Pardela-de-yelkouan
Nome científico: Puffinus yelkouan
Família procellariidae
- Fenologia Continente
- Acidental
- Fenologia Madeira
- Acidental
- Fenologia Açores
- Acidental
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
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Período de dados / número de indivíduos:
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Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
A pardela-de-yelkouan é uma espécie predominantemente mediterrânica, com colónias de nidificação concentradas em ilhas e falésias costeiras da parte central e oriental do mar Mediterrâneo, incluindo os arquipélagos de Malta, Córsega, Sardenha, Sicília, várias ilhas do mar Adriático e áreas costeiras da Grécia e da Turquia (Bourgeois & Vidal 2008; Borg et al. 2010). Chega às colónias a partir de fevereiro, iniciando a postura em março/abril. Os juvenis deixam os ninhos em julho (Raine et al. 2013). Durante o período não reprodutor, a população apresenta movimentos diferenciados. Algumas aves migram para o mar Negro, enquanto outras permanecem próximas das colónias de nidificação ou dispersam pelo Mediterrâneo Ocidental e Central, sendo pontualmente observadas no Atlântico Oriental, incluindo águas portuguesas (Militão et al. 2013; Péron et al. 2013; Raine et al. 2013). O seguimento individual das aves que visitam as nossas águas ainda é muito limitado. Com base nos dados de oito aves equipadas com GLS em 2006 em França, verificou-se que apenas duas aves utilizaram a ZEE portuguesa. Tendo sido uma visita muito pontual às regiões continental e açoriana durante o período reprodutor.
Abundância e evolução populacional
As estimativas recentes indicam uma população global entre 15.000 e 30.000 casais (BirdLife International 2025). Apesar das tendências populacionais parecerem estáveis em certas colónias, alguns estudos apontam para um declínio global moderado na última década (Oppel et al. 2011; Sultana et al. 2011). Nas águas portuguesas, a espécie ocorre apenas de forma esporádica, com registos pouco numerosos, sobretudo durante as migrações pós-nupcial (maio-junho) e pré-nupcial (setembro-outubro) (eBird 2026). Recentemente, tem havido um incremento nos registos da espécie na costa Portuguesa, possivelmente relacionado com um maior esforço de observação. No entanto, a inexistência de informação sistematizada acerca da sua abundância e evolução populacional, impediu a avaliação do estado ambiental da espécie para a ZEE portuguesa.
Ecologia e habitat
A pardela-de-yelkouan é uma ave pelágica, geralmente associada à plataforma continental. Reproduz-se em ilhéus e falésias costeiras, nidificando em cavidades rochosas ou no solo. A dieta é dominada por pequenos peixes pelágicos e cefalópodes, com alguma variação sazonal e entre colónias, podendo também explorar rejeições de pesca (Bourgeois et al. 2011; Austad et al. 2025).
Ameaças e conservação
As principais ameaças para esta espécie são a captura acidental em artes de pesca (sobretudo palangre e redes de emalhar) e a predação por mamíferos introduzidos nas colónias, especialmente gatos e ratos (Bonnaud et al. 2009; Bourgeois et al. 2016). A estas ameaças somam-se a perturbação humana e a poluição luminosa associadas ao turismo e ao desenvolvimento da urbanização costeira, bem como a exposição a poluentes, incluindo plástico e outros contaminantes orgânicos (Bourgeois et al. 2011; Codina‑García et al. 2013). A espécie está protegida por várias convenções internacionais e incluída em planos de ação regionais. A erradicação de mamíferos introduzidos e a redução das capturas acidentais constituem as principais prioridades de conservação (BirdLife International 2025).
Sultana J, Borg JJ, Gauci C & Falzon V (2011). The Breeding Birds of Malta. BirdLife Malta, Malta. Bibliografia:
Raine AF, Borg JJ, Raine H & Phillips RA (2013). Migration strategies of the Yelkouan Shearwater Puffinus yelkouan. Journal of Ornithology 154(2): 411-422. Bibliografia:
Péron C, Grémillet D, Prudor A, Pettex E, Saraux C, Soriano-Redondo A & Fort J (2013). Importance of coastal Marine Protected Areas for the conservation of pelagic seabirds: The case of Vulnerable yelkouan shearwaters in the Mediterranean Sea. Biological conservation 168: 210-221. Bibliografia:
Oppel S, Raine AF, Borg JJ, Raine H, Bonnaud E, Bourgeois K & Breton AR (2011). Is the Yelkouan shearwater Puffinus yelkouan threatened by low adult survival probabilities? Biological Conservation 144(9): 2255-2263. Bibliografia:
Militao T, Bourgeois K, Roscales JL & González‐Solís J (2013). Individual migratory patterns of two threatened seabirds revealed using stable isotope and geolocation analyses. Diversity and Distributions 19: 317-329. Bibliografia:
eBird (2026). eBird: An online database of bird distribution and abundance (web application). eBird, Cornell Lab of Ornithology, Ithaca, New York. Disponível em http://www.ebird.org e acedido a 02.02.2026. Bibliografia:
Codina-García M, Militão T, Moreno J & González-Solís J (2013). Plastic debris in Mediterranean seabirds. Marine pollution bulletin 77(1): 220-226. Bibliografia:
Bourgeois K, Vorenger J, Faulquier L, Legrand J & Vidal E (2011). Diet and contamination of the yelkouan shearwater Puffinus yelkouan in the Hyères archipelago, Mediterranean basin, France. Journal of Ornithology 152(4): 947-953. Bibliografia:
Bourgeois K & Vidal E (2008). The endemic Mediterranean yelkouan shearwater Puffinus yelkouan: distribution, threats and a plea for more data. Oryx 42(2): 187-194. Bibliografia:
Bourgeois K, Dromzée S, Legrand J & Vidal E (2016). Seabird population recovery following rat eradication on a small Mediterranean island. Animal Conservation 19(6): 423–432. Bibliografia:
Borg JJ, Raine H, Raine AF & Barbara N (2010). Protecting Malta's wind chaser: the EU LIFE Yelkouan Shearwater project report. BirdLife Malta, Malta. Bibliografia:
Bonnaud E, Bourgeois K, Vidal E, Legrand J & Le Corre M (2009). How can the Yelkouan shearwater survive feral cat predation? A meta-population structure as a solution? Population Ecology 51: 261–270. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Austad M, Michel L, Masello, JF, Cecere JG, de Pascalis F, Bustamante P, Dell’Omo G, Griep S & Quillfeldt P (2025). Diet of two mediterranean shearwaters revealed by DNA metabarcoding. Marine Biology 172: 104. Dados:
Gonzalez-Solis J (2010e). Dataset 693: Yelkouan Shearwater, Puffinus yelkouan, Geolocator (GLS), Iles Hyeres, Iles Hyeres, France, 2006–2010. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/693/ e acedido a 30.11.2025. Glossário:
Grupo de moluscos marinhos que inclui lulas, chocos e polvos. Glossário:
Alteração dos níveis naturais de luz noturna devido a iluminação artificial. Glossário:
Remoção completa de uma espécie invasora de uma área específica. Glossário:
Equipamentos utilizados na captura de animais marinhos, como redes, palangre ou armadilhas. Glossário:
Monitorização dos movimentos de indivíduos através de dispositivos. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
Refere-se à captura involuntária de espécies marinhas durante a pesca. Os animais podem ficar presos nos anzóis ou nas redes de pesca. Normalmente é associada à pesca comercial, mas também pode ocorrer na pesca lúdica. A captura acidental é uma das principais ameaças às aves marinhas no mar. Glossário:
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma ZEE de espaço marítimo para além das suas águas territoriais. A ZEE nacional é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas náuticas da costa e separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Dentro da sua ZEE, cada estado goza de direitos como: o direito à exploração dos recursos marinhos, o direito à investigação científica e o direito a controlar a pesca por parte de embarcações estrangeiras. Glossário:
Porção do pescado capturado em embarcações de pesca comercial que é devolvido ao mar, muitas vezes morto ou moribundo. Os peixes rejeitados pertencem muitas vezes a espécies sem valor comercial, indivíduos abaixo do tamanho mínimo de captura permitido por lei, ou a indivíduos cujo desembarque não é permitido, por exemplo devido a restrições de quota. Pode também ser composto por partes do pescado, designadamente vísceras e cabeças, que após o processamento a bordo, são rejeitadas e deitadas ao mar. As rejeições têm um forte impacto no ecossistema marinho, e definem muitos aspetos da distribuição, procura de alimento e dinâmica populacional das aves marinhas, nomeadamente de indivíduos e espécies que têm como hábito seguir embarcações. Glossário:
Rede estática frequentemente invisível e com malhagem de dimensão variável, utilizada na captura de uma grande variedade de peixes. É deixada no mar a profundidade variável sendo posteriormente recolhida. É uma arte de pesca não seletiva que captura com muita frequência aves, mamíferos e répteis marinhos. Glossário:
Referente ao período que antecede a reprodução. Glossário:
Referente ao período que sucede reprodução. Glossário:
Porção do fundo marinho que começa na linha de costa e desce, com um declive suave, até ao talude continental (onde o declive é muito mais pronunciado). Em média, a plataforma continental desce até uma profundidade de 200 metros. Glossário:
Zona ou ambiente onde vivem normalmente os seres vivos que não dependem dos fundos marinhos. É o ambiente ecológico típico das águas oceânicas abertas. O ecossistema pelágico não abrange apenas o alto-mar, dele fazendo parte também as águas que cobrem a plataforma continental. A zona pelágica começa abaixo da zona de influência das marés, prolongando-se até ao alto-mar, em profundidades que variam desde algumas dezenas de metros até aproximadamente 6.000 metros, dividindo-se em diferentes camadas. Glossário:
Arte de pesca constituída por uma linha principal (madre) de onde derivam linhas secundárias às quais são fixados anzóis. É deixado no mar, podendo ser colocado no fundo para capturar espécies de profundidade (e.g. peixe-espada) ou à superfície para capturar os grandes peixes pelágicos (e.g. espadarte). Glossário:
Pequeno aparelho que se coloca nas aves para estudar os seus movimentos de larga escala (geralmente a migração), e que funciona através do registo da intensidade de luz (a partir da qual se estima a duração da noite e a hora do meio-dia local e, consequentemente, a latitude e a longitude em cada dia). Glossário:
Designação geralmente atribuída a uma espécie introduzida de forma deliberada ou acidental num determinado local ou região fora da sua área de distribuição original. Consoante a sua adaptação aos novos locais, uma espécie introduzida pode ou não naturalizar-se e proliferar.