Pardela-balear
Nome científico: Puffinus mauretanicus
Família procellariidae
- Fenologia Continente
- Estival, migrador de passagem e invernante
- Fenologia Madeira
- Acidental
- Fenologia Açores
- Acidental
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Mapas
Ocorrência | Primavera
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Período de dados / número de indivíduos:
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Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
A pardela-balear nidifica apenas nas ilhas Baleares (Espanha). Alguns indivíduos começam a chegar às colónias logo em setembro, com postura entre fevereiro e março e saída dos juvenis em junho (Ruíz & Martí 2004). Durante o período não reprodutor, concentra-se principalmente ao longo das costas atlânticas do sudoeste da Europa, sobretudo em águas de Espanha, Portugal e França, estendendo-se também ao sudoeste do Reino Unido, sudeste da Irlanda, noroeste de Marrocos e Mediterrâneo Ocidental (Arcos et al. 2009; Guilford et al. 2012; De la Cruz et al. 2025). A larga maioria da população global utiliza as águas costeiras ibéricas como corredor migratório. Durante a migração pós-nupcial, que decorre no verão, grande parte dos adultos reprodutores e dos juvenis desloca-se ao longo da costa de Portugal continental (Ruíz & Martí 2004; Guilford et al. 2012). Com mais de 50% da população global a permanecer na região centro-norte do país para aí passar a sua invernada, mais concretamente na ZPE Aveiro-Nazaré (Araújo et al. 2022a). Algumas aves, provavelmente imaturos e adultos não reprodutores, permanecem pela região ao longo de todo o ano. Nos Açores e na Madeira, a sua ocorrência é bastante rara (Meirinho et al. 2014).
Os dados de 10 aves equipadas com GPS entre 2000 e 2023, nas ilhas Baleares e no mar em França, confirmam esta distribuição.
Abundância e evolução populacional
As estimativas nas colónias indicam uma população inferior a 3.000 casais (Arcos et al. 2017), mas os censos a partir de embarcações e contagens costeiras sugerem que a população global poderá rondar os 25.000 indivíduos (Arcos et al. 2012; Arroyo et al. 2016). A espécie apresenta uma redução acentuada do seu efetivo reprodutor, com um declínio anual previsto de cerca de 14% (Genovart et al. 2016; Genovart et al. 2019). Em Portugal continental, a população foi estimada em 9.093 a 20.436 indivíduos entre 2010 e 2015 (Araújo et al. 2022a). Existem concentrações regulares com várias centenas de aves nas águas portuguesas (Catry et al. 2010a). A tendência negativa desta população aliada ao facto de não ter atingido o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância no continente, parecem alinhar-se com a tendência global. Não existe informação atualizada acerca da abundância ou da evolução populacional para os Açores e Madeira.
Ecologia e habitat
A pardela-balear é uma ave costeira que não se afasta para lá da plataforma continental (Ruíz & Martí 2004). Reproduz-se geralmente em cavidades de pequenos ilhéus e em falésias. Alimenta-se de pequenos peixes pelágicos (e.g. biqueirão e sardinha) e de cefalópodes, recorrendo também a rejeições de pesca (Navarro et al. 2009). Em Portugal, foi observada a alimentar-se em grandes grupos, incluindo sobre cardumes de galeotas (Catry et al. 2010a).
Ameaças e conservação
É a espécie de ave marinha mais ameaçada da Europa. As principais ameaças identificadas são a predação dos adultos por mamíferos introduzidos (e.g. gatos e roedores), a perturbação por atividades humanas e a captura acidental em artes de pesca, responsável por quase 50% da mortalidade (Arcos 2011; Genovart et al. 2016). Apesar das capturas acidentais serem aparentemente irregulares, têm sido registados eventos de captura acidental de pardela-balear, principalmente, em palangres (Arcos & Oro 2004; Cortés et al. 2017) e em redes de cerco, mas também em arrasto e redes de emalhar (Abelló & Esteban 2012; Oliveira et al. 2015), havendo ocasiões com mais de uma centena de aves capturadas.
Autor
Ana Almeida
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Arcos & Ruiz 2000a, Arcos & Ruiz 2000b, David Grémillet & Nicolas Courbin (PNA Puffin Baléares), Weimerskirch & Louzao 2012
Ruíz A & Martí R (2004). La Pardela Balear. SEO/BirdLife-Conselleria de Medi Ambient del Govern de les Illes Balears, Madrid. Bibliografia:
Oliveira N, Henriques A, Miodonski J, Pereira J, Marujo D, Almeida A, Barros N, Andrade J, Marçalo A, Santos J, Oliveira IB, Ferreira M, Araújo H, Monteiro S, Vingada J, Ramírez I (2015). Seabird bycatch in Portuguese mainland coastal fisheries: An assessment through on-board observations and fishermen interviews. Global Ecology and Conservation 3: 51-61. Bibliografia:
Navarro J, Louzao M, Igual JM, Oro D, Delgado A, Arcos JM, Genovart M, Hobson KA & Forero MG (2009). Seasonal changes in the diet of a critically endangered seabird and the importance of trawling discards. Marine Biology 156(12): 2571-2578. Bibliografia:
Meirinho A, Barros N, Oliveira N, Catry P, Lecoq M, Paiva V, Geraldes P, Granadeiro JP, Ramírez I & Andrade J (2014). Atlas das Aves Marinhas de Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Bibliografia:
Guilford T, Wynn R, McMinn M, Rodríguez A, Fayet A, Maurice L, Jones A & Meier R (2012). Geolocators reveal migration and pre-breeding behaviour of the critically endangered Balearic shearwater Puffinus mauretanicus. PLoS One 7(3): e33753. Bibliografia:
Genovart M, García D, Louzao M & Arcos JM (2019). First conservation diagnosis of the Balearic Shearwater Puffinus mauretanicus in Ibiza. Final report for ACAP. SEO/BirdLife, CSIC y IRBI. Bibliografia:
Genovart M, Arcos JM, Álvarez D, McMinn M, Meier R, Wynn RB, Guilford T & Oro D (2016). Demography of the critically endangered Balearic shearwater: the impact of fisheries and time to extinction. Journal of Applied Ecology 53(4): 1158-1168. Bibliografia:
De la Cruz A, Pereira JM, Arroyo GM, Ramos JA, Alonso H, Arcos JM, Ramos F, Tornero J, Saavedra C, Vázquez JA, García-Barón I, Astarloa A, Louzao M, Laran S, Dorémus G, Waggitt J & Paiva VH (2025). Global distribution, threats and population trends of the critically endangered Balearic shearwater Puffinus mauretanicus. Biological Conservation 305: 111047. Bibliografia:
Cortés V, Arcos JM & González-Solís J (2017). Seabirds and demersal longliners in the northwestern Mediterranean: factors driving their interactions and bycatch rates. Marine Ecology Progress Series 565: 1-16. Bibliografia:
Arroyo GM, Mateos-Rodríguez M, Munõz AR, De La Cruz A, Cuenca D & Onrubia A (2016). New population estimates of a critically endangered species, the Balearic Shearwater Puffinus mauretanicus, based on coastal migration counts. Bird Conservation International 26 (1): 87–99. Bibliografia:
Arcos JM & Oro D (2004). Pardela Balear (Puffinus mauretanicus). Em Madroño A, González C & Atienza JC (eds.). Libro Rojo de las Aves de España. Dirección General para la Biodiversidad-SEO /BirdLife, Madrid: 46-50. Bibliografia:
Arcos JM, López I, Alonso J & Mayol J (2017). Study, monitoring, and conservation of the Balearic shearwater in Spain: An update. Fourth Meeting of the Population and Conservation Status Working Group, Agreement on the Conservation of Albatrosses and Petrels. Wellington, New Zealand. 7–8 September 2017. Bibliografia:
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Arcos JM, Arroyo G, Bécares J, Mateos-Rodríguez M, Rodríguez B, Muñoz A, Ruiz A, De la Cruz A, Cuenca D & Onrubia A (2012). New estimates at sea suggest a larger global population of the Balearic Shearwater Puffinus mauretanicus. Proceedings of the 13th Medmaravis Pan Mediterranean Symposium: 84–94. Bibliografia:
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Araújo H, Correia-Rodrigues P, Bastos-Santos J, Ferreira M, Pereira AT, Martinez-Cedeira J, Vingada J & Eira C (2022a). Seabird abundance and distribution off western Iberian waters estimated through aerial surveys. Marine Ornithology 50: 71-80. Bibliografia:
Abelló P & Esteban A (2012). Trawling bycatch does affect Balearic Shearwaters Puffinus mauretanicus. Revista Catalana D'ornitologia 28: 34-39. Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Dados:
Weimerskirch H & Louzao M (2012). Dataset 1637: Balearic Shearwater, Puffinus mauretanicus, PTT, Sa Conillera, Eivissa Island, Spain, 2012. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1637/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Arcos JM & Ruiz A (2000b). Dataset 829: Balearic Shearwater, Puffinus mauretanicus, PTT, Ibiza, Balearic Archipelago, Spain, 2000. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/829/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Arcos JM & Ruiz A (2000a). Dataset 828: Balearic Shearwater, Puffinus mauretanicus, PTT, Formentera, Balearic Archipelago, Spain, 2000. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/828/ e acedido a 30.11.2025. Glossário:
Grupo de moluscos marinhos que inclui lulas, chocos e polvos. Glossário:
Rotas e áreas geográficas preferenciais que concentram o movimento de indivíduos durante as migrações. Glossário:
Equipamentos utilizados na captura de animais marinhos, como redes, palangre ou armadilhas. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Pequeno aparelho que se coloca nas aves para estudar os seus movimentos a uma escala mais fina (geralmente durante a reprodução). Estes aparelhos utilizam o sistema global de posicionamento (do inglês Global Positioning System) para obter informação acerca da posição, latitude, longitude e altitude, em qualquer ponto da Terra e a partir de uma rede de satélites em órbita. Glossário:
Refere-se à captura involuntária de espécies marinhas durante a pesca. Os animais podem ficar presos nos anzóis ou nas redes de pesca. Normalmente é associada à pesca comercial, mas também pode ocorrer na pesca lúdica. A captura acidental é uma das principais ameaças às aves marinhas no mar. Glossário:
Área de importância comunitária em que se aplicam medidas para a manutenção ou restabelecimento do estado de conservação das populações das espécies de aves selvagens inscritas no Anexo I da Diretiva Aves. Destinam-se às espécies mencionadas naquele anexo e pretendem garantir a sua sobrevivência e reprodução, a conservação dos seus ovos, ninhos e habitats, assim como a espécies de aves migratórias não referidas no mesmo anexo, mas cuja ocorrência no território nacional seja regular. Glossário:
Porção do pescado capturado em embarcações de pesca comercial que é devolvido ao mar, muitas vezes morto ou moribundo. Os peixes rejeitados pertencem muitas vezes a espécies sem valor comercial, indivíduos abaixo do tamanho mínimo de captura permitido por lei, ou a indivíduos cujo desembarque não é permitido, por exemplo devido a restrições de quota. Pode também ser composto por partes do pescado, designadamente vísceras e cabeças, que após o processamento a bordo, são rejeitadas e deitadas ao mar. As rejeições têm um forte impacto no ecossistema marinho, e definem muitos aspetos da distribuição, procura de alimento e dinâmica populacional das aves marinhas, nomeadamente de indivíduos e espécies que têm como hábito seguir embarcações. Glossário:
Rede estática frequentemente invisível e com malhagem de dimensão variável, utilizada na captura de uma grande variedade de peixes. É deixada no mar a profundidade variável sendo posteriormente recolhida. É uma arte de pesca não seletiva que captura com muita frequência aves, mamíferos e répteis marinhos. Glossário:
Rede de malha geralmente pequena e bem visível utilizada pelas traineiras na captura de pequenos peixes pelágicos, como sardinhas ou cavalas. Depois de localizar o cardume, a rede é lançada a partir de uma embarcação que o cerca completamente, impedindo a fuga dos peixes, sendo posteriormente içada. Se operada adequadamente é uma arte de pesca seletiva. Glossário:
Referente ao período que sucede reprodução. Glossário:
Porção do fundo marinho que começa na linha de costa e desce, com um declive suave, até ao talude continental (onde o declive é muito mais pronunciado). Em média, a plataforma continental desce até uma profundidade de 200 metros. Glossário:
Zona ou ambiente onde vivem normalmente os seres vivos que não dependem dos fundos marinhos. É o ambiente ecológico típico das águas oceânicas abertas. O ecossistema pelágico não abrange apenas o alto-mar, dele fazendo parte também as águas que cobrem a plataforma continental. A zona pelágica começa abaixo da zona de influência das marés, prolongando-se até ao alto-mar, em profundidades que variam desde algumas dezenas de metros até aproximadamente 6.000 metros, dividindo-se em diferentes camadas. Glossário:
Arte de pesca constituída por uma linha principal (madre) de onde derivam linhas secundárias às quais são fixados anzóis. É deixado no mar, podendo ser colocado no fundo para capturar espécies de profundidade (e.g. peixe-espada) ou à superfície para capturar os grandes peixes pelágicos (e.g. espadarte). Glossário:
Período geralmente correspondente aos meses de inverno, podendo incluir parte do outono. Glossário:
Nome comum genérico atribuído a várias espécies de peixes ósseos do género Ammodytes. Glossário:
Designação geralmente atribuída a uma espécie introduzida de forma deliberada ou acidental num determinado local ou região fora da sua área de distribuição original. Consoante a sua adaptação aos novos locais, uma espécie introduzida pode ou não naturalizar-se e proliferar. Glossário:
Pequeno peixe ósseo da família Engraulidae, cujo nome científico é Engraulis encrasicolus, também conhecido por anchova.