Seixoeira
Nome científico: Calidris canutus
Família scolopacidae
- Fenologia Continente
- Invernante e migrador de passagem
- Fenologia Madeira
- Acidental
- Fenologia Açores
- Acidental
- Estatuto UICN Global
- Estatuto Continente
- Estatuto Madeira
- Estatuto Açores
Dados
Apresentação
Distribuição, movimentos e fenologia
A seixoeira nidifica no alto Ártico, entre junho e inícios de agosto, invernando ao longo das zonas costeiras de todos os continentes, em ambos os hemisférios (Billerman et al. 2026). As aves que ocorrem em Portugal durante as migrações nidificam sobretudo no Ártico siberiano e invernam sobretudo nas costas de África (Delany et al. 2009). Ocorrem igualmente no nosso país, aves da Gronelândia e do Canadá (Catry et al. 2010a). As principais áreas de invernada situam-se, quase exclusivamente, nos estuários e nas zonas lagunares costeiras (Equipa Atlas 2018). Na costa rochosa, a espécie é rara e de distribuição localizada, podendo surgir isoladamente ou em pequenos bandos. Nos Açores e na Madeira, a espécie ocorre de forma acidental, também observada principalmente na orla costeira das várias ilhas destes arquipélagos.
Abundância e evolução populacional
A população global foi estimada entre 750.000 e 1.750.000 indivíduos maduros, com uma tendência decrescente (BirdLife International 2025). Em Portugal, a abundância de seixoeira é variável, oscilando entre dezenas e escassas centenas de indivíduos no inverno (Catry et al. 2010a). A população invernante na costa marinha foi estimada em somente 17 a 18 indivíduos (Lecoq et al. 2013). As populações do continente e dos Açores não atingiram o Bom Estado Ambiental para o indicador da abundância. Não foi possível realizar esta avaliação para a região da Madeira.
Ecologia e habitat
Em Portugal, as seixoeiras preferem as zonas húmidas, quer costeiras como interiores, à faixa litoral marinha. São predadores especializados em moluscos, incluindo bivalves, que capturam sobretudo em sedimentos móveis (Moreira 1994; Lourenço 2019). Nada se sabe sobre a dieta das poucas aves que invernam nas nossas praias.
Ameaças e conservação
A seixoeira está classificada globalmente como Quase Ameaçada, devido a rápidos declínios verificados em várias populações. Entre as principais ameaças está a perda ou degradação de habitat por ação humana, as alterações climáticas que afetam a produtividade, a sobre-exploração de bivalves e a perturbação humana (BirdLife International 2025). Em Portugal pode ser especialmente afetada pelo abandono ou degradação de salinas, a transformação de salinas em aquacultura marinhas e a destruição ou degradação das zonas entre-marés.
Autor
Nuno Oliveira
Moreira F (1994). Diet and feeding rates of knots Calidris canutus in the Tagus estuary (Portugal). Ardea 82: 133-136. Bibliografia:
Lourenço PM (2019). Internet photography forums as sources of avian dietary data: bird diets in Continental Portugal. Airo 26:3-26. Bibliografia:
Lecoq M, Lourenço PM, Catry P, Andrade J & Granadeiro JP (2013). Wintering waders on the Portuguese mainland non-estuarine coast: results of the 2009-2011 survey. Wader Study Group Bulletin 120: 66-70. Bibliografia:
Equipa Atlas (2018). Atlas das Aves Invernantes e Migradoras de Portugal 2011-2013. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, LabOr- Laboratório de Ornitologia – ICAAM - Universidade de Évora, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (Madeira), Secretaria Regional da Energia, Ambiente e Turismo (Açores) e Associação Portuguesa de Anilhadores de Aves. Lisboa. Bibliografia:
Delany S, Dodman T, Stroud D & Scott D (2009). An atlas of wader population in Africa and western Eurasia. Wetlands International, Wageningen. Bibliografia:
BirdLife International (2025). IUCN Red List for birds. Disponível em https://datazone.birdlife.org e acedido a 30.11.2025. Bibliografia:
Billerman SM, Keeney BL, Kirwan GM, Medrano F, Sly ND & Smith MG (eds.) (2026). Birds of the World. Cornell Laboratory of Ornithology, Ithaca, NY, USA. Bibliografia:
Catry P, Costa H, Elias G & Matias R (2010a). Aves de Portugal, Ornitologia do Território Continental. Assírio e Alvim, Lisboa Glossário:
Indivíduos capazes de se reproduzir, utilizados como referência em estimativas populacionais. Glossário:
Moluscos com duas conchas, como amêijoas e berbigões, comuns em ambientes intertidais. Glossário:
Faixa costeira que fica exposta durante a maré baixa e submersa durante a maré alta. Glossário:
Mudanças persistentes nos padrões climáticos globais ou regionais, influenciadas por fatores naturais e antropogénicos. Glossário:
Áreas onde as aves permanecem fora da época reprodutora, geralmente associadas a condições favoráveis de alimentação e sobrevivência. Glossário:
Espécie ou parâmetro que reflete o estado de um ecossistema ou alterações ambientais. Glossário:
Direção da variação do tamanho de uma população ao longo do tempo (crescimento, declínio ou estabilidade). Glossário:
Medida do sucesso reprodutor de uma população, geralmente expressa como o número médio de crias produzidas por casal. Glossário:
Conceito definido no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM), referente à condição dos elementos do meio marinho, incluindo as aves. Pretende avaliar se os ecossistemas estão saudáveis, equilibrados e capazes de suportar as funções ecológicas e os usos humanos de forma sustentável. O objetivo final é que os elementos e os ecossistemas atinjam o Bom Estado Ambiental.