Pilrito-das-praias
Nome científico: Calidris alba
Família scolopacidae
- Fenologia Continente
- Invernante e migrador de passagem
- Fenologia Madeira
- Invernante e migrador de passagem
- Fenologia Açores
- Invernante e migrador de passagem
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Mapas
Arenaria | Inverno
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Período de dados / número de indivíduos:
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Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
O pilrito-das-praias é um migrador de longa distância que se reproduz na tundra Ártica e inverna nas zonas costeiras por todo o mundo , com exceção do continente Antártico (Billerman et al. 2026). Em Portugal, ocorre sobretudo no litoral continental, sendo menos abundante nos Açores e na Madeira (Equipa Atlas 2018; Fagundes & Catry 2022). Pode ser encontrado por toda a costa continental, desde Caminha a Vila Real de Santo António, sendo claramente mais abundante na região Norte e nas imediações das grandes zonas húmidas do centro e do sul, como o estuário do Tejo e a Ria Formosa (Meirinho et al. 2014). Ocorre na nossa costa em maior abundância durante as suas migrações pós-nupciais, nos meses de verão e início de outono, sendo também relativamente abundante durante os meses de inverno e meados da primavera. A população que ocorre em Portugal parece ser oriunda sobretudo da Gronelândia e do Ártico Canadiano (Reneerkens et al. 2009).
Abundância e evolução populacional
A população global de pilrito-das-praias foi estimada entre 900.000 e 1.200.000 indivíduos maduros (BirdLife International 2025). É a limícola mais abundante nas praias de Portugal continental, tendo sido estimados cerca de 3.000 indivíduos no inverno de 2021-2022 (Fagundes & Catry 2022). Ocorre também em zonas de estuário, mas em menor abundância, com cerca de 650 a 700 indivíduos contados nos invernos de 2024 e 2025 (IWC 2026). Os censos anuais no âmbito do projeto Arenaria, efetuados desde o ano de 2009 (Lourenço et al. 2013), indicam uma tendência estável na população invernante de pilrito-das-praias, em Portugal continental (Fagundes & Catry 2022), tendo a população atingido o Bom Estado Ambiental para o indicador de abundância. Esta tendência contrasta com a tendência global de declínio da espécie (BirdLife International 2025). Apesar de pouco abundante nas ilhas (Equipa Atlas 2018; Fagundes & Catry 2022), a população da Madeira também atingiu o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância, contrariamente à população dos Açores.
Ecologia e habitat
Durante o inverno, os pilritos-das-praias habitam sobretudo praias de areia ou areia-vasosa, ocorrendo também por vezes em zonas de plataforma rochosa (Lourenço et al. 2013). Alimentam-se sobretudo nas zonas de sedimento exposto durante a maré-baixa ou junto à zona de rebentação (Mazzochi et al. 2021). A sua dieta é constituída por pequenos invertebrados, que vivem enterrados ou à superfície do sedimento, como poliquetas, bivalves e larvas de mosquitos, ou pequenos peixes (Lourenço et al. 2015; Lourenço 2019).
Ameaças e conservação
Apesar de ocorrem em praias perto de centros urbanos, as quais estão frequentemente localizadas perto de estuários e outras zonas húmidas muito produtivas (Lourenço et al. 2013), os pilritos-das-praias são particularmente sensíveis à perturbação humana direta associada à presença de pessoas e, sobretudo, de cães sem trela nas suas zonas de alimentação (Lourenço et al. 2013; Lopes 2024). A espécie é também afetada pela poluição por plásticos; um estudo feito no estuário do Tejo revelou a presença de microplásticos em 80% das amostras desta espécie, em concentrações apenas superadas pelas encontradas em alfaiates Recurvirostra avosetta (Lourenço et al. 2017).
Autor
Maria P. Dias
Reneerkens J, Benhoussa A, Boland H, Collier M, Grond K, Guenther K, Hallgrimsson GT, Hansen J, Meissner W, de Meulenaer B, Ntiamoa-Baidu Y, Piersma T, Poot M, van Roomen M, Summers RW, Tomkovich PS & Underhill LG (2009). Sanderlings using African–Eurasian flyways: A review of current knowledge. Wader Study Group Bulletin 116: 2–20. Bibliografia:
Meirinho A, Barros N, Oliveira N, Catry P, Lecoq M, Paiva V, Geraldes P, Granadeiro JP, Ramírez I & Andrade J (2014). Atlas das Aves Marinhas de Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Bibliografia:
Mazzochi MS, Nightingale J & Pereira MJR (2021). Trophic interactions of shorebirds in a wintering area of southern Brazil: Foraging strategies and habitat preferences. Waterbirds 44(4): 492–498. Bibliografia:
Lourenço PM, Serra-Gonçalves C, Ferreira JL, Catry T & Granadeiro JP (2017). Plastic and other microfibers in sediments, macroinvertebrates and shorebirds from three intertidal wetlands of southern Europe and West Africa. Environmental Pollution 231: 123–133. Bibliografia:
Lourenço PM, Catry P, Lecoq M, Ramírez I & Granadeiro JP (2013). Role of disturbance, geology and other environmental factors in determining abundance and diversity in coastal avian communities during winter. Marine Ecology Progress Series 479: 223-234. Bibliografia:
Lourenço PM, Alves JA, Catry T & Granadeiro JP (2015). Foraging ecology of sanderlings (Calidris alba) wintering in estuarine and non-estuarine intertidal areas. Journal of Sea Research 104: 33–40. Bibliografia:
Lourenço PM (2019). Internet photography forums as sources of avian dietary data: bird diets in Continental Portugal. Airo 26:3-26. Bibliografia:
Lopes AF (2024). Influência da pressão antropogénica na distribuição e ecologia alimentar de aves limícolas em contexto urbano. Tese de Mestrado. Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Bibliografia:
IWC (2026). Censo internacional de aves aquáticas. Disponível em https://iwc.wetlands.org/index.php/nattotals e acedido a 02.04.2026. Bibliografia:
Fagundes AI & Catry P (2022). Projeto Arenaria, 2009–2022. Em Alonso H, Andrade J, Teodósio J & Lopes A (coords.). O estado das aves em Portugal, 2022 (2nd ed.). Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Bibliografia:
Equipa Atlas (2018). Atlas das Aves Invernantes e Migradoras de Portugal 2011-2013. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, LabOr- Laboratório de Ornitologia – ICAAM - Universidade de Évora, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (Madeira), Secretaria Regional da Energia, Ambiente e Turismo (Açores) e Associação Portuguesa de Anilhadores de Aves. Lisboa. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Glossário:
Indivíduos capazes de se reproduzir, utilizados como referência em estimativas populacionais. Glossário:
Moluscos com duas conchas, como amêijoas e berbigões, comuns em ambientes intertidais. Glossário:
Partículas de plástico com dimensão inferior a 5 mm. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
É um grupo de aves associado a zonas húmidas costeiras ou interiores, geralmente encontradas em habitats de lodo, sapais, estuários, margens de lagoas, areais e zonas alagadas. Mas algumas dessas espécies utilizam também a costa arenosa e rochosa do nosso país. Glossário:
Nome dado às extensas planícies com vegetação rasteira, sem árvores, características das regiões árticas e subárticas. A tundra é geralmente uma região muito fria e com reduzida precipitação. Glossário:
Vermes anelídeos pertencentes à classe Polichaeta.