Moleiro-do-árctico
Nome científico: Stercorarius pomarinus
Família stercorariidae
- Fenologia Continente
- Migrador de passagem
- Fenologia Madeira
- Migrador de passagem
- Fenologia Açores
- Migrador de passagem
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Mapas
Ocorrência | Primavera
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:>
Valor máximo:<
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:>
Valor máximo:>
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Escala
Valor mínimo:
Valor máximo:
Colónia(s) de origem:
Aparelho:
Período de dados / número de indivíduos:
Período de dados / número de indivíduos:
Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
O moleiro-do-árctico nidifica entre maio e agosto, no alto ártico da Eurásia e América do Norte, e inverna nas águas tropicais e subtropicais dos oceanos Atlântico, Índico e Pacifico, a ao longo das costas da Argentina, África do Sul e Austrália (Billerman et al. 2026). Em Portugal continental ocorre nas águas da plataforma e do talude continentais, podendo também ser observado em águas oceânicas ou junto à costa (Meirinho et al. 2014; Calderón & Fagundes 2022). É um migrador de passagem, com algumas aves ainda a ocorrerem no final da época reprodutora (provavelmente por a terem terminado antecipadamente) ou já durante a típica migração pós-nupcial, de julho a novembro, e em menor abundância durante a migração pré-nupcial, entre março e abril (Catry et al. 2010a). Nos Açores e na Madeira, é regular durante a migração pós-nupcial (Alfrey & Legrand 2025). Não foi possível obter dados de seguimento individual que demonstrem a utilização da ZEE portuguesa.
Abundância e evolução populacional
A população global foi estimada em cerca de 400.000 indivíduos maduros, com uma tendência estável, dos quais 20.000 casais nidificam na Europa (BirdLife International 2025). Não existe muita informação acerca do número de moleiros-do-árctico que ocorrem na ZEE portuguesa, apesar do aumento no número de observações, provavelmente como consequência do maior esforço de observação a partir de terra. Durante a migração pós-nupcial em 2015, foram contadas 1.124 aves em passagem para sul, a partir do cabo Carvoeiro (Elmberg et al. 2020). Com base nos dados usados para a avaliação do estado ambiental, obteve-se uma estimativa de cerca de 900 a 9.800 indivíduos para a plataforma continental em 2024. Apesar destes valores apresentarem grandes variações interanuais, a população do continente aparenta ter atingido o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância. No caso da Madeira e dos Açores, não existe informação acerca da sua evolução populacional, impedindo assim a avaliação do seu estado ambiental.
Ecologia e habitat
O moleiro-do-árctico nidifica de forma dispersa pela tundra ártica. Durante a reprodução alimenta-se preferencialmente de lemingues e outros roedores. Preda também ovos e crias de aves aquáticas (BirdLife International 2025). Durante o período não reprodutor mantém-se relativamente perto de costa em áreas de afloramento, consumindo maioritariamente peixes, por vezes através de cleptoparasitismo, mas também podendo predar pequenas aves marinhas (Billerman et al. 2026).
Ameaças e conservação
A população desta espécie encontra-se aparentemente estável, no entanto a produtividade é fortemente condicionada pela disponibilidade de lemingues, que podem sofrer flutuações acentuadas e declínios associados às mudanças climáticas. Embora o impacto futuro nas populações seja ainda desconhecido, existe potencial para efeitos negativos significativos na produtividade. Caso estes se mantenham ao longo de vários anos, poderão traduzir-se num declínio populacional (BirdLife International 2025).
Autor
Tânia Nascimento
Meirinho A, Barros N, Oliveira N, Catry P, Lecoq M, Paiva V, Geraldes P, Granadeiro JP, Ramírez I & Andrade J (2014). Atlas das Aves Marinhas de Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Bibliografia:
Elmberg J, Hirschfeld E, Cardoso H & Hessel R (2020). Seabird migration at Cabo Carvoeiro (Peniche, Portugal) in autumn 2015. Marine Ornithology 48: 231-244. Bibliografia:
Calderón J & Fagundes AI (2022). Seabird and Marine Mammal Monitoring Network (RAM). Report for 2020-2021 in Portugal mainland. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Lisboa. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Alfrey P & Legrand V (2025). Pelagic birding at Banco da Fortuna, Azores. Dutch Birding 47: 104-113. Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Glossário:
Indivíduos capazes de se reproduzir, utilizados como referência em estimativas populacionais. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Monitorização dos movimentos de indivíduos através de dispositivos. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Medida do sucesso reprodutor de uma população, geralmente expressa como o número médio de crias produzidas por casal. Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
É um termo que vem do inglês offshore, referindo-se às águas afastadas de costa, fora da plataforma continental. Usado em assuntos relacionados com as atividades marítimas, como por exemplo, a pesca, a indústria petrolífera e a exploração de energias renováveis. Estas águas caracterizam-se por serem localizadas em mar aberto, com elevadas profundidades e afastada das influências costeiras, como rios e estuários. Distinguem-se assim das águas costeiras. Glossário:
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma ZEE de espaço marítimo para além das suas águas territoriais. A ZEE nacional é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas náuticas da costa e separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Dentro da sua ZEE, cada estado goza de direitos como: o direito à exploração dos recursos marinhos, o direito à investigação científica e o direito a controlar a pesca por parte de embarcações estrangeiras. Glossário:
Nome dado às extensas planícies com vegetação rasteira, sem árvores, características das regiões árticas e subárticas. A tundra é geralmente uma região muito fria e com reduzida precipitação. Glossário:
Porção do fundo marinho com declive muito pronunciado que fica entre a plataforma continental e a margem continental, onde começam as planícies abissais. Glossário:
Referente ao período que antecede a reprodução. Glossário:
Referente ao período que sucede reprodução. Glossário:
Porção do fundo marinho que começa na linha de costa e desce, com um declive suave, até ao talude continental (onde o declive é muito mais pronunciado). Em média, a plataforma continental desce até uma profundidade de 200 metros. Glossário:
Nome atribuído a um grupo de pequenos roedores herbívoros encontrados na tundra ártica e nas regiões subárticas, pertencentes à família Cricetidae. Glossário:
Método de alimentação no qual um indivíduo rouba o alimento a outro. Glossário:
Fenómeno de interação entre o oceano e a atmosfera (do inglês upwelling), em que as águas superficiais quentes se afastam da costa e são substituídas por águas de fundo mais frias e ricas em nutrientes.