Rola-do-mar

Nome científico: Arenaria interpres

Espécies limícolas

Família scolopacidae

Fenologia Continente
Invernante e migrador de passagem
Fenologia Madeira
Invernante e migrador de passagem
Fenologia Açores
Invernante e migrador de passagem
Estatuto UICN Global
NT
Estatuto Continente
VU
Estatuto Madeira
NE
Estatuto Açores
DD
Ilustração da espécie

Dados

Continente

Avaliação do indicador de Abundância

Madeira

Avaliação do indicador de Abundância

Açores

Avaliação do indicador de Abundância

Mapas

Arenaria | Inverno

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

A rola-do-mar nidifica entre maio e agosto, no Ártico e em zonas subárticas. As áreas de invernada ao longo do Atlântico Oriental estendem-se desde o norte da Europa à África do Sul (Delany et al. 2009). Em Portugal, ocorrem aves migradoras e invernantes oriundas do norte da Europa, da Sibéria, da Gronelândia e do Ártico canadiano. Apesar de poderem ser observadas ao longo de todo o ano, em agosto tornam-se mais abundantes devido à passagem de aves em direção a África, ficando por cá uma parte da população ao longo de todo o inverno. Em abril e maio volta a notar-se um aumento devido aos migradores que invernaram mais a sul (Catry et al. 2010a). As aves que ficam ao longo de todo o ano são indivíduos imaturos ou não reprodutores. A rola-do-mar pode ser encontrada ao longo de todo o litoral de Portugal continental, incluindo estuários, zonas lagunares e praias. Nestas últimas, apenas estão ausentes de setores de extensas praias arenosas desprovidas de zonas rochosas entre-marés, como por exemplo os extensos areais dos distritos de Coimbra e Leiria. Muito raramente se afasta da faixa costeira. Os arquipélagos dos Açores e da Madeira, incluindo as ilhas Selvagens, fazem também parte das suas rotas migratórias e áreas de invernada, podendo ser encontradas em todas as ilhas e muitos dos ilhéus (Equipa Atlas 2018).

Abundância e evolução populacional

A população global foi estimada entre dois a três milhões de indivíduos maduros, com uma tendência decrescente (BirdLife International 2025). A população invernante na Europa poderá ter contribuído para o declínio nas décadas mais recentes (Delany et al. 2009), mas as causas são desconhecidas. Em Portugal, a população invernante nas zonas estuarinas e lagunares costeiras tem rondado o milhar de indivíduos (Catry et al. 2010a) e aproximadamente 2.300 indivíduos na costa marinha continental (Lecoq et al. 2013). Nos arquipélagos dos Açores e da Madeira invernam em número considerável (Equipa Atlas 2018) embora não haja estimativas robustas. As populações do continente e dos Açores não atingiram o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância, contrariamente à população da Madeira.

Ecologia e habitat

A rola-do-mar encontra-se muito associada aos habitats costeiros rochosos, bem como às estruturas artificiais semelhantes. Preferem zonas com uma ampla zona entre-marés onde a perturbação por pessoas, cães e aves de rapina é menor (Lourenço et al. 2013). Nos setores estuarinos e lagunares, está também associada a sedimentos grosseiros, e zonas rochosas. Ocasionalmente a espécie é observada em arrozais, também eles costeiros. Alimenta-se sobretudo de pequenos invertebrados (Billerman et al. 2026). A informação sobre a sua dieta em Portugal é muito escassa, apesar de haverem indícios que se alimenta de gastrópodes (Lourenço 2019).

Ameaças e conservação

Existem várias ameaças identificadas a nível global para a espécie, no entanto não se sabe a extensão dos seus efeitos (BirdLife International 2025). A degradação do habitat e a sua conversão parecem ser duas das principais ameaças nas áreas usadas durante a migração e a invernada. Em Portugal as principais ameaças estão associadas a perturbação em locais de alimentação e de repouso.

Autor

Nuno Oliveira