Pardela-do-atlântico

Nome científico: Puffinus puffinus

Espécies marinhas

Família procellariidae

Fenologia Continente
Migrador de passagem
Fenologia Madeira
Reprodutor estival e migrador de passagem
Fenologia Açores
Reprodutor estival e migrador de passagem
Estatuto UICN Global
LC
Estatuto Continente
NE
Estatuto Madeira
VU
Estatuto Açores
EN
Ilustração da espécie

Dados

Continente

Avaliação do indicador de Abundância

Mapas

Ocorrência | Primavera

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

A pardela-do-atlântico nidifica no Atlântico Norte, entre fevereiro e agosto, maioritariamente no Reino Unido e na Irlanda, com pequenas colónias no Canadá, nos Estados Unidos, na Islândia, em Espanha e em Portugal (Billerman et al. 2026). Neste último, reproduz-se na ilha da Madeira e nas ilhas das Flores e do Corvo, nos Açores (Equipa Atlas 2022). Recentemente foi ainda escutado nas ilhas de São Miguel, Santa Maria, Terceira, São Jorge e Faial, apesar de não ter sido possível confirmar a sua reprodução. A espécie é mais frequente e abundante nas águas portuguesas durante a migração pós-nupcial, especialmente entre agosto e outubro, quando as aves das populações mais numerosas, oriundas das ilhas Britânicas, passam pelas nossas águas (Meirinho et al. 2014; Elmberg et al. 2020), em direção às suas áreas de invernada, localizadas na América do Sul (Guilford et al. 2009). Os dados de 12 aves equipadas com GLS entre 2006 e 2014 na Islândia, mostram que estas aves usam a região açoriana durante os dois períodos fenológicos, sendo bastante frequentes durante o período reprodutor. Parecem ter uma preferência pelas águas profundas da metade ocidental da região. Não foi detetada a ocorrência no continente ou na Madeira.

Abundância e evolução populacional

A população global foi estimada em 680.000 a 790.000 aves maduras, com uma tendência desconhecida (BirdLife International 2025). Em Portugal continental, foram contadas 16.086 aves em migração para sul, no outono de 2015 (Elmberg et al. 2020). Com base nos dados usados para a avaliação do estado ambiental, obteve-se uma estimativa a rondar os 5.300 a 19.000 indivíduos para a plataforma continental, em 2024. As estimativas das populações reprodutoras nos arquipélagos estão muito desatualizadas e apresentam um grau de incerteza bastante grande. Nos Açores, a população foi estimada em 115 a 240 casais, enquanto na Madeira estimaram-se 1.250 a 5.000 casais (Equipa Atlas 2022). A espécie seria muito mais numerosa nos Açores há vários séculos atrás (Monteiro et al. 1996a).

Apesar da ausência de estimativas mais concretas, a população continental não atingiu o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância. Não foi possível fazer esta avaliação para as águas dos Açores e da Madeira

Ecologia e habitat

Apesar dos seus hábitos tipicamente pelágicos, a pardela-do-atlântico explora quer águas mais profundas como zonas próximas de costa. Alimenta-se de peixes (sobretudo pequenos pelágicos), cefalópodes e crustáceos, bem como de desperdícios da pesca (Billerman et al. 2026). Na Madeira, nidifica em falésias no interior da ilha, acima dos 500 metros de altitude, em zonas de floresta de laurissilva (Nunes et al. 2010), aparentando reproduzir-se dois meses mais cedo que nas restantes áreas de nidificação (Hervias et al. 2013). Nos Açores e em particular no Corvo e nas Flores, as colónias localizam-se em falésias íngremes e pouco acessíveis.

Ameaças e conservação

Em Portugal, num passado já remoto, esta espécie sofreu uma forte redução nas suas colónias como resultado da introdução de predadores terrestres e da captura direta para exploração de óleo, de carne e de penas (Monteiro et al. 1999; Oliveira 1999). Atualmente o fator de ameaça mais importante continua a ser a presença de predadores introduzidos nas áreas de reprodução. A poluição luminosa é também uma ameaça importante. As aves juvenis, ao saírem dos ninhos pela primeira vez, são ofuscadas e forçadas a poisar, ficando susceptíveis a atropelamento ou predação por cães, gatos e outros mamíferos. Entre 2009 e 2025 foram resgatados 125 juvenis na ilha do Corvo, desorientados pela iluminação pública.

Autor

Tânia Pipa

Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual

Gonzalez-Solis 2014b