa Atlas 2018). Ocorre também ao longo de toda a orla costeira, salinas e outras zonas húmidas interiores. No mar, parece ocorrer principalmente durante o inverno, usando quase exclusivamente a faixa costeira entre Cascais e Caminha (Meirinho et al. 2014). Nos Açores e na Madeira é um invernante regular (Equipa Atlas 2018; Correia-Fagundes et al. 2021).

Os dados de 15 aves equipadas com GLS em 2022 e 2025, em Espanha, confirmam a sua distribuição conhecida para o continente, salientando-se a dispersão de uma ave por águas mais profundas, atingindo a região da Madeira.

Abundância e evolução populacional

A população global foi estimada em 4,8 a 8,9 milhões de indivíduos, com a população europeia a apresentar um declínio moderado (Birdlife International 2025; Wetlands International 2025). Em Portugal, a nidificação é relativamente recente e está limitada ao continente, tendo sido estimada em 10 a 40 casais (Equipa Atlas 2022). Durante o inverno e o outono, é uma das gaivotas mais comuns em Portugal continental. A sua principal área de concentração localiza-se no estuário do Tejo (Equipa Atlas 2018), onde no passado foram registadas várias dezenas de milhares de indivíduos (Meirinho et al. 2014). Contudo, não existe informação sobre a sua situação atual. Na costa não estuarina continental, a contagem mais recente é de 1.338 indivíduos invernantes, em 2021 (Projeto Arenaria 2025). Nos Açores e na Madeira, são invernantes regulares. As populações invernantes no continente e nos Açores atingiram o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância, ao contrário do observado para a Madeira.

Ecologia e habitat

O guincho inverna maioritariamente em habitats costeiros, dando preferência a áreas estuarinas e lagunares, salinas, aquaculturas e praias junto à foz dos rios (Catry et al. 2010a). No interior surge em barragens, açudes, pastagens, terrenos agrícolas, aterros sanitários e estações de tratamento de águas residuais (Elias et al. 1998; Catry et al. 2010a; Martín-Vélez et al. 2024). No nosso país nidifica no interior, em zonas com espelhos de água criados artificialmente por barragens e represas. Nas ilhas, a espécie parece preferir as imediações dos portos. É uma espécie de hábitos oportunísticos que se alimenta essencialmente de invertebrados aquáticos (e.g. dípteros e moluscos) e terrestres (particularmente minhocas e insetos) e por vezes de peixes (Lourenço 2019; Billerman et al. 2026).

Ameaças e conservação

As ameaças mais relevantes para a espécie estão relacionadas com a perturbação, predação, gripe aviária, períodos de seca excessiva e contaminação nas áreas de nidificação. É dos poucos exemplos de aves marinhas que apresenta um estatuto de conservação de Informação Insuficiente para a população reprodutora (Equipa Atlas 2022), sendo urgente colmatar esta lacuna.

Autores

Víctor Martín-Vélez, Andy J. Green

Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual

Victor Martin Velez, Andy J. Green (CSIC)