Ostraceiro
Nome científico: Haematopus ostralegus
Família haematopodidae
- Fenologia Continente
- Invernante e migrador de passagem
- Fenologia Madeira
- Acidental
- Fenologia Açores
- Acidental
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Mapas
Arenaria | Inverno
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Período de dados / número de indivíduos:
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Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
O ostraceiro nidifica de abril a setembro em quase todo o continente europeu, sobretudo no litoral, e em vastas áreas da Ásia (Billerman et al. 2026). A generalidade da população europeia migra distâncias relativamente curtas, no entanto, uns quantos migradores de longa distância chegam à África Ocidental (Delany et al. 2009). As aves que invernam em Portugal continental provêm do norte da Europa (Escandinávia e Islândia) e do litoral do centro-norte da Europa (Reino Unido, Alemanha e Holanda). Aqui, os ostraceiros começam a ser mais abundantes a partir de agosto, atingindo valores máximos no inverno. Ocorrem também durante os períodos migratórios, sendo que algumas aves não-reprodutoras permanecem ao longo da época reprodutora (Catry et al. 2010a). A espécie ocorre predominantemente na faixa litoral, preferencialmente na Ria Formosa e estuário do Sado, mas também nos estuários do Minho e Tejo, Rias de Aveiro e Alvor, lagoa de Óbidos e costa de Aljezur, ocorrendo pontualmente na restante costa não estuarina (Meirinho et al. 2014; Equipa Atlas 2018). Já nos Açores e na Madeira, a espécie ocorre de forma acidental durante o inverno especialmente durante as migrações.
Abundância e evolução populacional
A população global foi estimada entre 925.000 e 1.030.000 indivíduos (Wetlands International 2025), com uma tendência decrescente (BirdLife International 2025). Em Portugal continental, o ostraceiro nidificou durante a primeira metade do século XX, nomeadamente no estuário do Sado, onde se viria a extinguir devido à provável perseguição e pilhagem de ovos (Catry et al. 2010a). A população invernante foi estimada em 1.240 indivíduos (Equipa Atlas 2018), dos quais cerca de 170 utilizam a orla marinha do continente (Lecoq et al. 2013). A Ria Formosa seguida pelo estuário do Sado albergam 3/4 dos efetivos nacionais. Esta população deverá ter aumentado no final do século XX (Catry et al. 2010a), concordando com o Bom Estado Ambiental atingido para o indicador da abundância. Nos Açores e na Madeira a espécie ocorre muito raramente (Equipa Atlas 2018), no entanto, a população açoriana aparenta ter atingido o Bom Estado Ambiental. Já no caso da Madeira, a informação disponível não permitiu fazer esta avaliação.
Ecologia e habitat
Durante a invernada em Portugal, ocorre principalmente em zonas húmidas costeiras. Uma menor porção utiliza o litoral marinho, sobretudo em zonas com amplas faixas rochosas na zona entre-marés (Lourenço et al. 2013). Alimenta-se essencialmente em sedimentos móveis de invertebrados, como amêijoas, lingueirões e poliquetas (Cidraes-Vieira 1992). No litoral português, a dieta deverá ser semelhante à registada noutras áreas, onde é dominada por moluscos, nomeadamente mexilhões, lapas e pequenos búzios (Billerman et al. 2026).
Ameaças e conservação
A nível global, a maior ameaça para esta espécie parece estar relacionada com a sobre-exploração de moluscos bentónicos e no desaparecimento de algumas das espécies chave da sua dieta (BirdLife International 2025). A degradação do habitat, através da poluição e alterações nas dinâmicas costeiras e uso do solo, é outra ameaça a que estão sujeitos nos seus locais de invernada. Os ostraceiros evitam ativamente zonas com perturbação, não havendo no entanto, uma relação entre a presença humana e a ocorrência desta espécie na costa portuguesa (Lourenço et al. 2013). Ainda assim, é de admitir que a crescente utilização das praias nacionais durante o inverno, para atividades recreativas, possa ter algum impacto sobre esta espécie.
Autor
Nuno Oliveira
Wetlands International (2025). Waterbird Population Estimates. Disponível em http://wpe.wetlands.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Meirinho A, Barros N, Oliveira N, Catry P, Lecoq M, Paiva V, Geraldes P, Granadeiro JP, Ramírez I & Andrade J (2014). Atlas das Aves Marinhas de Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Bibliografia:
Lourenço PM, Catry P, Lecoq M, Ramírez I & Granadeiro JP (2013). Role of disturbance, geology and other environmental factors in determining abundance and diversity in coastal avian communities during winter. Marine Ecology Progress Series 479: 223-234. Bibliografia:
Lecoq M, Lourenço PM, Catry P, Andrade J & Granadeiro JP (2013). Wintering waders on the Portuguese mainland non-estuarine coast: results of the 2009-2011 survey. Wader Study Group Bulletin 120: 66-70. Bibliografia:
Equipa Atlas (2018). Atlas das Aves Invernantes e Migradoras de Portugal 2011-2013. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, LabOr- Laboratório de Ornitologia – ICAAM - Universidade de Évora, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (Madeira), Secretaria Regional da Energia, Ambiente e Turismo (Açores) e Associação Portuguesa de Anilhadores de Aves. Lisboa. Bibliografia:
Delany S, Dodman T, Stroud D & Scott D (2009). An atlas of wader population in Africa and western Eurasia. Wetlands International, Wageningen. Bibliografia:
Cidraes-Vieira N (1992). Ecologia do ostraceiro Haematopus ostralegus na Ria Formosa - flutuações populacionais, alimentação e impacto na moluscicultura. Relatório de Estágio. Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Lisboa. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Glossário:
Organismos que vivem associados ao fundo marinho ou sedimentos. Glossário:
Faixa costeira que fica exposta durante a maré baixa e submersa durante a maré alta. Glossário:
Áreas onde as aves permanecem fora da época reprodutora, geralmente associadas a condições favoráveis de alimentação e sobrevivência. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Vermes anelídeos pertencentes à classe Polichaeta. Glossário:
Período geralmente correspondente aos meses de inverno, podendo incluir parte do outono.