Pintainho
Nome científico: Puffinus baroli
Família procellariidae
- Fenologia Continente
- Estival e invernante
- Fenologia Madeira
- Residente
- Fenologia Açores
- Residente
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Mapas
Ocorrência | Primavera
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Período de dados / número de indivíduos:
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Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
O pintainho ocorre nas águas tropicais e temperadas do Atlântico Norte, reproduzindo-se nos arquipélagos da Macaronésia. Em Portugal, reproduz-se em ilhas e ilhéus dos arquipélagos dos Açores e da Madeira, entre dezembro e junho (Neves et al. 2012; Equipa Atlas 2022). Após a reprodução, não realiza migrações de grande escala (Neves et al. 2012; Paiva et al. 2016; Ramos et al. 2020) mantendo-se pelo menos parte da população nas proximidades das colónias e visitando-as mesmo durante esse período (Billerman et al. 2026). Ocorre em toda a ZEE portuguesa, com maior densidade na subárea da Madeira (Meirinho et al. 2014). Esta ocorrência foi confirmada por dados de seguimento individual de 27 aves equipadas com dispositivos GLS, provenientes de colónias da Madeira e dos Açores, indicando uma ampla utilização de todas as subáreas da ZEE, quer durante a reprodução como durante a não reprodução. Parece apenas evitar as águas muito profundas do extremo ocidental da subárea dos Açores.
Abundância e evolução populacional
Em Portugal a população foi estimada entre 2.407 e 5.578 casais (Equipa Atlas 2022) devendo corresponder a mais de 83% da população mundial (BirdLife International 2025). Nos Açores, a espécie nidifica em várias ilhas e ilhéus, embora nem todas as colónias estejam confirmadas e subsista escassa informação sobre o tamanho e a tendência populacional. Para o período 1996–2004, foi estimada uma população entre 895 e 1.741 casais (Monteiro et al. 1999; Equipa Atlas 2022). Entre 2018 e 2022, estimaram-se 23 casais reprodutores no ilhéu de Vila e 17 casais no ilhéu da Praia (Pipa et al. 2024). No arquipélago da Madeira, ocorre em pequenos números na ilha da Madeira, Porto Santo e Desertas, sendo mais abundante nas ilhas Selvagens. Em 2013, o efetivo reprodutor na Selvagem Grande foi estimado em 1.383 a 3.684 casais e, no ilhéu de Cima (Porto Santo), entre 129 e 148 casais (Isabel Fagundes com. pess.). Estes valores, comparados com o censo anterior na Selvagem Grande (Oliveira & Moniz 1995; Moniz et al. 1997), sugerem um decréscimo entre 24,7% e 32,6% ao longo de 20 anos. No entanto, a falta de uma série temporal mínima impossibilitou a avaliação do estado ambiental para a população madeirense. Já nos Açores, a população nidificante não atingiu o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância.
Ecologia e habitat
O pintainho é uma ave pelágica não migradora, mas podendo dispersar até 2.500 km das colónias (Neves et al. 2012). Nidifica em cavidades no solo e em falésias inacessíveis, podendo partilhar áreas de nidificação com outras aves marinhas. A dieta é dominada por pequenos cefalópodes e peixes, mergulhando em média até ~15 m (Monteiro et al. 1998; Neves et al. 2012; Ramos et al. 2015a).
Ameaças e conservação
Os principais fatores de ameaça são a predação por mamíferos introduzidos, redução de habitat de nidificação, predadores indígenas tais como a gaivota-de-patas-amarelas Larus michahellis, poluição luminosa e competição interespecífica por cavidades de nidificação (Monteiro et al. 1996a; Rodríguez et al. 2012). As alterações climáticas e os fenómenos meteorológicos severos constituem uma ameaça crescente, uma vez que o aumento do número e da intensidade das tempestades pode provocar alterações no habitat de nidificação ou inundações (Fagundes et al. 2016). Além disso, as alterações climáticas podem modificar as condições oceanográficas, podendo conduzir à diminuição da abundância de presas (Ramos et al. 2015a).
Autores
Isabel Fagundes, Tânia Pipa, Zuzana Zajkova, Verónica Neves
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Rodríguez A, Rodríguez B & Lucas M P (2012). Trends in numbers of petrels attracted to artificial lights suggest population declines in Tenerife, Canary Islands. Ibis 154: 167-172. Bibliografia:
Ramos R, Paiva VH, Zajková Z, Precheur C, Fagundes AI, Jodice PGR, Mackin W, Zino F, Bretagnolle V & González-Solís J (2020). Spatial ecology of closely related taxa: the case of the little shearwater complex in the North Atlantic Ocean. Zoological Journal of the Linnean Society XX: 1–21. Bibliografia:
Ramos JA, Fagundes AI, Xavier J C, Fidalgo V, Ceia FR, Medeiros R & Paiva V H (2015a). A switch in the Atlantic Oscillation correlates with inter-annual changes in foraging location and food habits of Macaronesian shearwaters (Puffinus baroli) nesting on two islands of the sub-tropical Atlantic Ocean. Deep-Sea Research I 104: 60–71. Bibliografia:
Pipa T, Martins B, Silva C, Heber S, Magalhães M, Carriço R, Câmara R, Lourenço J, Aguiar L, Cunha B, Raposo P, Raposo A, Coelho R, Huamán M, Pinto F, Sequeira R, Carreira G, Pereira D & De la Cruz A (2024). Monitorização de aves marinhas Procellariiformes 2020-2023: Relatório da Ação D5.1. Projeto LIFE IP AZORES NATURA - LIFE17 IPE/PT/00010. Relatório não publicado. Bibliografia:
Paiva VH, Fagundes AI, Romão V, Gouveia C & Ramos JA (2016). Population-scale foraging segregation in an apex predator of the North Atlantic. PLoS ONE 11(3): e0151340. Bibliografia:
Oliveira P & Moniz P (1995). Population size, breeding chronology, annual cycle and effects of inter-specific competition on the reproductive success of little shearwater Puffinus assimilis baroli in Selvagem. Em Tasker ML (ed.) Threats to seabirds: Proceedings of the 5th International Seabird Group conference. Seabird Group, Sandy: 35. Bibliografia:
Neves VC, Bried J, González-Solís J, Roscales JL & Clarke MR (2012). Feeding ecology and movements of the Barolo shearwater Puffinus baroli baroli in the Azores, NE Atlantic. Marine Ecology Progress Series 452: 269-285. Bibliografia:
Monteiro LR , Ramos JA, Pereira JC, Monteiro PR, Feio RS, Thompson DR, Bearshop S, Furness RW, Laranjo M, Hilton G, Neves VC, Groz MP & Thompson KR (1999). Status and distribution of Fea’s Petrel, Bulwer’s Petrel, Manx Shearwater, Little Shearwater and Band-rumped Storm-Petrel in the Azores Archipelago. Waterbirds 22(3): 358-366. Bibliografia:
Monteiro LR, Ramos JA, Furness RW (1996a). Past and present status and conservation of the seabirds breeding in the Azores Archipelago. Biological Conservation 78: 319–328. Bibliografia:
Monteiro LR , Granadeiro JP & Furness RW (1998). Relationship between mercury levels and diet in Azores seabirds. Marine Ecology Progress Series 166: 259-265. Bibliografia:
Moniz P, Monteiro L & Oliveira P (1997). The Little shearwater. Em Hegemeijer W & Blair M (eds.). The EBCC atlas of european breeding birds. Their distribution and abundance. T & Ad Poyser, London. Bibliografia:
Meirinho A, Barros N, Oliveira N, Catry P, Lecoq M, Paiva V, Geraldes P, Granadeiro JP, Ramírez I & Andrade J (2014). Atlas das Aves Marinhas de Portugal. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Bibliografia:
Fagundes AI, Ramos JA, Ramos U, Medeiros R & Paiva VH (2016). Breeding biology of a winter-breeding procellariiform in the North Atlantic, the Macaronesian shearwater Puffinus lherminieri baroli. Zoology 119: 421–429. Bibliografia:
Equipa Atlas (2022). III Atlas das Aves Nidificantes de Portugal (2016-2021). SPEA, ICNF, LabOr/UÉ, IFCN. Portugal. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Dados:
Paiva V (2014). Dataset 1028: Barolo Shearwater, Puffinus baroli, Geolocator (GLS), Cima Islet, Madeira, Portugal, 2011–2014. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1028/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Paiva V (2013). Dataset 1029: Barolo Shearwater, Puffinus baroli, Geolocator (GLS), Selvagens, Madeira, Portugal, 2010–2013. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1029/ e acedido a 30.11.2025. Dados:
Neves V & Gonzalez-Solis J (2008). Dataset 684: Barolo Shearwater, Puffinus baroli, Geolocator (GLS), Vila, Azores, Portugal, 2007–2008. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/684/ e acedido a 30.11.2025. Glossário:
Grupo de moluscos marinhos que inclui lulas, chocos e polvos. Glossário:
Alteração dos níveis naturais de luz noturna devido a iluminação artificial. Glossário:
Mudanças persistentes nos padrões climáticos globais ou regionais, influenciadas por fatores naturais e antropogénicos. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Conjunto de dados recolhidos de forma consistente ao longo do tempo, usados para analisar tendências. Glossário:
Monitorização dos movimentos de indivíduos através de dispositivos. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma ZEE de espaço marítimo para além das suas águas territoriais. A ZEE nacional é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas náuticas da costa e separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Dentro da sua ZEE, cada estado goza de direitos como: o direito à exploração dos recursos marinhos, o direito à investigação científica e o direito a controlar a pesca por parte de embarcações estrangeiras. Glossário:
Zona ou ambiente onde vivem normalmente os seres vivos que não dependem dos fundos marinhos. É o ambiente ecológico típico das águas oceânicas abertas. O ecossistema pelágico não abrange apenas o alto-mar, dele fazendo parte também as águas que cobrem a plataforma continental. A zona pelágica começa abaixo da zona de influência das marés, prolongando-se até ao alto-mar, em profundidades que variam desde algumas dezenas de metros até aproximadamente 6.000 metros, dividindo-se em diferentes camadas. Glossário:
Região biogeográfica que engloba os arquipélagos dos Açores, da Madeira, das Canárias e de Cabo Verde. Glossário:
Pequeno aparelho que se coloca nas aves para estudar os seus movimentos de larga escala (geralmente a migração), e que funciona através do registo da intensidade de luz (a partir da qual se estima a duração da noite e a hora do meio-dia local e, consequentemente, a latitude e a longitude em cada dia). Glossário:
Designação geralmente atribuída a uma espécie introduzida de forma deliberada ou acidental num determinado local ou região fora da sua área de distribuição original. Consoante a sua adaptação aos novos locais, uma espécie introduzida pode ou não naturalizar-se e proliferar.