Pilrito-de-peito-preto

Nome científico: Calidris alpina

Espécies limícolas

Família scolopacidae

Fenologia Continente
Invernante e migrador de passagem
Fenologia Madeira
Migrador de passagem
Fenologia Açores
Migrador de passagem
Estatuto UICN Global
NT
Estatuto Continente
LC
Estatuto Madeira
NE
Estatuto Açores
NE
Ilustração da espécie

Dados

Continente

Avaliação do indicador de Abundância

Madeira

Avaliação do indicador de Abundância

Açores

Avaliação do indicador de Abundância

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

O pilrito-de-peito-preto nidifica entre maio e julho, no Ártico e em regiões subárticas e temperadas frias da Eurásia e da América do Norte. Migra posteriormente para zonas temperadas e tropicais do hemisfério norte (Billerman et al. 2026).

Em Portugal, as aves invernantes são originárias sobretudo da Escandinávia e da Rússia, incluindo uma pequena porção do Báltico e do Reino Unido (Delany et al. 2009). Temporariamente, juntam-se as aves que por aqui passam em migração para a costa noroeste de África, sendo maioritariamente oriundas das colónias da Islândia (Catry et al. 2010a; Lopes et al. 2006). A espécie ocorre principalmente em zonas estuarinas do continente, nomeadamente nos estuários do Tejo e Sado, na Ria Formosa e na Ria de Aveiro, sendo ainda um visitante regular dos estuários do Mondego e Guadiana. Tem menor expressão em lagoas costeiras, em algumas barragens do interior alentejano e na costa não estuarina (Lecoq et al. 2013; Equipa Atlas 2018). Nos Açores e na Madeira, ocorre de forma isolada, devido ao seu afastamento em relação à principal rota migratória utilizada e à reduzida disponibilidade de habitat adequado nas ilhas.

Abundância e evolução populacional

A população global foi estimada entre três a sete milhões de indivíduos maduros, com uma tendência decrescente (BirdLife International 2025). Em Portugal, mais de 90% da população invernante concentra-se nos estuários do Tejo e do Sado, Ria Formosa e Ria de Aveiro, totalizando cerca de 40 mil aves no início dos anos 2010 (Equipa Atlas 2018). A pequena porção que utiliza a costa não estuarina, representa apenas 1% desta população (Lecoq et al. 2013). Apesar da tendência crescente observada na Europa (Wetlands International 2025), em Portugal a espécie aparenta estar em declínio nos estuários do Tejo e do Sado e na Ria Formosa, onde ocorre 70 a 80% da população nacional (Catry et al. 2011b; Alonso et al. 2022; Belo et al. 2023; Araújo 2025), a par da tendência negativa na costa não estuarina (Velde 2025) e não atingindo o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância no continente. Nos Açores e na Madeira, a espécie ocorre em muito pequeno número (Equipa Atlas 2018). Ainda assim, a população dos Açores não atingiu o Bom Estado Ambiental, contrariamente à população da Madeira.

Ecologia e habitat

O pilrito-de-peito-preto é a espécie de limícola mais comum nos estuários e outras zonas húmidas costeiras de Portugal continental. Utiliza muito pouco a costa não estuarina, visitando esporadicamente as praias adjacentes às zonas lagunares costeiras e estuários. Também utiliza ativamente salinas e campos agrícolas inundados. Alimenta-se de pequenos invertebrados, principalmente bivalves, anelídeos, larvas de insectos, anfípodes e poliquetas (Lopes et al. 1998; Lourenço 2019; Billerman et al. 2026).

Ameaças e conservação

As causas para o decréscimo populacional a nível global não são conhecidas (BirdLife International 2025). A nível nacional, o decréscimo das populações poderá ter origem em fatores locais, ou de alterações nas suas áreas de migração e invernada (Catry et al. 2011b) eventualmente partilhados ao longo da Rota de Migração do Atlântico Este (Lourenço et al. 2018; Schekkerman et al. 2018; Belo et al. 2023). A degradação de algumas áreas de invernada e o potencial de construção de infraestruturas nessas áreas constituem ameaças relevantes, com potencial redução da qualidade das áreas de alimentação (Catry et al. 2021). As alterações climáticas podem igualmente induzir as aves limícolas a um deslocamento das áreas de invernada para latitudes mais próximas das suas áreas de nidificação, contribuindo para um decréscimo das populações em regiões mais a sul (Rehfisch et al. 2004).

Autor

Nuno Oliveira