Pombalete
Nome científico: Fulmarus glacialis
Família procellariidae
- Fenologia Continente
- Acidental
- Fenologia Madeira
- Acidental
- Fenologia Açores
- Acidental
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
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Período de dados / número de indivíduos:
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Sem dados disponíveis para o período seleccionado.
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
O pombalete nidifica, entre março e agosto, em vastas áreas do Atlântico Norte e Pacífico Norte, desde o Japão e o Reino Unido até ao Alto Ártico. As populações do norte são migratórias, deslocando-se para sul à medida que o mar congela. Já as populações mais a sul tendem a ser mais dispersivas, mas raramente atingem zonas de águas quentes (Billerman et al. 2026).Os registos em águas portuguesas são raros e sobretudo ocasionais em qualquer uma das três regiões (Correia-Fagundes et al. 2021; Birding Azores 2022; Robb et al. 2025). Estas observações são normalmente de aves solitárias que ocorrem durante o inverno ou após tempestades fortes. Sendo também nestes períodos que se detetam algumas aves mortas ou debilitadas nas praias (Costa et al. 2020).
Com base nos dados de 34 aves equipadas com GLS entre 2007 e 2021 em colónias das ilhas Faroé, Islândia, Noruega e Reino Unido, verificou-se a ocorrência na ZEE portuguesa ao longo de grande parte do ano, com uma maior utilização no mês março e entre agosto e outubro, correspondendo, ao início do período reprodutor e aos movimentos pós-nupciais. É neste último período que a espécie apresenta uma distribuição mais extensa, sobretudo na subárea dos Açores e nas águas oceânicas do continente, em particular na região norte e noroeste do arquipélago. Na subárea da Madeira, a distribuição parece ser menos extensa.
Abundância e evolução populacional
A população global foi estimada em 20 milhões indivíduos, dos quais 7 milhões ocorrem na Europa (BirdLife International 2025). Enquanto na América do Norte a tendência populacional é de crescimento, na Europa regista-se um declínio desde a década de 1980, com uma redução estimada superior a 40%.
Em Portugal, sendo uma espécie que muito raramente se aproxima de costa, o efetivo populacional que usa as águas portuguesas é difícil de estimar. Não existindo informação acerca da sua evolução populacional, impossibilita a avaliação do seu estado ambiental. Contudo, os dados de arrojamento registados entre os anos 1990 e a atualidade apontam para ordens de grandeza semelhantes, com apenas alguns indivíduos a serem registados na costa do continente (Granadeiro et al. 1997; Oliveira et al. 2023c).
Ecologia e habitat
Esta espécie nidifica tipicamente em penhascos e paredes rochosas, mas também ocasionalmente em terrenos mais planos. A sua dieta é composta por várias espécies de peixe, lulas e zooplâncton (especialmente anfípodes), alimentando-se também de vísceras e carniça. A maior parte do seu alimento é obtido por captura à superfície, mas também pode fazer pequenos mergulhos (Billerman et al. 2026). É também comum aproximarem-se de barcos de pesca em grande número, principalmente arrastões, palangreiros e embarcações de redes de emalhar.
Ameaças e conservação
Fora das áreas de reprodução, as principais ameaças à espécie são a mortalidade por captura acidental em artes de pesca, principalmente em palangre demersal, arrasto e redes de emalhar (Dunn & Steel 2001; Anderson et al. 2011; Žydelis et al. 2013). A ingestão de plástico também é uma ameaça significativa para o pombalete, com estudos a mostrarem que cerca de 95% das aves arrojadas no Mar do Norte contêm plástico no estômago (van Franeker et al. 2011). A maioria apresenta quantidades superiores ao limite de 0,1 g por indivíduo estabelecido pelo acordo OSPAR. Contudo, os impactos populacionais desta ingestão ainda são desconhecidos.
Autor
Tânia Nascimento
Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual
Thompson 2013, SEATRACK
Žydelis R, Small C & French G (2013). The incidental catch of seabirds in gillnet fisheries: a global review. Biological Conservation 162: 76-88. Bibliografia:
van Franeker JA, Blaize C, Danielsen J, Fairclough K, Gollan J, Guse N, Hansen PL, Heubeck M, Jensen JK, Le Guillou G, Olsen B, Olsen KO, Pedersen J, Stienen EWM & Turner DM (2011). Monitoring plastic ingestion by the northern fulmar Fulmarus glacialis in the North Sea. Environmental Pollution 159: 2609–2615. Bibliografia:
Robb M, Alfrey P, Alves P, Cardoso H, Crochet PA, Fagerström V, Fernandes P, Nicolau P, Ramalho P & Valkenburg T (2025). Aves de ocorrência rara ou acidental em Portugal. Relatório do Comité Português de Raridades referente ao ano de 2023. Anuário Ornitológico 17: 3-37. Bibliografia:
Oliveira N, Varanda IC, Harris MP, Almeida A, Alonso H, Bouça A, Ferreira M, Georg M, Lopes J, Sequeira M, Hilário F & Andrade J (2023c). Caracterização do arrojamento massivo de papagaio-do-mar no inverno de 2022-23 em Portugal Continental. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Lisboa (relatório não publicado) Bibliografia:
Granadeiro JP, Silva MA, Fernandes C & Reis A (1997). Beach bird surveys in Portugal 1990-1996. Ardeola 44(1): 9–17. Bibliografia:
Dunn EK & Steel C (2001). The impact of long-line fishing on seabirds in the North east Atlantic: recommendations for reducing mortality. RSPB/JNCC, Sandy, England. Bibliografia:
Costa R, Sá S, Pereira A, Ângelo A, Vaqueiro J, Ferreira M & Eira C (2020). Prevalence of entanglements of seabirds in marine debris in the central Portuguese coast. Marine Pollution Bulletin 161: 111746. Bibliografia:
Correia-Fagundes C, Romano H, Zino FJA & Biscoito M (2021). Birds of the archipelagos of Madeira and the Selvagens III. New records and checklist update (2010-2020). Boletim do Museu de História Natural do Funchal LXXI: 5-20. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Birding Azores (2022). Birding Azores database. Disponível em https://www.azoreswildlife.com/ e acedido a 23.12.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Anderson OR, Small CJ, Croxall JP, Dunn EK, Sullivan BJ, Yates O & Black A (2011). Global seabird bycatch in longline fisheries. Endangered Species Research 14: 91-106. Dados:
Thompson P (2013). Dataset 1048: Northern Fulmar, Fulmarus glacialis, Geolocator (GLS), Eynehallow, Orkney, United Kingdom, 2006–2013. BirdLife International Seabird Tracking Database. Disponível em https://data.seabirdtracking.org/dataset/1048/ e acedido a 30.11.2025. Glossário:
Organismo marinho, geralmente peixes, que passam a maior parte do tempo da sua vida no fundo do mar, associados ao substrato marinho, podendo ser arenoso ou rochoso. No entanto, estes organismos têm capacidade de natação ativa, diferenciando-se assim dos organismos bentónicos. Glossário:
Pequenos crustáceos abundantes em ambientes aquáticos e intertidais, importantes na cadeia alimentar marinha. Glossário:
Convenção internacional para proteção do meio marinho do Atlântico Nordeste, responsável por definir indicadores e metas ambientais. Glossário:
Equipamentos utilizados na captura de animais marinhos, como redes, palangre ou armadilhas. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental. Glossário:
Refere-se à captura involuntária de espécies marinhas durante a pesca. Os animais podem ficar presos nos anzóis ou nas redes de pesca. Normalmente é associada à pesca comercial, mas também pode ocorrer na pesca lúdica. A captura acidental é uma das principais ameaças às aves marinhas no mar. Glossário:
É um termo que vem do inglês offshore, referindo-se às águas afastadas de costa, fora da plataforma continental. Usado em assuntos relacionados com as atividades marítimas, como por exemplo, a pesca, a indústria petrolífera e a exploração de energias renováveis. Estas águas caracterizam-se por serem localizadas em mar aberto, com elevadas profundidades e afastada das influências costeiras, como rios e estuários. Distinguem-se assim das águas costeiras. Glossário:
De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países costeiros têm direito a declarar uma ZEE de espaço marítimo para além das suas águas territoriais. A ZEE nacional é delimitada por uma linha imaginária situada a 200 milhas náuticas da costa e separa as águas nacionais das águas internacionais ou comuns. Dentro da sua ZEE, cada estado goza de direitos como: o direito à exploração dos recursos marinhos, o direito à investigação científica e o direito a controlar a pesca por parte de embarcações estrangeiras. Glossário:
Rede estática frequentemente invisível e com malhagem de dimensão variável, utilizada na captura de uma grande variedade de peixes. É deixada no mar a profundidade variável sendo posteriormente recolhida. É uma arte de pesca não seletiva que captura com muita frequência aves, mamíferos e répteis marinhos. Glossário:
Arte de pesca constituída por uma linha principal (madre) de onde derivam linhas secundárias às quais são fixados anzóis. É deixado no mar, podendo ser colocado no fundo para capturar espécies de profundidade (e.g. peixe-espada) ou à superfície para capturar os grandes peixes pelágicos (e.g. espadarte). Glossário:
Pequeno aparelho que se coloca nas aves para estudar os seus movimentos de larga escala (geralmente a migração), e que funciona através do registo da intensidade de luz (a partir da qual se estima a duração da noite e a hora do meio-dia local e, consequentemente, a latitude e a longitude em cada dia). Glossário:
Animal morto ou moribundo que vem dar à costa devido à ação dos ventos e das correntes marítimas.