Papagaio-do-mar

Nome científico: Fratercula arctica

Espécies marinhas

Família alcidae

Fenologia Continente
Invernante e migrador de passagem
Fenologia Madeira
Invernante e migrador de passagem
Fenologia Açores
Invernante e migrador de passagem
Estatuto UICN Global
VU
Estatuto Continente
DD
Estatuto Madeira
NE
Estatuto Açores
NE
Ilustração da espécie

Dados

Continente

Avaliação do indicador de Abundância

Mapas

Ocorrência | Primavera

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

O papagaio-do-mar é uma espécie maioritariamente do Atlântico Norte, que fora do período reprodutor dispersa para ambientes pelágicos (Guilford et al. 2011). A costa marroquina e o Mediterrâneo Ocidental representam o limite meridional da sua área de distribuição (Billerman et al. 2026). Em Portugal ocorre como invernante e migrador de passagem, encontrando-se presente maioritariamente entre outubro e inícios de abril (Catry et al. 2010a). Com base nos dados de 129 aves, equipadas com dispositivos GLS entre 2008 e 2023 em várias colónias do norte da Europa, verificou-se uma utilização intensa da ZEE portuguesa, com registos ao longo de todos os meses do ano. A maioria das ocorrências concentrou-se na subárea continental, sobretudo nas zonas mais afastadas de costa no centro e norte da região. Também a nordeste da Madeira e a noroeste dos Açores foram registadas concentrações interessantes da espécie, devendo estas áreas marcar o limite sul da distribuição da espécie durante a sua invernada (Fayet et al. 2017).

Abundância e evolução populacional

A população global foi estimada em 12 a 14 milhões de indivíduos maduros, com 70% a 95% dessa população concentrada na Europa (BirdLife International 2025). A Islândia e a Noruega, que albergam cerca de 80% da população europeia, registam quebras acentuadas desde o início dos anos 2000, com falhas reprodutoras frequentes e colónias emblemáticas em colapso. Por ter uma distribuição maioritariamente oceânica durante a invernada, não existem estimativas recentes ou históricas do número de aves que ocorre em Portugal, no entanto, com base nos dados usados para a avaliação do estado ambiental, estima-se que rondem os milhares de aves, pelo menos no continente. Figura que é corroborada pelos eventos de arrojamento de alguns milhares de aves que ocorreram recentemente no país (Oliveira et al. 2023c).

Apesar da oscilação nos valores de abundância para a plataforma continental, esta população não atingiu o Bom Estado Ambiental para o respetivo indicador. No caso da Madeira e dos Açores, não existe informação acerca da sua evolução populacional, impedindo assim a avaliação do seu estado ambiental.

Ecologia e habitat

Nidifica em encostas costeiras relvadas, falésias e declives rochosos, escavando os ninhos no solo. Durante o inverno, tem uma ampla distribuição, sendo encontrado em habitats marcadamente pelágicos, podendo a sua distribuição estar dependente da produtividade oceânica e dos movimentos de cardumes de pequenos peixes pelágicos (Harris et al. 2010). Durante a invernada, a sua dieta inclui pequenos peixes, crustáceos e cefalópodes (Falk et al. 1992), apesar de não haver informação acerca da sua dieta em Portugal.

Ameaças e conservação

A espécie é altamente vulnerável às alterações climáticas, sobretudo ao aumento da temperatura da superfície do mar, que afeta a disponibilidade, distribuição e qualidade das presas, levando a falhas reprodutoras frequentes (Durant et al. 2003; Sandvik et al. 2005). Eventos meteorológicos extremos também provocam mortalidades em massa (Costa et al. 2026). Estes impactos são agravados pela sobrepesca, predadores invasores nas colónias, perturbação humana, poluição marinha (incluindo derrames de petróleo e plásticos) e, potencialmente, pela expansão de infraestruturas oceânicas (BirdLife International 2025). A monitorização de arrojamentos, medidas de minimização de capturas acidentais em redes de pesca e planos para prevenção e resposta a derrames de hidrocarbonetos são potencialmente importantes para a conservação da espécie em Portugal.

Autores

Kurt K. Burnham, Tânia Nascimento

Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual

Burnham et al. 2021, Fayet et al. 2017, Fayet & Guilford 2014, Hansen & Thorarinsson 2014a, Hansen & Thorarinsson 2014b, Hansen & Thorarinsson 2014c, Jessopp 2013, Jessopp 2021