Pilrito-escuro
Nome científico: Calidris maritima
Família scolopacidae
- Fenologia Continente
- Invernante
- Fenologia Madeira
- Acidental
- Fenologia Açores
- Invernante
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
O pilrito-escuro reproduz-se em regiões árticas e subárticas da América, Ásia e Europa, de maio a julho (Billerman et al. 2026). Inverna preferencialmente em latitudes temperadas frias, situando-se Portugal já próximo do limite meridional da sua área de distribuição (Delany et al. 2009). Presume-se que as aves que ocorrem no nosso país tenham origem nas populações europeias ou do Canadá (Catry et al. 2010a). No continente, é um visitante regular da costa rochosa, embora com uma distribuição muito localizada (Equipa Atlas 2018). As primeiras aves chegam já numa fase avançada da migração, em novembro, podendo permanecer até abril ou maio. Também nos Açores a espécie surge regularmente durante o outono e o inverno. O arquipélago da Madeira situa-se fora da sua área de distribuição típica, podendo ocorrer de forma acidental.
Abundância e evolução populacional
A população global foi estimada entre 204.000 e 287.000 indivíduos (Wetlands International 2025), com uma tendência decrescente (BirdLife International 2025). A espécie é escassa no nosso país, registando-se no âmbito do Projeto Arenaria contagens inferiores a duas dezenas de indivíduos na costa continental. Sendo uma limícola de difícil deteção, a população poderá estar ligeiramente subestimada. O número elevado de pilritos-escuros registado no passado (Catry et al. 2010a) poderá também refletir uma oscilação na abundância da espécie no nosso país (Lecoq et al. 2013). De facto, os valores estimados no presente trabalho indicam que esta população atingiu o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância. Nos Açores, apesar da informação acerca da abundância e evolução populacional ser escassa, a população aparenta não ter atingido o Bom Estado Ambiental.
Ecologia e habitat
Durante o inverno, o pilrito-escuro é um verdadeiro especialista das praias rochosas expostas ao oceano. Usando também estruturas artificiais semelhantes, como os molhes de portos de pesca ou pontões construídos em costa arenosa. Nesta época, alimenta-se maioritariamente de gastrópodes, insetos, crustáceos, anelídeos e pequenas quantidades de vegetação marinha (Billerman et al. 2026), salientando-se o papel determinante das cracas e do mexilhão (Johnston et al. 2025).
Ameaças e conservação
As atividades humanas e a perda ou degradação de habitat costeiro têm sido apontadas como as principais ameaças a esta espécie, nos seus locais de invernada. Também se prevê uma diminuição acentuada na população devido ao efeito das alterações climáticas (Rehfisch et al. 2004).
Autor
Nuno Oliveira
Wetlands International (2025). Waterbird Population Estimates. Disponível em http://wpe.wetlands.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Rehfisch MM, Austin GE, Freeman SN, Armitage MJS & Burton NHK (2004). The possible impact of climate change on the future distributions and numbers of waders on Britain’s non-estuarine coast. Ibis 146: 70–81. Bibliografia:
Lecoq M, Lourenço PM, Catry P, Andrade J & Granadeiro JP (2013). Wintering waders on the Portuguese mainland non-estuarine coast: results of the 2009-2011 survey. Wader Study Group Bulletin 120: 66-70. Bibliografia:
Johnston EM, Mittelhauser GH, Foster JT, Mau RL, Gibson AA, Gillece JD, Klemmer AJ & Olsen BJ (2025). Barnacles dominate the winter diet of Calidris maritima (Purple Sandpiper) in Maine: A bona fide dietary shift or molecular techniques revealing an unknown diet composition? Ornithology 142(3): 1-13. Bibliografia:
Equipa Atlas (2018). Atlas das Aves Invernantes e Migradoras de Portugal 2011-2013. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, LabOr- Laboratório de Ornitologia – ICAAM - Universidade de Évora, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (Madeira), Secretaria Regional da Energia, Ambiente e Turismo (Açores) e Associação Portuguesa de Anilhadores de Aves. Lisboa. Bibliografia:
Delany S, Dodman T, Stroud D & Scott D (2009). An atlas of wader population in Africa and western Eurasia. Wetlands International, Wageningen. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Glossário:
Extremo sul da área de ocorrência de uma espécie. Glossário:
Grupo de moluscos que inclui caracóis e búzios, comuns em habitats costeiros e frequentemente consumidos por aves limícolas. Glossário:
Grupo de artrópodes marinhos importantes na cadeia alimentar marinha. Glossário:
Mudanças persistentes nos padrões climáticos globais ou regionais, influenciadas por fatores naturais e antropogénicos. Glossário:
Áreas onde as aves permanecem fora da época reprodutora, geralmente associadas a condições favoráveis de alimentação e sobrevivência. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
É um grupo de aves associado a zonas húmidas costeiras ou interiores, geralmente encontradas em habitats de lodo, sapais, estuários, margens de lagoas, areais e zonas alagadas. Mas algumas dessas espécies utilizam também a costa arenosa e rochosa do nosso país.