Moleiro-pequeno

Nome científico: Stercorarius parasiticus

Espécies marinhas

Família stercorariidae

Fenologia Continente
Invernante e migrador de passagem
Fenologia Madeira
Migrador de passagem
Fenologia Açores
Migrador de passagem
Estatuto UICN Global
LC
Estatuto Continente
NE
Estatuto Madeira
NE
Estatuto Açores
NE
Ilustração da espécie

Dados

Continente

Avaliação do indicador de Abundância

Mapas

Ocorrência | Primavera

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

O moleiro-pequeno nidifica entre maio e agosto, nas regiões árticas e subárticas, invernando maioritariamente no hemisfério sul ao largo das costas de vários continentes (Billerman et al. 2026), mas também em águas subtropicais (van Bemmelen et al. 2024b). Em Portugal, frequenta principalmente a costa continental ocidental, ocorrendo em especial durante a migração, mas também no inverno (Ramírez et al. 2008; Catry et al. 2010a), sendo esta região o limite mais setentrional da sua área de invernada no Oceano Atlântico (van Bemmelen et al. 2024b). Nos Açores, ocorre quase exclusivamente durante a migração, sobretudo de meados de julho até finais de outubro, sendo mais frequente em agosto e setembro. Na Madeira, ocorre sobretudo entre agosto e outubro (Meirinho et al. 2014).

O seguimento individual de 17 aves equipadas com dispositivos GLS, provenientes da Noruega e da Gronelândia, confirma a extensa utilização da ZEE portuguesa, principalmente durante o período não reprodutor. Podendo algumas aves ocorrerem antecipadamente, provavelmente por terem terminado a reprodução mais cedo.

Abundância e evolução populacional

A população europeia foi estimada entre 39.900 e 56.200 casais, representando 20% da população mundial (BirdLife International 2025) e com uma tendência decrescente (Langlois Lopez et al. 2026). Em Portugal continental, a observação a partir de terra é mais provável durante períodos de mau tempo, com ventos fortes do quadrante oeste, que aproximam as aves do litoral, chegando a observar-se centenas em certos dias (Moore 2000). Durante a migração pós-nupcial em 2015, foram contadas 1.146 aves em passagem para sul, a partir do cabo Carvoeiro (Elmberg et al. 2020). Com base nos dados usados para a avaliação do estado ambiental, obteve-se uma estimativa entre 8.700 e 27.200 indivíduos para a plataforma continental, em 2024.

A tendência negativa desta população aliada ao facto de não ter atingido o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância no continente, parece alinhar-se com as tendências negativas documentadas para várias populações ao longo da sua área de distribuição (Langlois Lopez et al. 2026). No caso da Madeira e dos Açores, não existe informação acerca da sua evolução populacional, impedindo assim a avaliação do seu estado ambiental.

Ecologia e habitat

Fora da época de reprodução, frequenta maioritariamente as águas da plataforma continental, ocorrendo também para lá desta (O’Hanlon et al. 2024; van Bemmelen et al. 2024b; Billerman et al. 2026). Pode nidificar de forma colonial ou solitária, em zonas costeiras ou em ilhas. Durante a época de reprodução, quando nidifica perto de colónias de outras aves marinhas, obtém uma parte considerável do seu alimento através de cleptoparasitismo. Na tundra, tem maioritariamente uma dieta generalista que inclui pequenos passeriformes e as suas crias, crias de limícolas e outras aves aquáticas, roedores, insetos e bagas (Billerman et al. 2026). Nas nossas águas rouba alimento a diversas espécies de aves marinhas, em particular garajaus e gaivotas (Catry et al. 2010a).

Ameaças e conservação

A espécie aparenta estar estável a nível global. Contudo tem sofrido declínios acentuados nas suas principais colónias, mais notoriamente no Atlântico Norte (Langlois et al. 2026). Esta tendência está provavelmente relacionada com reduções noutras espécies de aves marinhas. Nos territórios de nidificação pode ainda ser afetada pela perseguição humana (BirdLife International 2025).

Autores

Rob van Bemmelen, Olivier Gilg, Tânia Nascimento

Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual

Borge Moe & Sveinn Are Hansen, Olivier Gilg, Rob van Bemmelen