Painho-de-cauda-forcada
Nome científico: Hydrobates leucorhous
Família hydrobatidae
- Fenologia Continente
- Migrador de passagem
- Fenologia Madeira
- Migrador de passagem
- Fenologia Açores
- Migrador de passagem
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Mapas
Ocorrência | Primavera
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Período de dados / número de indivíduos:
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Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
O painho-de-cauda-forcada nidifica em ilhas oceânicas do Atlântico Norte, do Pacífico Norte e da África do Sul (Billerman et al. 2026). A época de reprodução da população do Atlântico Norte ocorre entre maio e setembro, a partir do qual migra em direção ao Atlântico tropical, ocasionalmente atingindo a África do Sul e o Índico Ocidental. Nesta época, a pequena porção da população que passa pelas águas de Portugal parece preferir áreas de mar profundo (Meirinho et al. 2014), sendo observada junto à costa continental após grandes tempestades (Catry et al. 2010a). No inverno, a distribuição volta a ser mais reduzida, embora algumas aves permaneçam nos Açores (Hurling et al. 2024). Posteriormente, durante a migração primaveril, volta a ocorrer de forma mais abundante em águas mais profundas. A partir do seguimento individual de um número reduzido de 8 aves com dispositivos GLS, provenientes de duas colónias no Canadá, no ano de 2012, confirma-se a utilização da ZEE portuguesa durante os períodos migratórios, especialmente na subárea dos Açores, e com menos frequência, na subárea da Madeira.
Abundância e evolução populacional
A população global de painho-de-cauda-forcada foi estimada em cerca de 6,7 a 8,3 milhões de casais, apresentando um decréscimo muito acentuado nas principais colónias de reprodução (BirdLife International 2025). A sua ocorrência está relativamente bem documentada para a faixa costeira de Portugal continental, surgindo após fortes tempestades que ocorram durante o outono e o inverno. Durante esse período é igualmente comum nos Açores e Madeira. No entanto, não existe informação acerca da sua abundância ou tendência populacional para nenhuma das três regiões, impossibilitando a avaliação do estado ambiental destas populações.
Ecologia e habitat
O painho-de-cauda-forcada é uma ave pelágica ocorrendo em zonas de convergência de correntes marinhas ou de afloramento, bem como sobre plataformas continentais. Alimenta-se durante o dia ou de noite, de pequenos peixes mesopelágicos principalmente das famílias Myctophidae e Sternoptychidae, de cefalópodes e de crustáceos planctónicos (Hedd & Montevecchi 2006; Silva et al. 2024).
Ameaças e conservação
A nível global, a população deste painho apresenta fortes decréscimos nas maiores colónias de reprodução, localizadas no Canadá e Europa, o que originou a recente revisão para um estatuto desfavorável. Este acentuado decréscimo (>30%) está ligado maioritariamente à predação por mamíferos invasores (roedores, ratos e raposas) e por espécies nativas (grandes gaivotas e alcaides) (Jones 2013; BirdLife International 2025). No mar, as maiores ameaças advêm de atração por luzes e consequente colisão, alterações espaciais na distribuição das presas e contaminantes (Pollet et al. 2023).
Autor
Nuno Oliveira
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Silva MC, Catry P, Newton J, Nunes VL & Wakefield ED (2024). Diet of non-breeding leach’s storm-petrels (Hydrobates leucorhous) in the sub-polar frontal zone of the North Atlantic. Marine Biology 171(8): 148. Bibliografia:
Pollet IL, Lenske AK, Ausems ANMA, Barbraud C, Bedolla-Guzmán Y, Bicknell AWJ, Bolton M, Bond AL, Delord K, Diamond AW, Fifield DA, Gjerdrum C, Halpin LR, Hansen ES, Hedd A, Hoeg R, Major HL, Mauck RA, McClelland G, McFarlane Tranquilla L, Montevecchi WA, Parker M, Pratte I, Rail J-F, Robertson GJ, Rock JC, Ronconi RA, Shutler D, Stenhouse IJ, Takahashi A, Watanuki Y, Welch LJ, Wilhelm SI, Wong SNP & Mallory ML (2023). Experts’ opinions on threats to Leach’s Storm-Petrels (Hydrobates leucorhous) across their global range. Avian Conservation and Ecology 18(1): art11. Bibliografia:
Meirinho A, Barros N, Oliveira N, Catry P, Lecoq M, Paiva V, Geraldes P, Granadeiro JP, Ramírez I & Andrade J (2014). Atlas das Aves Marinhas de Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Bibliografia:
Jones IL (2013). Evolutionary lag of predator avoidance by island seabirds, and what happens when naturally occurring colonists become ‘invasive’. Ibis 155: 1-3 Bibliografia:
Hurling S, Hedd A, Hansen S H & Studholme K (2024). Year-round distribution and foraging behaviour of Icelandic Leach's and European Storm-petrel populations revealed. Conference: 16th International Seabird Conference. Coimbra, Portugal. Bibliografia:
Hedd A & Montevecchi WA (2006). Diet and trophic position of Leach’s storm-petrel Oceanodroma leucorhoa during breeding and moult, inferred from stable isotope analysis of feathers. Marine Ecology Progress Series 322: 291-301. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Dados:
Pollet IL (2012b). Dataset 1707: Leach's Storm-petrel, Hydrobates leucorhous, Geolocator (GLS), Country Island, Country Island, Canada, 2012. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1707/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Pollet IL (2012a). Dataset 1706: Leach's Storm-petrel, Hydrobates leucorhous, Geolocator (GLS), Bon Portage, Bon Portage, Canada, 2012. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1706/ e acedido a 30.11.2025. Glossário:
Grupo de artrópodes marinhos importantes na cadeia alimentar marinha. Glossário:
Grupo de moluscos marinhos que inclui lulas, chocos e polvos. Glossário:
Monitorização dos movimentos de indivíduos através de dispositivos. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma ZEE de espaço marítimo para além das suas águas territoriais. A ZEE nacional é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas náuticas da costa e separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Dentro da sua ZEE, cada estado goza de direitos como: o direito à exploração dos recursos marinhos, o direito à investigação científica e o direito a controlar a pesca por parte de embarcações estrangeiras. Glossário:
Porção do fundo marinho que começa na linha de costa e desce, com um declive suave, até ao talude continental (onde o declive é muito mais pronunciado). Em média, a plataforma continental desce até uma profundidade de 200 metros. Glossário:
Zona ou ambiente onde vivem normalmente os seres vivos que não dependem dos fundos marinhos. É o ambiente ecológico típico das águas oceânicas abertas. O ecossistema pelágico não abrange apenas o alto-mar, dele fazendo parte também as águas que cobrem a plataforma continental. A zona pelágica começa abaixo da zona de influência das marés, prolongando-se até ao alto-mar, em profundidades que variam desde algumas dezenas de metros até aproximadamente 6.000 metros, dividindo-se em diferentes camadas. Glossário:
Organismo marinho que vive na faixa da coluna de água geralmente compreendida entre os 200 metros e os 1.000 metros de profundidade. Glossário:
Pequeno aparelho que se coloca nas aves para estudar os seus movimentos de larga escala (geralmente a migração), e que funciona através do registo da intensidade de luz (a partir da qual se estima a duração da noite e a hora do meio-dia local e, consequentemente, a latitude e a longitude em cada dia). Glossário:
Classificação do grau de ameaça de uma espécie consoante as suas probabilidades de extinção. Os critérios para tal classificação seguem geralmente regras internacionalmente reconhecidas, definidas pela União Internacional para a Conservação da Natureza [IUCN](http://www.redlist.org) e baseiam-se no tamanho dos efetivos populacionais, na área de ocorrência e na tendência populacional. Este estatuto pode ser nacional ou internacional. Glossário:
Fenómeno de interação entre o oceano e a atmosfera (do inglês upwelling), em que as águas superficiais quentes se afastam da costa e são substituídas por águas de fundo mais frias e ricas em nutrientes.