Pedreiro
Nome científico: Puffinus boydi
Família procellariidae
- Fenologia Continente
- Ausente
- Fenologia Madeira
- Acidental
- Fenologia Açores
- Acidental
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Mapas
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Período de dados / número de indivíduos:
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Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
O pedreiro nidifica exclusivamente no arquipélago de Cabo Verde, entre dezembro e maio. As suas colónias distribuem-se pelas ilhas de Santo Antão, São Vicente, Branco, Raso, São Nicolau, Rombos, Brava, Fogo e Santiago e pelos ilhéus Branco e Raso (Billerman et al. 2026). Após a nidificação, migra maioritariamente para as águas do Atlântico Central, com algumas aves a atingir as águas mais costeiras do norte do Brasil (Zajková et al. 2017). Existem registos de alguns indivíduos a visitar ocasionalmente as colónias de pintainho Puffinus baroli das Canárias. O facto da espécie ter sido reconhecida muito recentemente, aliada à dificuldade de separação do seu congênere pintainho apenas com base em características morfológicas, pode justificar a ausência de registos da sua ocorrência em águas nacionais.
Com base nos dados de 19 aves equipadas com GLS entre 2007 e 2013, observou-se a ocorrência da espécie nas subáreas dos Açores e da Madeira da ZEE portuguesa, principalmente nas águas entre as ilhas do grupo central dos Açores e a ilha da Madeira. Esta zona parece ser utilizada com maior intensidade durante o período não reprodutor.
Abundância e evolução populacional
A espécie foi reconhecida muito recentemente, não havendo estimativas atuais do tamanho da sua população global. No final dos anos 1980 e início dos anos 1990, estimava-se que existiam vários milhares de casais a nidificar em Cabo Verde. Nesse período, ocuparia provavelmente várias ilhas e ilhéus, havendo reprodução comprovada ou indícios em múltiplas ilhas (Gill & Donsker 2019). Atualmente, a população parece estar moderadamente estável, embora haja uma elevada incerteza devido à falta de monitorização sistemática e ao reduzido tamanho das colónias. A ausência de dados impede a avaliação de tendências populacionais robustas, não tendo sido consequentemente possível avaliar o estado ambiental desta população na ZEE portuguesa.
Ecologia e habitat
O pedreiro é uma espécie pelágica e costeira que nidifica em ilhéus e encostas rochosas de algumas ilhas. Alimenta-se sobretudo em águas relativamente produtivas próximas das ilhas, utilizando estratégias de mergulho pouco profundo. A dieta inclui sobretudo pequenos peixes e cefalópodes, estando dependente das condições oceanográficas locais (Zajková et al. 2017).
Ameaças e conservação
A espécie foi historicamente explorada através da apanha de adultos e ovos, pressão que ainda persiste localmente. A ampla distribuição nas ilhas de Cabo Verde sugere resiliência, contudo, sendo colónias pequenas e isoladas, acabam por permanecer muito vulneráveis a quaisquer perturbações. Os eventos ambientais extremos podem também reduzir a disponibilidade alimentar (Pyle et al. 2011; dos Santos et al. 2022).
Autor
Inês Lacerda
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Zajková Z, Militão T & González-Solís J (2017). Year-round movements of a small seabird and oceanic isotopic gradient in the tropical Atlantic. Marine Ecology Progress Series 579: 169-183. Bibliografia:
Pyle P, Welch AJ & Fleischer RC (2011). A new species of shearwater (Puffinus) recorded from Midway Atoll, Northwestern Hawaiian Islands. The Condor: Ornithological Applications 113(3): 518–527. Bibliografia:
Gill F & Donsker D (eds.) (2019). Loons, penguins, petrels. IOC World Bird List v 9.1. Bibliografia:
dos Santos I, Ramos JA, Ceia FR, Rodrigues I, Almeida N, Antunes S, Carreiro AR, Matos DM, Lopes RJ, Geraldes P & Paiva VH (2022). Sexual segregation in the foraging distribution, behaviour, and trophic niche of the endemic Boyd’s shearwater (Puffinus lherminieri boydi). Marine Biology 169: 144. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Dados:
Gonzalez-Solis J (2014a). Dataset 980: Boyd’s Shearwater, Puffinus boydi, Geolocator (GLS), Ilhéu de Cima, Ilhéus do Rombo, Cape Verde, 2009–2014. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/980/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Gonzalez-Solis J (2009b). Dataset 981: Boyd’s Shearwater, Puffinus boydi, Geolocator (GLS), Raso, Raso Islet, Cape Verde, 2007–2009. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/981/ e acedido a 30.11.2025. Glossário:
Grupo de moluscos marinhos que inclui lulas, chocos e polvos. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma ZEE de espaço marítimo para além das suas águas territoriais. A ZEE nacional é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas náuticas da costa e separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Dentro da sua ZEE, cada estado goza de direitos como: o direito à exploração dos recursos marinhos, o direito à investigação científica e o direito a controlar a pesca por parte de embarcações estrangeiras. Glossário:
Zona ou ambiente onde vivem normalmente os seres vivos que não dependem dos fundos marinhos. É o ambiente ecológico típico das águas oceânicas abertas. O ecossistema pelágico não abrange apenas o alto-mar, dele fazendo parte também as águas que cobrem a plataforma continental. A zona pelágica começa abaixo da zona de influência das marés, prolongando-se até ao alto-mar, em profundidades que variam desde algumas dezenas de metros até aproximadamente 6.000 metros, dividindo-se em diferentes camadas. Glossário:
Pequeno aparelho que se coloca nas aves para estudar os seus movimentos de larga escala (geralmente a migração), e que funciona através do registo da intensidade de luz (a partir da qual se estima a duração da noite e a hora do meio-dia local e, consequentemente, a latitude e a longitude em cada dia).