Pardela-preta
Nome científico: Ardenna grisea
Família procellariidae
- Fenologia Continente
- Migrador de passagem
- Fenologia Madeira
- Migrador de passagem
- Fenologia Açores
- Migrador de passagem
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Mapas
Ocorrência | Primavera
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Período de dados / número de indivíduos:
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Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
A pardela-preta nidifica, entre outubro e abril, nas ilhas localizadas ao largo da Nova Zelândia, Austrália e Chile, bem como nas Ilhas Falkland (BirdLife International 2025). Após a época de reprodução, a espécie inicia uma das maiores migrações em massa que se conhece. Ruma a norte, com o objetivo de passar a invernada nos extremos dos oceanos Pacífico e Atlântico, respetivamente (Hedd et al. 2012). A espécie é observada regularmente nas nossas águas entre a primavera e o outono (Meirinho et al. 2014), com especial importância durante a migração pré-nupcial (Catry et al. 2010a). Os dados de 29 aves equipadas com GLS em 2008 e 2017 nas Falkland, confirmam que a espécie permanece na ZEE portuguesa ao longo de todo o período não reprodutor, desde maio a novembro. Este padrão é particularmente observado nos Açores, onde a espécie demonstra ter uma distribuição bastante ampla, mas com maior incidência na metade ocidental. Nas águas do continente, a distribuição parece ser menos extensa, centrando-se sobretudo nas águas da plataforma e do talude continentais. Padrão este que aparenta ser semelhante ao encontrado nas águas da Madeira.
Abundância e evolução populacional
A população global foi estimada em 4.400.000 casais reprodutores, com uma tendência decrescente (BirdLife International 2025). Tal declínio tem sido notado nas últimas décadas, com especial ênfase na América do Norte e na Nova Zelândia. Em Portugal continental, a espécie tem revelado flutuações ao nível da abundância, com valores que variam entre 0 e 0,03 aves/km2. Apesar da ausência de estimativas mais concretas, esta população aparenta estar em Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância. Não existe informação atualizada acerca da abundância ou da evolução populacional para os Açores e para a Madeira.
Ecologia e habitat
Durante a sua invernada, a pardela-preta tem uma preferência pelas águas da plataforma continental e de talude, usando com menor frequência as zonas de mar muito profundo. Durante as suas migrações parece preferir estas últimas. Alimenta-se de pequenos peixes, de cefalópodes e de crustáceos, associando-se frequentemente a outras aves marinhas em verdadeiros frenesis alimentares (Billerman et al. 2026). É comum aproximarem-se de barcos de pesca em grande número, principalmente arrastões e palangreiros.
Ameaças e conservação
No mar, a captura acidental, em palangres, arrastões e redes de emalhar, é uma das suas principais ameaças (Uhlmann 2003), embora não haja evidências da sua ocorrência em Portugal. A espécie também está suscetível à escassez de presas devido à sobrepesca e às alterações climáticas (Hyrenbach & Veit 2003; Uhlmann 2003). Em terra, as principais ameaças prendem-se com a predação por mamíferos introduzidos e a captura de juvenis para consumo humano, sendo esta última, uma atividade comercial e legalmente estabelecida na Nova Zelândia (Billerman et al. 2026). As prioridades de conservação têm-se focado na designação legal das áreas de nidificação, na erradicação de predadores introduzidos e na utilização de medidas de mitigação para reduzir a captura acidental (BirdLife International 2025).
Autor
Inês Lacerda
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Uhlmann S (2003). Fisheries bycatch mortalities of sooty shearwaters (Puffinus griseus) and short-tailed shearwaters (P. tenuirostris). DOC Science Internal Series 92, Department of Conservation, New Zealand. Bibliografia:
Meirinho A, Barros N, Oliveira N, Catry P, Lecoq M, Paiva V, Geraldes P, Granadeiro JP, Ramírez I & Andrade J (2014). Atlas das Aves Marinhas de Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Bibliografia:
Hyrenbach KD & Veit RR (2003). Ocean warming and seabird communities of the southern Californian current system (1987–98): response at multiple temporal scales. Deep-sea Research. Part II, Topical Studies in Oceanography 50: 2537–2565. Bibliografia:
Hedd A, Montevecchi W, Otley H, Phillips R & Fifield D (2012). Trans-equatorial migration and habitat use by sooty shearwaters Puffinus griseus from the South Atlantic during the nonbreeding season. Marine Ecology Progress Series 449: 277–290. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Dados:
Wakefield E (2018a). Dataset 1587: Sooty Shearwater, Ardenna grisea, Geolocator (GLS), Kidney Island, Falkland Islands (Islas Malvinas), Falkland Islands (Malvinas), 2017–2018. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1587/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Ronconi P & Westgate A (2009). Dataset 656: Sooty Shearwater, Ardenna grisea, PTT, At-Sea, Gough, At-Sea, High Seas, 2007–2009. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/656/ e acedido a 30.11.2025. Glossário:
Grupo de artrópodes marinhos importantes na cadeia alimentar marinha. Glossário:
Grupo de moluscos marinhos que inclui lulas, chocos e polvos. Glossário:
Remoção completa de uma espécie invasora de uma área específica. Glossário:
Mudanças persistentes nos padrões climáticos globais ou regionais, influenciadas por fatores naturais e antropogénicos. Glossário:
Ações destinadas a reduzir ou minimizar impactos negativos sobre espécies ou ecossistemas. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
Refere-se à captura involuntária de espécies marinhas durante a pesca. Os animais podem ficar presos nos anzóis ou nas redes de pesca. Normalmente é associada à pesca comercial, mas também pode ocorrer na pesca lúdica. A captura acidental é uma das principais ameaças às aves marinhas no mar. Glossário:
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma ZEE de espaço marítimo para além das suas águas territoriais. A ZEE nacional é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas náuticas da costa e separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Dentro da sua ZEE, cada estado goza de direitos como: o direito à exploração dos recursos marinhos, o direito à investigação científica e o direito a controlar a pesca por parte de embarcações estrangeiras. Glossário:
Porção do fundo marinho com declive muito pronunciado que fica entre a plataforma continental e a margem continental, onde começam as planícies abissais. Glossário:
Forma de pesca na qual os stocks (ou unidades populacionais) de peixe são explorados até níveis inaceitáveis do ponto de vista biológico e ecológico. A sobrepesca de certas espécies-chave, como é o caso dos tubarões, pode levar ao colapso dos ecossistemas marinhos. Glossário:
Rede estática frequentemente invisível e com malhagem de dimensão variável, utilizada na captura de uma grande variedade de peixes. É deixada no mar a profundidade variável sendo posteriormente recolhida. É uma arte de pesca não seletiva que captura com muita frequência aves, mamíferos e répteis marinhos. Glossário:
Referente ao período que antecede a reprodução. Glossário:
Porção do fundo marinho que começa na linha de costa e desce, com um declive suave, até ao talude continental (onde o declive é muito mais pronunciado). Em média, a plataforma continental desce até uma profundidade de 200 metros. Glossário:
Arte de pesca constituída por uma linha principal (madre) de onde derivam linhas secundárias às quais são fixados anzóis. É deixado no mar, podendo ser colocado no fundo para capturar espécies de profundidade (e.g. peixe-espada) ou à superfície para capturar os grandes peixes pelágicos (e.g. espadarte). Glossário:
Período geralmente correspondente aos meses de inverno, podendo incluir parte do outono. Glossário:
Pequeno aparelho que se coloca nas aves para estudar os seus movimentos de larga escala (geralmente a migração), e que funciona através do registo da intensidade de luz (a partir da qual se estima a duração da noite e a hora do meio-dia local e, consequentemente, a latitude e a longitude em cada dia). Glossário:
Designação geralmente atribuída a uma espécie introduzida de forma deliberada ou acidental num determinado local ou região fora da sua área de distribuição original. Consoante a sua adaptação aos novos locais, uma espécie introduzida pode ou não naturalizar-se e proliferar.