Negrola

Nome científico: Melanitta nigra

Espécies marinhas

Família anatidae

Fenologia Continente
Invernante e migrador de passagem
Fenologia Madeira
Acidental
Fenologia Açores
Acidental
Estatuto UICN Global
LC
Estatuto Continente
VU
Estatuto Madeira
NA
Estatuto Açores
NA
Ilustração da espécie

Dados

Continente

Avaliação do indicador de Abundância

Mapas

Ocorrência | Primavera

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

A negrola nidifica entre maio e setembro no norte do Reino Unido, leste da Gronelândia, na Islândia, na Escandinávia e no norte da Rússia (Billerman et al. 2026). Em Portugal continental tem uma distribuição estritamente marinha, podendo ocorrer praticamente ao longo de todo o ano. No entanto, é durante o inverno e nos períodos migratórios que a população tem maior expressão. No inverno concentra-se principalmente entre o cabo Mondego e Espinho (Meirinho et al. 2014; Jesus 2018). A migração pré-nupcial decorre principalmente de março a abril, enquanto a migração pós-nupcial faz-se notar pelo menos desde agosto até outubro (Catry et al. 2010a). Durante a migração ocorre praticamente ao longo de toda a costa (Meirinho et al. 2014), possivelmente devido aos movimentos de algumas aves para outras áreas de invernada localizadas mais a sul, nomeadamente a costa atlântica de Marrocos (Aðalsteinsson et al. 2025). Este padrão é igualmente sugerido pelos dados de seguimento individual apresentados no presente trabalho, apesar de se restringir a apenas duas aves, marcadas em 2009-2013 com aparelhos GLS, na Islândia. Nos Açores e na Madeira, ocorre ocasionalmente nas águas costeiras da maior parte das ilhas, entre o outono e a primavera (Correia-Fagundes et al. 2021; Birding Azores 2022).

Abundância e evolução populacional

A população global foi estimada em cerca de 1.600.000 indivíduos, com uma tendência desconhecida (BirdLife International 2025). Em Portugal continental, é mais abundante a norte, tendo sido estimada recentemente uma população de 20.000 a 21.000 indivíduos, entre a foz do Douro e a Nazaré (Jesus 2018). É frequentemente observada em bandos numerosos de dezenas a muitas centenas de aves (Rufino & Neves 1990; Petronilho et al. 2004). Apesar da ausência de estimativas recentes na metade sul do país, historicamente essa população não ultrapassaria as três centenas de aves (Rufino & Neves 2004). Em termos gerais, a população parece ter sofrido várias oscilações ao longo das últimas décadas, mantendo uma tendência estável, sendo coincidente com o Bom Estado Ambiental resultante da avaliação presente neste trabalho. Já nos Açores e na Madeira, o efetivo populacional é muito escasso, quer no inverno, quer durante a migração (Equipa Atlas 2018), não havendo informação acerca da evolução destas populações.

Ecologia e habitat

A negrola é o único pato marinho que inverna regularmente em Portugal, frequentando geralmente águas costeiras pouco profundas, com fundos arenosos. Alimenta-se normalmente logo após a zona de rebentação e até dois ou três quilómetros da linha de costa. Os moluscos, principalmente bivalves, são a sua principal presa, que captura mergulhando geralmente até aos 10 a 20 metros de profundidade (Billerman et al. 2026).

Ameaças e conservação

A nível global, a negrola parece ser particularmente vulnerável aos derrames de petróleo e à poluição crónica por hidrocarbonetos, nas suas áreas de invernada. As alterações climáticas também parecem ter um impacto negativo, provocando a perda de habitat e a degradação dos ecossistemas que explora. Em Portugal, a sobreexploração de bivalves é considerada a sua principal ameaça (Cabral et al. 2005). Contudo, não existem dados concretos sobre a sua dieta no nosso país (Catry et al. 2010a). A captura acidental em artes de pesca, nomeadamente na arte de xávega e em redes de emalhar, é também uma pressão documentada para as nossas águas (Oliveira et al. 2015). Todas estas ameaças coincidem com as causas apontadas para a entrada de negrolas em centros de recuperação, incluindo a plumagem em mau estado, o emagrecimento, o emaranhamento em apetrechos de pesca, os danos físicos e a toxicidade (Costa et al. 2021).

Autores

Ib Krag Petersen, Nuno Oliveira

Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual

Ib Krag Petersen