Painho-de-monteiro

Nome científico: Hydrobates monteiroi

Espécies marinhas

Família hydrobatidae

Fenologia Continente
Ausente
Fenologia Madeira
Ausente
Fenologia Açores
Reprodutor estival
Estatuto UICN Global
VU
Estatuto Continente
NA
Estatuto Madeira
NA
Estatuto Açores
NE
Ilustração da espécie

Dados

Açores

Avaliação do indicador de Abundância

Avaliação do indicador de Produtividade

Mapas

Densidade | Primavera

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

O painho-de-monteiro é uma espécie endémica do arquipélago dos Açores nidificando, de março a outubro, nos ilhéus da Praia, Baixo (Graciosa), Sentado (Flores) e Topo (São Jorge), havendo ainda suspeitas de nidificação no ilhéu da Ponta do Marco, no Corvo (Monteiro et al. 1999; Oliveira 2018; Pipa & Silva 2021; Pipa et al. 2023; Pipa et al. 2024). Após a época de reprodução, a maioria da população deverá migrar para a costa leste da América do Sul (Raül Ramos & Beñat Garcia-Urdangarin com. pess.), apesar de anteriormente se assumir que a espécie permaneceria nas imediações dos Açores, tendo em conta os resultados da análise da sua dieta a partir de isótopos estáveis (Bolton et al. 2008).

Com base no seguimento individual de 63 aves do ilhéu da Praia, equipadas com GPS entre 2018 e 2021 durante o período reprodutor, confirma-se a utilização da ZEE portuguesa, exclusivamente na subárea dos Açores, com uma preferência de distribuição para áreas a norte e noroeste da colónia. Existe uma segregação geográfica entre a distribuição de machos e fêmeas, com os primeiros a utilizarem áreas profundas mas relativamente mais próximas da colónia, enquanto as fêmeas parecem usar as águas menos profundas, mas mais afastadas (Paiva et al. 2018).

Abundância e evolução populacional

A população global, restrita aos Açores, foi estimada em 301 a 503 casais entre 2017 a 2019 (Pipa & Silva 2021; Pipa et al. 2023), embora não tenham sido amostradas todas as colónias possíveis da espécie. Com base nos trabalhos de monitorização acústica passiva, estimaram-se para o período de 2015 a 2023, cerca de 135 casais no ilhéu de Baixo, 112 casais no ilhéu da Praia e 9 casais no ilhéu do Topo (Pipa et al. 2024). A escassez de dados para outras colónias limita a avaliação da tendência populacional global da espécie, embora seja atualmente considerada como estável (BirdLife International 2025). A avaliação ambiental realizada neste trabalho para o indicador de abundância evidencia, contudo, um decréscimo a partir de 2020, apesar de ter atingido o Bom Estado Ambiental. Relativamente ao indicador de produtividade, a população não atingiu o Bom Estado Ambiental suportando o seu estatuto de conservação desfavorável.

Ecologia e habitat

O painho-de-monteiro nidifica em áreas planas e baixas com pouca perturbação, mas também em escarpas, pequenas cavidades e fendas (Oliveira 2018). É uma ave pelágica que se alimenta de crustáceos planctónicos, pequenos peixes pelágicos e de profundidade e de cefalópodes (Monteiro et al. 1998; Carreiro et al. 2022).

Ameaças e conservação

Predadores introduzidos ou nativos constituem a principal ameaça ao painho-de-monteiro, com destaque para a lagartixa-da-madeira Teira dugesii, gaivota-de-patas-amarelas Larus michahellis, bufo-pequeno Asio otus, mustelídeos, gatos e ratos (Oliveira 2018; Neves et al. 2017; Bolton et al. 2008). A competição com outras aves marinhas de maior porte por cavidades de nidificação (Ramos et al. 1997; Bolton et al. 2008), perda de habitat, poluição (incluindo derrames e plásticos) e alterações climáticas são outras ameaças relevantes, somando-se ainda capturas acidentais na pesca, perturbação humana, poluição luminosa, parques eólicos e desastres naturais (Oliveira 2018). A instalação de ninhos artificiais tem contribuído para o aumento da disponibilidade de locais de nidificação, bem como para aumentar o sucesso reprodutor (Bolton et al. 2004; Bolton et al. 2008; Bried et al. 2009a).

Autores

Tânia Pipa, Ben Porter, Hannah F. R. Hereward, Petra Quillfeldt, Verónica Neves, Wiebke Schäfer

Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual

Neves et al. 2021, Hereward et al. 2020