Maçarico-das-rochas
Nome científico: Actitis hypoleucos
Família scolopacidae
- Fenologia Continente
- Reprodutor estival, invernante e migrador de passagem
- Fenologia Madeira
- Invernante e migrador de passagem
- Fenologia Açores
- Acidental
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Mapas
Arenaria | Inverno
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Período de dados / número de indivíduos:
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Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
O maçarico-das-rochas nidifica ao longo da Eurásia, incluindo Portugal continental, embora de forma localizada e fragmentada e mais frequentemente nas regiões sul e a este (Catry et al. 2010a; Billerman et al. 2026). Apresenta um fluxo migratório considerável em Portugal, sobretudo entre o verão e o início do outono (Alves et al. 2010; Catry et al. 2010a; Alves et al. 2011), de aves com origem provável em países da Europa Ocidental e Setentrional. No inverno, ocorre sobretudo no sul da Europa, concentrando-se maioritariamente em África e no sul da Ásia (Delany et al. 2009). Nestes períodos, a costa continental portuguesa, especialmente a sul, ganha relevância como área de ocorrência, incluindo em estuários, rias e lagunas costeiras. O comportamento migratório das aves nidificantes é pouco conhecido (Catry et al. 2010a), admitindo-se movimentos dispersivos. Nos territórios insulares ocorre de forma ocasional, durante o inverno ou migração (Madeira), ou acidental (Açores) (Equipa Atlas 2018).
Abundância e evolução populacional
A população europeia foi estimada entre 2.060.000 e 2.980.000 indivíduos maduros, aparentando estar estável (BirdLife International 2025), mas podendo ter sofrido um ligeiro decréscimo no passado (Delany et al. 2009). Em Portugal, o conhecimento disponível é insuficiente para produzir estimativas populacionais fiáveis. Contudo, aponta-se para a existência de 500 a 1.000 casais nidificantes. A tendência da população reprodutora no continente é considerada incerta ou possivelmente estável, embora haja evidências de uma contração da sua área de distribuição (Equipa Atlas 2022). A avaliação do estado ambiental para o indicador de abundância das populações invernantes indica esta estabilidade, tendo atingido o Bom Estado Ambiental. Em contraste, verifica-se um decréscimo acentuado na Madeira e um declínio gradual nos Açores, não tendo ambas atingido o Bom Estado Ambiental.
Ecologia e habitat
Durante a reprodução, em Portugal, frequenta sobretudo ribeiras do interior do país, de fluxo lento, com substrato pedregoso ou arenoso, e margens abertas, sem galerias ripícolas densas. Também ocorre associado a açudes e represas. Fora desta época ocorre em estuários, lagoas costeiras, salinas, e na costa marinha. Nas praias, associa-se a zonas rochosas, com uma faixa intermareal estreita, geralmente de forma isolada (Lourenço et al. 2013). Alimenta-se de anfípodes, poliquetas e decápodes (Arcas 2004).
Ameaças e conservação
O maçarico-das-rochas está classificado como Vulnerável para a população reprodutora, e Quase-ameaçado para a população invernante, em ambos os casos por apresentar uma população estimada inferior a 1.000 indivíduos (Almeida et al. 2022). Não existe informação concreta relativa a ameaças sobre a espécie, sendo provável que sofra com a crescente alteração das margens dos rios e perturbação por atividades humanas. A presença de pescadores desportivos ou pessoas em passeio, em especial nas zonas de nidificação pode, involuntariamente, perturbar as aves, fazendo falhar as suas tentativas de reprodução. Estas ameaças são extensíveis a outras populações europeias (Delany et al. 2009).
Autor
Pedro A. Salgueiro
Lourenço PM, Catry P, Lecoq M, Ramírez I & Granadeiro JP (2013). Role of disturbance, geology and other environmental factors in determining abundance and diversity in coastal avian communities during winter. Marine Ecology Progress Series 479: 223-234. Bibliografia:
Equipa Atlas (2022). III Atlas das Aves Nidificantes de Portugal (2016-2021). SPEA, ICNF, LabOr/UÉ, IFCN. Portugal. Bibliografia:
Equipa Atlas (2018). Atlas das Aves Invernantes e Migradoras de Portugal 2011-2013. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, LabOr- Laboratório de Ornitologia – ICAAM - Universidade de Évora, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (Madeira), Secretaria Regional da Energia, Ambiente e Turismo (Açores) e Associação Portuguesa de Anilhadores de Aves. Lisboa. Bibliografia:
Delany S, Dodman T, Stroud D & Scott D (2009). An atlas of wader population in Africa and western Eurasia. Wetlands International, Wageningen. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Arcas J (2004). Dieta y selección de presas del andarríos chico Actitis hypoleucos durante el invierno. Ardeola 51(1): 203-213. Bibliografia:
Alves JA, Dias M, Rocha A, Barreto B, Catry T, Costa H, Fernandes P, Ginja B, Glen K, Jara J, Martins R, Moniz F, Pardal S, Pereira T, Rodrigues J & Rolo M (2011). Monitorização das populações de aves aquáticas dos estuários do Tejo, Sado e Guadiana. Anuário Ornitólogico 8: 118-133. Bibliografia:
Alves JA, Dias M, Catry T, Costa H, Fernandes P, Martins R, Moniz F & Rocha A (2010). Monitorização das populações de aves aquáticas dos Estuários do Tejo e do Guadiana. Relatório do ano de 2009. Anuário Ornitólogico 7: 109-119. Bibliografia:
Almeida J, Godinho C, Leitão D & Lopes RJ (2022). Lista Vermelha das Aves de Portugal Continental. SPEA, ICNF, LabOR/UÉ, CIBIO/BIOPOLIS, Portugal. Bibliografia:
Catry P, Dias M, Phillips RA & Granadeiro JP (2011a). Different means to the same end: long-distance migrant seabirds from two colonies differ in behaviour, despite common wintering grounds. PLoS ONE 6: e26079 Glossário:
Indivíduos capazes de se reproduzir, utilizados como referência em estimativas populacionais. Glossário:
Ordem de crustáceos que inclui caranguejos, camarões e lagostins. Glossário:
Pequenos crustáceos abundantes em ambientes aquáticos e intertidais, importantes na cadeia alimentar marinha. Glossário:
Vegetação arbórea ou arbustiva associada às margens de rios e cursos de água. Glossário:
Zona costeira entre maré alta e maré baixa, sujeita a alternância de submersão e exposição. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
Vermes anelídeos pertencentes à classe Polichaeta.