Pardela-de-barrete

Nome científico: Ardenna gravis

Espécies marinhas

Família procellariidae

Fenologia Continente
Migrador de passagem
Fenologia Madeira
Migrador de passagem
Fenologia Açores
Migrador de passagem
Estatuto UICN Global
LC
Estatuto Continente
NE
Estatuto Madeira
NE
Estatuto Açores
NE
Ilustração da espécie

Dados

Continente

Avaliação do indicador de Abundância

Mapas

Ocorrência | Verão

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

A pardela-de-barrete nidifica no Atlântico Sul, no arquipélago de Tristão da Cunha, e nas Ilhas Falklands entre meados de setembro e finais de maio (Cuthbert 2005; Billerman et al. 2026). Após a reprodução inicia uma longa migração pelo Atlântico Noroeste, chegando à costa do Canadá, dirigindo-se posteriormente para leste, passando pelas águas do Reino Unido e da Península Ibérica (Billerman et al. 2026). Em Portugal, ocorre por quase toda a ZEE durante o verão e o outono, estando mais próxima da costa no verão e mais oceânica no outono (Meirinho et al. 2014), quando se dirige para sul em direção aos locais de reprodução (Catry et al. 2010a; Billerman et al. 2026). Com base nos dados de 44 aves equipadas com GLS entre 2009 e 2014 provenientes de colónias na ilha de Gough, observou-se uma maior utilização da ZEE portuguesa ao longo do mês de setembro, apesar de algumas aves usarem estas águas logo a partir do mês de junho. Os seus movimentos concentraram-se, sobretudo, na subárea dos Açores e na região noroeste da Madeira. Já no continente, os registos foram escassos, apesar de ser conhecida a ocorrência frequente da espécie, com concentrações consideráveis na costa sul (Araújo et al. 2022a).

Abundância e evolução populacional

A estimativa populacional a nível global foi avaliada em mais de 10 milhões de indivíduos maduros em 2004 (Brooke 2004). Não existe nenhuma estimativa desde então, embora se suspeite que a população esteja estável (BirdLife International 2025).

Em Portugal continental, a população foi estimada em 5.399 a 25.379 indivíduos para o período entre 2012 e 2015 (Araújo et al. 2022a). Apesar das grandes variações interanuais, observa-se uma tendência de aumento desde 2015, refletida no indicador relativo à abundância populacional, o que justifica o Bom Estado Ambiental da população. Já no caso dos Açores e da Madeira, a informação disponível não permite tirar grandes ilações sobre a evolução populacional da espécie.

Ecologia e habitat

Durante a sua invernada, a pardela-de-barrete usa tanto as águas costeiras como aquelas afastadas da costa, preferindo estas últimas durante a migração pré-nupcial. Esta ave essencialmente pelágica alimenta-se principalmente de peixes, cefalópodes e crustáceos, capturados à superfície ou em mergulho (Billerman et al. 2026). Aproveita frequentemente as rejeições da pesca comercial, principalmente seguindo arrastões (Paz et al. 2018), mas também embarcações a operar outras artes de pesca, nomeadamente redes de emalhar e palangreiros (Bugoni et al. 2008; Pereira et al. 2025a).

Ameaças e conservação

Nas áreas de nidificação, a pardela-de-barreta ainda é alvo de captura para consumo (BirdLife International 2025). No mar, a maior ameaça está relacionada com a captura acidental em artes de pesca operadas no Atlântico Nordeste, principalmente palangre, arrasto e redes de emalhar (Perez & Wahrlich 2005; Bugoni et al. 2008; Hatch et al. 2016; Paz et al. 2018), sendo esta última, uma ameaça reportada também em Portugal continental (Pereira et al. 2025a). Outros fatores de mortalidade podem estar relacionados com a contaminação por metais pesados e a ingestão de plásticos (Pierce et al. 2004; Barbieri et al. 2007).

Autor

Tânia Nascimento

Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual

Ronconi & Ryan 2010, Gonzalez-Solis & Ryan 2014