Roque-de-castro

Nome científico: Hydrobates castro

Espécies marinhas

Família hydrobatidae

Fenologia Continente
Reprodutor de inverno
Fenologia Madeira
Reprodutor estival e de inverno
Fenologia Açores
Reprodutor de inverno
Estatuto UICN Global
LC
Estatuto Continente
VU
Estatuto Madeira
LC
Estatuto Açores
EN
Ilustração da espécie

Dados

Continente

Avaliação do indicador de Abundância

Avaliação do indicador de Produtividade

Açores

Avaliação do indicador de Abundância

Avaliação do indicador de Produtividade

Mapas

Ocorrência | Primavera

Escala

Valor mínimo:

Valor máximo:

Apresentação

Distribuição, movimentos e fenologia

O roque-de-castro nidifica no Atlântico, designadamente nas Berlengas, Açores, Madeira (Portugal), ilhas de Ascensão e Santa Helena. No Pacífico, nidifica ao largo do Japão, no Havai e nas Galápagos (Billerman et al. 2026). Na Madeira ocorrem duas populações com períodos reprodutivos distintos: uma de verão, que se reproduz entre março e outubro, e outra de inverno, com reprodução entre setembro e fevereiro (Granadeiro et al. 1998; Nunes 2000). Nas restantes colónias portuguesas a espécie nidifica apenas no inverno. Estão identificadas colónias no Farilhão Grande e ilha da Berlenga no continente, na ilha da Madeira, Desertas e Selvagens na Madeira e em Santa Maria, Graciosa, São Jorge, Terceira, São Miguel, Flores e Corvo nos Açores (Equipa Atlas 2022; Pipa et al. 2023). Com base no seguimento individual de 22 aves equipadas com GPS, provenientes das colónias no ilhéu da Praia (Terceira) e Farilhão Grande, verificou-se uma utilização extensa da ZEE portuguesa durante o período reprodutor, sobretudo nas sub-regiões de origem das populações, Açores e continente. Estas aves demonstraram uma preferência por áreas marinhas situadas a norte das respetivas colónias, embora parte delas pareçam utilizar também as águas mais a sul até à costa de Marrocos (Carreiro et al. 2020). Após a reprodução, quer os reprodutores de verão como os de inverno, migram para a costa leste da América Central e Golfo do México (Raül Ramos & Beñat Garcia-Urdangarin com. pess.).

Abundância e evolução populacional

A população global foi estimada em cerca de 150.000 indivíduos maduros, com uma tendência decrescente. Já a população europeia foi estimada entre 6.600 a 6.900 casais (BirdLife International 2025).

Em Portugal continental, a população conta com cerca de 420 a 784 casais (Equipa Atlas 2022) apresentando flutuações interanuais (Oliveira et al. 2025a). Nos Açores, a população reprodutora foi estimada entre 664 a 1.173 casais no final da década de 2010, com recurso a monitorização acústica passiva, existindo indícios de declínio recente (Pipa & Silva 2021; Pipa et al. 2023; Pipa et al. 2024). Para a Madeira não existem estimativas precisas do tamanho das populações reprodutoras, admitindo-se um mínimo de 5.000 casais (Equipa Atlas 2022). Apesar das oscilações ou decréscimo, as populações do continente e dos Açores atingiram o Bom Estado Ambiental para os indicadores da abundância e produtividade.

Ecologia e habitat

O roque-de-castro tem um comportamento pelágico, permanecendo a maior parte do ciclo anual em mar aberto. A sua dieta é composta por pequenos peixes pelágicos da família Gadidae mas também cefalópodes e peixes de profundidade da família Myctophidae, podendo ainda explorar restos alimentares e rejeições da pesca (Monteiro et al. 1996b; Carreiro et al. 2020; Billerman et al. 2026). Nidifica em pequenas cavidades ou em fendas nas rochas, em ilhas e ilhéus.

Ameaças e conservação

A presença de mamíferos introduzidos nas colónias, como ratos e gatos, constitui uma ameaça grave, através da predação de ovos, crias e até adultos, podendo ainda conduzir ao abandono de locais de nidificação (Monteiro et al. 1999; Raine et al. 2017). A predação por outros animais, incluindo lagartixas, gaivota-de-patas-amarelas Larus michahellis e aves de rapina noturnas, pode igualmente contribuir para declínios locais (Matias & Catry 2010; Bried & Neves 2015; Oliveira et al. 2023a). A poluição luminosa pode causar encandeamento e colisões com estruturas, mas a espécie parece apresentar baixa suscetibilidade a esta ameaça (Rodriguez & Rodriguez 2009; Raine et al. 2017).

Autores

Tânia Pipa, Ben Porter, Hannah F. R. Hereward, Verónica Neves

Proprietários/fontes dos dados de seguimento individual

SPEA BirdLife, Porter et al. 2019, Porter et al. 2020